Mau tempo volta a causar avultados danos na região

Pelo quinto ano consecutivo a região duriense foi afetada por violentas tempestades de ganizo que dizimaram vinhas e pomares em diversos concelhos como Armamar, Lamego, Peso da Régua e Vila Real, em especial.

O primeiro episódio desta série de tempestades que se abateu sobre a região aconteceu no último dia de maio afetando principalmente algumas freguesias do concelho de Vila Real, em junho a situação agravou-se com praticamente 12 dias consecutivos de episódios de queda de granizo, chuva forte e vento intenso.

Produção de maçã em Armamar novamente afetada

Maurício Fonseca é produtor de maça e cereja no concelho de Armamar, em cinco anos é a quarta vez que as suas produções são afetadas pelo granizo.

Para este agricultor os últimos anos têm sido vividos “com o coração fora do corpo. Cada vez que cai granizo sentimo-nos impotentes e depois, quando vamos a caminho dos terrenos para ver o que ficou afetado parece que o coração chega lá primeiro de tão apertado que o sentimos”.

“Trabalhamos todos os dias desde as cinco da manhã até às oito ou nove da noite e depois, de um momento para o outro vemos ir tudo por água abaixo, é desesperante”.

O olhos lacrimejantes de Maurício Fonseca ao olhar para os pomares deixam transparecer o cruel significado das suas palavras.

Para este produtor era necessário tomar medidas para prevenir os efeitos destes episódios até porque os seguros “não garantem sequer 50% dos prejuízos. Num ano bom somos capazes de produzir cerca de 60 toneladas de maçã, os seguros cobrem apenas 30 a 40 toneladas, a um custo bem mais reduzido do que o da produção”.

Em Armamar “há propriedades que perderam 100% da produção, outras 60% e os mais sortudos foram afetados em 40%, olhando em termos económicos falamos de perdas a rondar os 13 milhões de euros. É um custo demasiado elevado para quem faz disto vida e o problema maior é que assim fica difícil fazer contratos com clientes, não temos a garantia de ter produto para entregar e neste setor isso é prejudicial, o cliente quer a garantia que vai ter produto e se nós não a damos então vão procurar em outra região”.

Numa altura em que se fala cada vez mais em segurar população no interior e atrair novos habitantes para este território, Maurício Fonseca tem uma certeza, “por mim nenhum dos meus filhos irá trabalhar nisto, já lhes disse que quando eu não conseguir mais trabalhar que acabo com a empresa. Não os quero nesta vida, não dá. Quando ouço um governante dizer que devemos atrair os jovens para a agricultura até me dá vontade de rir, acham que com 10 ou 20 mil euros vão conseguir isso, esquecem-se que muitos deles têm a sua família neste setor e vêm o que os seus avós e pais passam”.

Vinhas foram dizimadas

Já no concelho de Lamego, na freguesia de Valdigem, foram as vinhas que sofreram avultados danos.

Duarte Sequeira é um jovem produtor com cerca de quatro hectares de vinha que este ano estão reduzidos a zero.

Numa altura em que as vinhas deveriam estar cheias de folhas e frondosos cachos de uva em desenvolvimento, num passeio pelos terrenos de Duarte Sequeira apenas se vêm as varas das videiras, resultado de uma tempestade de granizo que durou cerca de 13 minutos com pedras a chegarem aos 4 ou 5 centímetros de diâmetro.

“É um cenário desolador, é a vida do agricultor que está em jogo e é a produção de dois anos que fica em causa. Como se pode ver este ano a poda que iremos fazer é pouca ou nenhuma e isso vai afetar muito a produção do próximo ano, teremos sempre alguma coisa mas sempre longe daquilo que seria expectável.

Esta vinha onde estamos já levou um tratamento depois da tempestade para tentar minimizar os problemas a médio e longo prazo, contudo nota-se que ainda está muito debilitada, isto traz outro problema que é o custo que tudo isto tem, sem que vá haver qualquer tipo de retorno porque aqui a produção será zero ou próxima disso.

É desmotivante mas, temos que ser como a vinha e encontrar forças para nos regenerarmos. Eu amo profundamente a vinha e agora resta pensar no amanhã”.

“Os nossos governantes falam muito nos seguros e até dão uma bonificação através do IFAP mas quem ganha com isto são as seguradores. Enquanto lavradores, através das taxas que se pagam ao IVDP, deveríamos ter acesso a um seguro coletivo. Este ano já não há nada a fazer mas temos que olhar para o futuro e encontrar soluções que se adequem.

Há já algumas soluções que têm sido faladas como a questão dos balões mas ainda falta financiamento e quando estiverem no terreno será ainda em fase de testes em determinadas zonas, o que acaba por ser uma lotaria porque nunca sabemos onde o granizo vai cair.

O principal neste momento seria mesmo tentar arranjar uma solução que garantisse no mínimo um valor a rondar os 300 euros por pipa, o que nos dava logo alguma segurança”.

A mesma ideia é partilhada por António Xavier, presidente da Junta de Freguesia que nos acompanha na visita às zonas afetadas.

“Com a minha idade e mesmo falando com pessoas mais velhas, ninguém se recorda de alguma vez ter assistido a algo desta dimensão.

Com um ano assim talvez seja tempo de o nosso Governo pensar um bocadinho mais nos lavradores do Douro que não têm sido apoiados nestas situações, fala-se em créditos e seguros mas a vida de uma agricultor no Douro não é assim tão fácil e, vindo um ano como este, não se consegue levar por diante a missão de fazer este néctar tão precioso”.

Para este autarca em causa pode estar o futuro da região. Considerando ter na sua freguesia “jovens viticultores bem preparados”, teme que os mesmos desistam do seu negócio porque, como afirma, “com situações destas acabam por ver a sua vida muito complicada”.

Questionado pela nossa reportagem, Gilberto Igrejas, presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP), afirma que há equipas no terreno a fazer um levantamento exaustivo dos danos enquanto em sede do Conselho Interprofissional se discutem formas de mitigar os prejuízos.

“As equipas do IVDP têm estado no terreno a par com o trabalho que tem sido feito pela Direção Regional de Agricultura e Pescas do Norte. Sabemos exatamente qual a extensão das vinhas que foram afetadas na Região Demarcada do Douro, estamos a trabalhar de uma forma séria e cuidadosa no que isto se irá traduzir em termos de perdas para a campanha deste ano.

Tivemos uma reunião do Conselho Interprofissional onde este tema já foi debatido e vamos tentar arranjar medidas mitigadoras para apoiar aqueles que sustentam o setor que são os agricultores, a pedra basilar para os vinhos do Douro e Porto”.

Confrontado com o desejo dos produtores em ter um seguro coletivo de colheitas Gilberto Igrejas afirma que essa negociação não pode ser feita pelo IVDP apesar do instituto público estar atento ao problema.

“O enquadramento legal do IVDP não nos permite contratualizar um seguro de colheitas para toda a região, por isso mesmo temos estado a trabalhar juntamente com o Ministério da Agricultura para encontrar as melhor soluções.

Este é um assunto muito importante para o IVDP e não está esquecido, queremos ver salvaguardados os nosso agricultores porque eles são o garante da produção.

As associações devem debater esta questão e elas são livres de fazerem o que bem entenderem, o IVDP, como já afirmei, não tem enquadramento legal para solucionar esta questão”.

“Balões de S. João” podem ser solução

Com o recorrência destes fenómenos a ser cada vez mais sentida na região, aumenta também a discussão em torno do que pode ser feito para evitar os efeitos do granizo nas produções.

Rui Soares é presidente da PRODOURO, uma associação que tem levado a cabo diversas iniciativas no âmbito do combate ao granizo, estando já a trabalhar com uma empresa francesa para a instalação de postos de lançamento de balões que reduzam ou eliminem mesmo a queda de granizo na região.

Ao longo dos últimos anos a PRODOURO tem distribuído pelo território placas de esferovite que recolhem dados sobre a recorrência e a intensidade do granizo na região, dados que depois são analisados para que o sistema de balões seja instalado com maior eficácia, notando-se desde já uma evidência, de acordo com este responsável, os episódios são cada vez mais recorrentes e mais violentos.

“É difícil dizermos que o futuro vai ser assim ou pior, o que constatamos é que nos últimos 5 anos há um número crescente nos episódios de granizo, uma maior regularidade e, quando surgem, são sempre violentos. Não são episódios pontuais e benignos, são cada vez mais violentos.

Olhando para trás para tentar adivinhar o futuro parece-nos haver aqui uma tendência crescente no número de episódios e na sua violência.

A recolha de dados, tal como nos tinha sido indicada pelos consultores franceses, é fundamental para conhecer melhor o fenómeno. A realidade é que em Portugal há ainda pouco estudo sobre este tema, poucos dados científicos. Aquilo que continuamos a fazer em conjunto com os especialistas franceses é a recolha de informação e interpretação dos dados, com o objetivo de perspetivar o futuro. Como infelizmente temos tido bastantes episódios temos muitas placas de recolha de informação.

A informação que recolhemos valida a nossa escolha sobre o método a utilizar para minimizar os efeitos do granizo”.

O sistema já foi apresentado aos autarcas da região tendo sido bem recebido por estes, contudo, passado mais de um ano dessa apresentação o dirigente associativo lamenta que pouco ou nada tenha sido feito, não por falta de financiamento mas, como afirma, “por falta de vontade política”.

“Passado um ano da reunião com a CIM Douro onde fizemos a apresentação do projeto pouco aconteceu porque entretanto também surgiu a pandemia o que, como sabemos, acabou por atrasar uma série de situações.

Voltamos à carga com o assunto há cerca de 6, 7 meses e as câmaras de Alijó e Sabrosa mostraram disponibilidade para apoiar financeiramente o projeto, o que para nós foi extremamente positivo. No final de 2020 conseguimos não só o apoio “moral” mas também a garantia do apoio financeiro ao projeto. Para implementar este projeto eram necessários 350 mil euros, dos quais a PRODOURO iria investir 75 mil, ficando o restante à responsabilidade das autarquias na proporção da área coberta no seu concelho.

No início deste ano, 2021, estava tudo reunido para avançar com o projeto mas entretanto tudo parou porque a empresa com que estamos a trabalhar apresentou-nos uma outra possibilidade que é um upgrade do sistema, tudo se mantém igual com uma pequena grande alteração, em vez do acionamento ser feito por pessoas, ele passaria a ser automático. Os postos de lançamento estariam ligados a um sistema e bastaria apenas uma pessoa para os acionar, isto iria simplificar o processo e diminuir o risco de falha humana. O prolema deste sistema é que o custo multiplica por três, no fundo o custo ultrapassaria o milhão de euros.

Para nós era indiferente o sistema a ser utilizado mas os autarcas preferem este sistema mais completo até porque existia a possibilidade do seu financiamento no âmbito do pacote de projetos que estava ser discutido com o Ministério do Ambiente, referente ao processo das barragens. Entretanto o tempo foi avançando e chegou a época do granizo com as consequências que todos conhecemos.

Entretanto já soubemos que o ministério olhou para isto com algumas reticências por não considerar este um projeto prioritário. O que nós dizemos é que, seja o sistema mais barato ou o mais caro, nós precisamos é que ele seja implementado, podíamos iniciar com o processo mais simples e depois evoluir para o automático havendo financiamento para isso.

Neste momento o problema não é a questão do financiamento porque esse foi assegurado pelas autarquias, mas de vontade política, de entender que isto é uma prioridade para a região do Douro. Com o que aconteceu nestas últimas semanas consideramos que os nossos autarcas têm mais argumentos para pressionar o Governo para avançar com este projeto”.

Investigador refuta correlação com alterações climáticas

João Santos é professor e investigador da UTAD e do CITAB, para este académico a situação vivida este ano, sendo gravosa, não sai dos parâmetros habituais para a época e para a região, recusando mesmo uma relação direta destes episódios com as alterações climáticas.

“Estes eventos que tivemos foram um pouco mais frequentes do que o normal mas não se pode dizer que não tenha sido normal para a época.

Os eventos de trovoada e queda de granizo estão associados com aquilo que chamamos em meteorologia, Processos de Desenvolvimento Vertical que são muito comuns em finais de maio e junho, principalmente nas regiões mais interiores do país e zonas de montanha. É uma situação que podemos afirmar que está dentro dos padrões normais.

De facto não existe uma evidência que este tipo de eventos seja uma causa das alterações climáticas. Eu não excluo que as alterações climáticas possam aumentar a probabilidade de ocorrência destes eventos, contudo essa relação só deve ser feita quando temos uma tendência estatística muito robusta. Neste momento, em Portugal, não há um aumento claro destes eventos, antes pelo contrário, aquilo que verificamos é uma diminuição destes eventos em algumas regiões do país.

Por exemplo, situações como a seca ou as ondas de calor têm vindo a aumentar, contrariamente ao que acontece com fenómenos destes de chuva intensa e granizo, onde não se verificasse aumento. Eu teria muito cuidado em relacionar as alterações climáticas com estes eventos.

No caso português não há nenhum sinal que este tipo de fenómenos vá aumentar no futuro, ao contrário do que se prevê no centro e norte da europa. Portugal é dos países da europa com menos granizo, há zonas da europa onde todas as semanas há tempestades de granizo”.

Para este investigador a solução dos balões meteorológicos não é garantia de prevenção dos danos até porque, como afirma, estes fenómenos são muito localizados e difíceis de prever onde irão acontecer. Por outro lado, conclui, não existem ainda dados que permitam afirmar com exatidão que o mesmo funciona de forma eficaz.

“É possível prever estes fenómenos, contudo são processos físicos muito complexos e muito localizados, dependem da localização de um tipo de nuvem que são as chamadas cumulonimbus, que são nuvens de desenvolvimento vertical, e que são muito difíceis de prever a sua localização exata.

Aquilo que conseguimos prever são probabilidades de ocorrência que são úteis para avisar os agricultores, contudo, essa previsão em pouco ou nada pode ajudar. Existem formas de proteger as culturas como as redes de proteção e outras que agora têm sido faladas mas o que é certo é que ainda não há uma comprovação científica cabal da eficiência destes sistemas.

Em França tem havido muito investimento nos últimos anos em sistemas deste género e os resultados não têm sido muito animadores, nem sempre se consegue prever a queda do granizo. Em alguns locais aparentemente tem funcionado mas em outros casos não existe nenhuma evidência clara entre a não queda de granizo e estes sistemas. É um tema que tem levado a muitas discussões no meio científico”.

Como funcionam os “Balões de S. João”?

Este método é designado oficialmente de Operação de Modificação do Tempo e consiste em perturbar artificialmente as nuvens de granizo. Isto não é nada inovador apesar de que ao estarmos a falar desta tecnologia estamos a falar de algo novo, não é o caso, não descobrimos a pólvora, há 70 anos que isto se faz na europa.

Este sistema que escolhemos divide-se em duas partes. A primeira é a monotorização das nuvens de granizo, para tal, o método contempla um radar meteorológico que é dedicado a isto. A partir do momento em que as nuvens entram no raio de ação do radar começam a ser monitorizadas para depois o software fazer a interpretação dos dados, que servem de base para a produção de um alerta. A segunda parte é a proteção em si, a partir do momento em que é emitido o alerta as pessoas responsáveis pelos balões vão ter que os acionar. Esse balão tem uma tocha acoplada que está carregada com sais hidroscópicos. No fundo são dois componentes, carregados numa mala, que depois de ativados, a uma determinada altitude, o balão rebenta e os sais são espalhados agarrando-se às pedras de granizo, fracionando-as e transformando-as em água. Ou seja, continua a cair água mas em forma líquida em vez da sua forma sólida. É um princípio muito simples.

Cada balão tem o raio de cobertura de 9kms quadrados. Para a zona de ação da nossa área teste, que são as freguesias vinhateiras dos concelhos de Alijó e Sabrosa, cerca de 15 mil hectares, precisamos de cerca de 28 postos de lançamento.

Como é que surgem estes fenómenos?

A página Meteo Trás-os-Montes dedica-se, como o próprio nome indica, ao acompanhamento de fenómenos meteorológicos através da leitura de diversos mapas, fornecendo informações bastante exatas que divulgam na sua página do Facebook.

Ao VivaDouro os elementos da página explicaram este fenómeno, como se forma e como pode ser acompanhado para avisar as populações acerca dos riscos potenciais.

“Na verdade aconteceram duas situações distintas, mas ambas com características muito semelhantes. A Primavera é uma estação de transição, regularmente, a atmosfera é palco de uma espécie de “batalha” entre as baixas pressões em latitudes superiores e as altas pressões em latitudes inferiores, sem que nenhumas delas se consiga impor plenamente, daí a variabilidade que carateriza esta estação. Assim é natural que este tipo de fenómenos aconteçam nesta época do ano, na página usamos a definição de “bolsa de ar frio em altitude”, que não é mais que um dos ingredientes fundamentais para a ocorrência de instabilidade associada às trovoadas no período estival, os nossos vizinhos espanhóis utilizam a definição “Gota Fria” ou “DANA”.

A comunidade cientifica é praticamente unânime, com as mudanças climáticas em marcha e que são inegáveis, nomeadamente a subida das temperaturas haverá mais energia para a dinâmica atmosférica, mais calor significa mais força para as correntes ascendentes na formação dos cumulonimbus (nuvens verticais), mais atividade elétrica, mais e maior granizo e saraiva.

O acompanhamento destas situações deve assim, ser algo de atenções redobradas por parte das entidades oficiais, por forma a avisar as populações com o máximo de tempo possível, para que possam minimizar os impactos dos riscos potenciais. Obviamente que a emissão de avisos não anula o risco, mas é de fundamental importância, assim como a reformulação dos mapas de risco meteorológico, deixando para trás um sistema de índole administrativa do século passado para um novo mapa atendendo as diferentes realidades climáticas das regiões.

Faz sentido Montalegre e o Pinhão estarem inseridos na mesma unidade espacial de um mapa de avisos? Não faz! São duas realidades totalmente diferentes, o Douro, pela sua especificidade climática que todos conhecemos, deve ter um aviso próprio, independente dos distritos que o atravessam, este exercício já foi feito por outras agências (AEMET, MeteoGalicia…), exemplos que devemos seguir com urgência pelo bem e segurança de todos, deve ser tema central na nossa região. A aproximação da informação meteorológica às populações, reforma do sistema de avisos e uma melhoria da cobertura espacial de estações meteorológicas, fundamentais para o nowcasting neste tipo de eventos de tempo severo.

Para haver condições para a ocorrência de instabilidade associada a trovoadas nesta época do ano, necessitamos de 3 fatores fundamentais, calor à superfície (vínhamos de uns dias de calor muito intenso), ar frio em altitude e humidade (estes dois fatores são aportados pela bolsa de ar frio), existem outros fatores, o CAPE-LI, o shear, etc. Os 3 primeiros são passíveis de previsão com vários dias de antecedência, uma vez que através do nowcasting (acompanhamento em tempo real) é possível o acompanhamento, por via de satélites, da trajetória da bolsa de ar frio e saber com vários dias de antecedência com a ajuda de modelos numéricos, qual a região que terá maiores probabilidades de registo de tempo severo.

No Meteo Trás-os-Montes fizemos esse trabalho, acompanhamos a sua evolução desde o momento em que se encontrava a oeste da Região Autónoma da Madeira até à sua chegada a Portugal Continental.

Por norma, este tipo de situações não costumam durar muito mais que 48 horas, geralmente as bolsas de ar frio são rapidamente absorvidas pela circulação geral da atmosfera e o tempo estabiliza, mas no último episódio foi diferente, “estacionou” durante dias, o que manteve durante mais de uma semana as condições para registo de tempo severo em especial nas regiões do interior Norte e Centro, com granizo e saraiva de dimensões pouco habituais no nosso país e estragos muito significativos em especial na agricultura, com o Douro novamente muito fustigado”.