O que ganham os que vivem para “lá do Marão” com a construção do Túnel?

O Túnel do Marão foi inaugurado no passado dia 7 de maio/ Foto: VivaDouro

O Túnel do Marão foi inaugurado no passado dia 7 de maio/ Foto: VivaDouro

Inaugurado no passado dia 7 de maio, o Túnel do Marão veio facilitar as deslocações entre Trás-os-Montes e o litoral, quebrando a “barreira mítica” que foi o Marão durante os anos em que se esperou pela conclusão da obra. Nas primeiras 24 horas após a abertura oficial ao trânsito, passaram pela Autoestrada do Marão 17.882 veículos, de acordo com dados da Infraestruturas de Portugal. O VivaDouro foi falar com várias pessoas da região para perceber quais as vantagens que esta infraestrutura trouxe para a região.

Rui Santos, Presidente da Câmara de Vila Real/ Foto: Salomé Ferreira

Rui Santos, Presidente da Câmara de Vila Real/ Foto: Salomé Ferreira

Rui Santos – Presidente da Câmara Municipal de Vila Real

Na opinião do autarca o Túnel quebrou a “barreira mítica” que era a Serra do Marão, “quebrou-se hoje um estigma sobre aqueles que viviam do lado de cá do Marão”, afirmou Rui Santos aquando da inauguração da infraestrutura.

Para o autarca socialista estão agora “criadas as condições para que haja mais investimentos e mais empresas a olhar para o interior do país, para que percebam que vale a pena aqui investir e caso isso aconteça criaremos emprego, criando emprego fixamos pessoas e aumentaremos o nosso PIB per capita”, acrescentou.

Rui Santos sublinha ainda o facto de que com esta obra concluída, a região encontra-se agora em condições “para competir em pé de igualdade com as demais regiões do país”, uma vez que “em termos de infraestruturas rodoviárias estamos igualmente servidos”, disse.

No entanto, o edil de Vila Real ressalva que a autarquia tem “consciência de que porque existe o túnel nem tudo se resolverá por magia e de um dia para o outro”, sendo assim, Rui Santos defende que a região terá que “lutar e estar à altura das circunstâncias e saberemos aproveitar mais aquilo que o túnel traz do que aquilo que ele leva”, concluiu.

António Fontainhas Fernandes, reitor da UTAD/ Foto: Salomé Ferreira

António Fontainhas Fernandes, reitor da UTAD/ Foto: Salomé Ferreira

António Fontainhas Fernandes – Reitor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro

“O túnel do Marão aproxima duas realidades de uma mesma região e de um país, permitindo aproximar o interior norte dos importantes eixos da região, o aeroporto Sá Carneiro e o terminal de cruzeiros de Leixões”, afirmou o reitor ao VivaDouro, quando questionado acerca das vantagens desta infraestrutura.

No entanto, na opinião de António Fontainhas Fernandes, essa aproximação significa também “uma enorme responsabilidade para os que vivem para cá do Marão, no desenvolvimento da região e na diminuição das assimetrias”, confessou.

Frisando que o túnel acaba com a “barreira física mas também psicológica” que tem “marcado a vida dos transmontanos e durienses”, o reitor da universidade de Vila Real espera que esta obra permita “gerar oportunidades para a economia dos territórios desafiantes e não seja um meio facilitador do crescente esvaziamento populacional que temos vindo a assistir nas últimas décadas”.

Para isso, “urge valorizar novas formas de atratividades, que passam por uma forte aposta na economia do conhecimento, nunca esquecendo a preservação da sua identidade”.

Enquanto representante da universidade transmontana, António Fontainhas Fernandes, acredita que a obra “aproxima a UTAD dos restantes parceiros do consórcio UNorte.pt”, reforçando ainda “o seu papel enquanto agente de coesão territorial”.

Luís Tão, Presidente da Nervir/ Foto: Salomé Ferreira

Luís Tão, Presidente da Nervir/ Foto: Salomé Ferreira

Luis Tão – Presidente da Nervir Associação empresarial de Vila Real

“É com muito entusiasmo e expectativa que encaro este rasgar do Marão como um virar de página de um passado que, no aspeto infraestrutural, não traz saudade”, afirmou Luis Tão.

Desta forma, “o impacto só pode ser positivo em todos os aspetos, nomeadamente nos económicos e sociais”, acrescentou.

Luis Tão considera que a abertura do túnel do Marão é “um passo positivo na tentativa de inversão” da desertificação do interior. No entanto, considera que “tem faltado essencialmente vontade política e muito mais” na resolução deste problema.

“A cidade de Vila Real, sendo a mais próxima do túnel e do litoral, será a que em primeiro lugar se afirmará na fixação de pessoas e na criação de emprego, a restante região levará mais tempo”, afirmou.

Na vertente empresarial, Luis Tão considera que o túnel é “uma mais-valia para as empresas que operam na região”, nomeadamente “na redução do tempo de entrega de produtos”, uma vez que “a partir de agora o tempo reduzido no sentido do litoral, poderão também as empresas cujo prazo de entrega era impeditivo de realizar alguns negócios, considerar em alargar a sua área de atuação”.

 

Maria Touças, Técnica de Recursos Humanos no Grupo Trofa Saúde / Foto: Direitos Reservados

Maria Touças, Técnica de Recursos Humanos no Grupo Trofa Saúde / Foto: Direitos Reservados

Maria Touças – Técnica de Recursos Humanos no Grupo Trofa Saúde no Porto

Era com expectativa que Maria Touças, natural de Vila Real e residente no Porto, esperava pela inauguração do túnel do Marão.

“É uma nova realidade que nos suscitava curiosidade e expectativa após tantos anos de espera”, afirmou ao VivaDouro a Técnica de Recursos Humanos.

Maria Touças utiliza esta nova via duas vezes por semana, sendo que são várias as vantagens que vê na sua utilização, “para além do tempo de viagem ser mais reduzido temos também agora menos trânsito e no inverno será melhor por causa das condições climatéricas, o próprio percurso é mais agradável e mais seguro”, revelou.

No que diz respeito ao valor de portagem destinado para a passagem do túnel, Maria Touças considera que é “justo”, no entanto defende que “poderia existir uma redução de valor para os residentes nestas zonas que trabalham noutros locais e que diariamente têm que fazer esta autoestrada”.

Apesar disso, a jovem vila-realense coloca de parte a utilização do IP4 em detrimento da autoestrada do Marão. “É um investimento que terá retorno nos próximos anos para toda a região do interior”, concluiu.

Paulo Morais Vaz, diretor da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro/ Foto: Direitos Reservados

Paulo Morais Vaz (direita), diretor da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro/ Foto: Direitos Reservados

Paulo Morais Vaz – Diretor da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro- Lamego

“Incrível”, é a palavra que Paulo Morais Vaz encontra para classificar a sua primeira viagem no túnel do Marão.

O diretor da Escola de Hotelaria e Turismo do Douro confessa que “a sensação de alívio” que teve “foi fenomenal”, uma vez que esperou bastante pela concretização da obra.

A principal vantagem apontada por este utilizador é precisamente a segurança, um dos motes da construção deste empreendimento, com o slogan “a segurança em primeiro lugar”.

Paulo Morais Vaz utiliza a autoestrada do Marão cerca de quatro vezes por semana, fazendo o percurso do Porto até Lamego, sendo que “a viagem encurtou agora cerca de 15 minutos”.

No que diz respeito ao preço da portagem, Paulo Morais Vaz acredita que “pelos benefícios que nos permite obter, o preço não é elevado”, no entanto “para quem tenha de recorrer ao túnel com frequência, o valor despendido pode ser relevante”. Fator que não o impede de preferir utilizar esta nova via.

Paulo Pimentel e Daniel Machado, proprietários da WindSpiders / Foto: Salomé Ferreira

Paulo Pimentel e Daniel Machado, proprietários da WindSpiders / Foto: Salomé Ferreira

Paulo Pimentel – Sócio da empresa Wind Spiders

“Penso que era a infraestrutura que faltava para a nossa região”, confessa Paulo Pimentel ao falar das vantagens que esta nova via tem para a empresa que gere em sociedade com Daniel Machado em Vila Real.

“Atravessar o Marão em estrada completamente plana foi uma experiência diferente daquela que nos habituamos durante anos”, afirmou o empresário, ao confessar que na primeira vez que atravessou o túnel “parecia que nunca mais acabava”, tendo em conta a sua grande extensão, que faz dele o maior túnel da Península Ibérica.

Também para a Wind Spiders o valor pago nas portagens “não é alto tendo em conta todas as vantagens que temos quando o atravessamos”, referiu.

“Esta infraestrutura teve um custo muito elevado, por isso pensamos que o preço/benefício da sua utilização é inteiramente justo”, acrescentou.

A segurança é também uma das principais vantagens apontadas por Paulo Pimentel nesta nova via, “o nevoeiro, o vento, a neve e os camiões pertencem ao passado, atravessar o Marão é agora completamente seguro”, concluiu.

Ricardo Geraldes (direita), médico no CHTMAD/ Foto: Direitos Reservados

Ricardo Geraldes (direita), médico no CHTMAD/ Foto: Direitos Reservados

Ricardo Geraldes – Médico no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD)

“Finalmente existe uma ligação em autoestrada a todo o nordeste transmontano, a única região do país que ainda não tinha este tipo de ligação”, afirmou Geraldes ao VivaDouro.

Na opinião do médico do CHTMAD, o túnel do Marão veio “permitir uma maior mobilidade de pessoas e bens, com todas as vantagens que daí advém”.

Para Ricardo Geraldes a viagem que realiza diariamente de Vila Nova de Gaia até Vila Real é agora “mais calma e mais agradável”, sendo que ganha cerca de 15 minutos no percurso habitual.

Apesar das vantagens inumeradas, o médico considera que o preço das portagens “é demasiado elevado para fazer 37 km”.

“O facto de ser autoestrada tem potencial para diminuir a sinistralidade”, referiu, ao falar da segurança que sentiu na utilização do túnel.

 

, , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , , ,