Penajóia: Expetativas de uma boa colheita na primeira cereja da Europa

Expetativas de boa colheita em Penajóia / Foto: Salomé Ferreira

Este promete ser um ano em grande na produção de cereja na Penajóia, em Lamego. A “primeira cereja da Europa” já está a ser apanhada nas encostas do Douro e avizinha-se uma boa colheita. As expetativas apontam para a apanha de mil toneladas de cereja, o que vai permitir compensar as quebras do ano passado.

Situada junto às margens do rio Douro, no concelho de Lamego, encontra-se a Penajóia, freguesia duriense onde nascem as “primeiras cerejas da Europa”.

Muitos habitantes da Penajóia conseguem trabalho na apanha da cereja/ Foto: Salomé Ferreira

Por estes dias, entre as cerejeiras, agitação é a palavra de ordem. A colheita deste ano já começou. Mais cedo do que o habitual, uma vez que “as primeiras cerejas começaram a ser colhidas das árvores no dia 18 de abril, este é um ano atípico”, explicou ao VivaDouro Felisberto Henriques, proprietário da Quinta de Santo António do Pombal.

2017 avizinha-se um bom ano na colheita da cereja na região. Pelo menos na Penajoia, onde os produtores esperam um aumento na produção relativamente ao ano passado. Mas, para além da quantidade, os produtores asseguram que a cereja este ano tem também uma “grande qualidade”.

“Felizmente a produção deste ano é de facto fantástica, o que funciona como uma compensação relativamente à grande quebra que aconteceu no ano transato”, afirmou Romeu Sequeira, da Amijóia – Associação dos Amigos e Produtores de Cereja de Penajoia.

 

Carlos Correia, produtor e comerciante de cereja da Penajóia/ Foto: Salomé Ferreira

Opinião partilhada por Carlos Correia, produtor e comerciante de cereja, “este ano a produção está muito boa, há muita cereja, o que nos compensa relativamente ao ano passado, onde tivemos apenas 20% da produção”, explicou ao VivaDouro o proprietário da Quinta do Pombal.

A “primeira cereja da Europa” já está a ser apanhada nas encostas do Douro / Foto: Salomé Ferreira

Conhecida por ser a primeira da Europa, a cereja da Penajoia distingue-se das demais pela sua doçura, fator diferenciador na hora de seguir para o mercado. “A cereja da Penajoia é mais doce e tem um bom calibre. É uma cereja muito doce comparativamente com a espanhola, a nossa região é muito propícia à cultura da cereja”, explicou Felisberto Henriques.

Mas porque é que esta é a primeira da Europa? A resposta está na ponta da língua dos produtores. “Deve-se ao microclima, à exposição solar e também aos próprios solos que, com as suas características específicas, acaba, por influenciar de forma positiva a maturação da cereja”.

Todas estas condições ajudam para que a cereja da Penajóia seja mais precoce e, por isso, a primeira a aparecer nos mercados, situação que aumenta o valor do produto. Apesar de as primeiras cerejas terem “mais valor no mercado”, este ano a “tendência é para diminuir o preço porque há muita oferta no mercado”, afirmou Carlos Correia.

Em Penajóia existem cerca de 100 produtores, que escoam este fruto para todo o país e até para o estrangeiro. De acordo com Carlos Correia o mercado nacional “ainda continua a ser o grande consumidor de cereja”, no entanto a empresa do proprietário da Quinta do Pombal já exporta parte da produção para países como a Espanha, a Suíça e o Luxemburgo.

Felisberto Henriques, produtor de cereja/ Foto: Salomé Ferreira

Na opinião de Felisberto Henriques, “a exportação é uma das grandes apostas no futuro”, revelou ao VivaDouro, uma vez que os pomares que se encontram a explorar são novos e “vão produzir mais quantidade” daqui a alguns anos.

Romeu Sequeira, presidente da Amijóia, explica que a produção da cereja “é sem dúvida um dos principais alicerces da economia local, não só da freguesia mas também em toda a região”. Chegando mesmo a haver “pessoas que dependem unicamente da produção de cereja”, daí a importância desta cultura a nível local.

Para além de fulcral para os produtores ao longo de todo o ano, a cultura deste fruto acaba também por ser importante para muitas pessoas da freguesia nesta altura, uma vez que conseguem trabalho na colheita da cereja ao longo destes meses.

É o caso de Pedro Morais, habitante da Penajóia, que diz apanhar cereja “desde que se lembra”. Com largos anos de experiência na atividade, Pedro Morais afirma que apanhar cereja “é como andar de bicicleta, o que custa é a primeira vez, depois é sempre a andar”, contou ao VivaDouro.

Fernando Correia já conta mais de 20 anos na apanha da cereja. Segundo o habitante da Penajóia este “é um trabalho agradável”, sendo que por vezes custa mais “quando está muito calor”.

Para evitar as horas em que o termómetro aponta temperaturas mais altas, a colheita começa bem cedo. Os ponteiros marcam as 6h30 quando os trabalhadores iniciam o dia de trabalho e despegam pouco depois das 14 horas.

Por esta altura Felisberto Henriques e Carlos Correia costumam contratar cerca de 12 pessoas para apanharem diariamente a cereja. De acordo com os produtores, “é fácil encontrar pessoas para trabalhar”, visto que praticam “uma cultura intensiva com árvores baixas, o que facilita a apanha”.

“Nas árvores mais altas é mais difícil, a mão-de-obra tem de ser mais especializada, nem toda a gente sabe apanhar”, explicou Felisberto Henriques.

A cereja da Penajóia distingue-se pela sua doçura/ Foto: Salomé Ferreira

7.ª Montra da Cereja realiza-se nos dias 20 e 21 de maio

Conscientes da importância económica e social da cereja para o concelho de Lamego e para a região, a Associação AMIJÓIA – Amigos e Produtores da Cereja da Penajóia e a Câmara Municipal de Lamego, com a colaboração de outras entidades, promovem no fim de semana de 20 e 21 de maio, na “sala de visitas” da cidade – a Av. Dr. Alfredo de Sousa -, a 7ª Montra da Cereja da Penajóia.

O evento tem participação prevista de cerca de 25 produtores que vão vender a cereja ao mesmo preço. Como mais-valia, este ano, a organização vai apresentar uma caixa personalizada da cereja da Penajóia para ser utilizada por todos os produtores da zona.

Recorde-se que as anteriores edições da Montra da Cereja constituíram um enorme êxito comercial, superando as expetativas iniciais da própria organização.

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