Quebra de 30% na produção de castanha aumenta o preço do produto

Quebra de 30% na produção de castanha aumenta o preço do produto / Foto: Salomé Ferreira

Quebra de 30% na produção de castanha aumenta o preço do produto / Foto: Salomé Ferreira

Produtores de Sernancelhe e Penedono afirmam que a produção de castanha sofreu uma quebra de cerca de 30% em relação ao ano passado. Por outro lado, a qualidade é “fenomenal”, facto que acaba por compensar a baixa produção.

Em mês de S. Martinho a castanha é rainha à mesa dos portugueses. Portugal é um dos maiores produtores de castanha em termos europeus, com cerca de 47 500 t, segundo estimativa da RefCast – Associação Portuguesa da Castanha. No entanto, a Itália é ainda a maior produtora europeia de castanha com cerca de 50 000 t.

Nas terras da Beira Interior, a cultura da castanha tem grande expansão numa zona delimitada pelos concelhos da Guarda, Viseu, Sernancelhe e Penedono. Sendo que nesta região são cultivados cerca de 5.000 ha de castanheiros, principalmente a variedade Martainha.

Armando Mateus, vereador da Câmara Municipal de Sernancelhe/ Foto: Salomé Ferreira

Armando Mateus, vereador da Câmara Municipal de Sernancelhe/ Foto: Salomé Ferreira

A castanha “assume um grande impacto económico a nível do setor agrícola no concelho”, explica Armando Mateus, vereador da Câmara Municipal de Sernancelhe.

Apesar de a produção ser variável de ano para ano, num “excelente ano” de produção, Sernancelhe pode vir a atingir as 1000 toneladas, o que significa um retorno económico superior a 3 milhões de euros anualmente.

“É um valor muito considerável, ainda que a castanha não seja o produto agrícola mais produzido no concelho, mas é o produto que dá mais rentabilidade pela relação preço/Kg que tem”, afirmou ao VivaDouro o vereador.

Em termos de quantidade, a vinha é a produção que tem “mais peso” no concelho, seguida da fileira da maçã, do azeite e por último a castanha, que se apresenta assim como a cultura com mais impacto económico no concelho que duplicou a sua área de castanheiros nos últimos anos.

Também em Penedono a castanha tem um peso significativo na economia do concelho.

“Estamos entre os cinco municípios com maior produção de castanha a nível nacional, é a base da sustentabilidade económica de muitos agregados familiares do nosso concelho”, afirmou Cristina Ferreira, vice-presidente do município.

Quebra de 30% na produção de castanha aumenta o preço do produto / Foto: Salomé Ferreira

Quebra de 30% na produção de castanha aumenta o preço do produto / Foto: Salomé Ferreira

Menos produção leva a aumento do preço da castanha

Daniel Azevedo, produtor de castanha em Sernancelhe / Foto: Salomé Ferreira

Daniel Azevedo, produtor de castanha em Sernancelhe / Foto: Salomé Ferreira

Daniel Azevedo, produtor de Sernancelhe, revela que este ano a produção “está melhor do que as expectativas iniciais”, uma vez que se pensava que a quebra seria superior.

“O ano passado foi um ano de bastante mais produção mas, ainda assim, pensei que iria ser pior este ano”, acrescentou. Em 2015, Daniel Azevedo produziu 30 000 toneladas de castanha, valor que diminuiu significativamente este ano, com cerca de 14 toneladas de castanha.

José Fernando, produtor de Penela da Beira/ Foto: Salomé Ferreira

José Fernando, produtor de Penela da Beira/ Foto: Salomé Ferreira

Também José Fernando, produtor de Penela da Beira, sentiu uma quebra na produção. No ano passado produziu entre 18 a 19 toneladas, valor que calcula que desça agora para 15 toneladas.

“A quebra não é tão grande porque os calibres são melhores e já compensa”, afirma o produtor.

Apesar da diminuição na quantidade a “qualidade da castanha é uma coisa fenomenal este ano, o que compensa a quebra de produção”, explica João Ferreira, presidente da Cooperativa Agrícola de Penela da Beira, local onde grande parte dos produtores entregam as suas castanhas para venda.

Uma vez que a produção da castanha diminuiu, a valorização da castanha aumentou cerca de 50% no valor de produção. Em 2015 o preço de produção estava entre 1€ e 1,5€ e em 2016 está entre os 2€ e 2,20€.

Carlos Esteves de Carvalho, presidente da autarquia de Penedono, revela que apesar da quebra na produção, “sente os produtores contentes, uma vez que compensou a nível de preços, foi um ano muito bom economicamente para as pessoas”, revelou ao VivaDouro.

Produtores com dificuldade em encontrar mão-de-obra para a apanha da castanha

À semelhança de outras produções, também na castanha os produtores sentem algumas dificuldades em encontrar mão-de-obra para apanhar o fruto.

José Fernando contrata cerca de nove pessoas para auxiliarem na apanha da castanha nesta altura do ano, no entanto, na opinião do produtor “é cada vez mais difícil encontrar pessoas para trabalhar nesta área”, revelou.

“Faltam jovens para trabalhar. As pessoas que colaboram comigo já apanham há 15 anos e têm todos mais de 50 anos”, afirmou.

Maria Cláudia na apanha da castanha em Sernancelhe/ Foto: Salomé Ferreira

Maria Cláudio na apanha da castanha em Sernancelhe/ Foto: Salomé Ferreira

Maria Cláudio, já está habituada a estas andanças, apanha castanhas há tantos anos que já nem se recorda quando começou esta atividade. Viaja todos os dias de Aguiar da Beira para Sernancelhe para a apanha das castanhas, na opinião da trabalhadora, “este trabalho é muito bom”, revelou ao VivaDouro enquanto colhia algumas castanhas.

José Fernando receia que com o passar dos tempos “a dificuldade em arranjar pessoas para trabalhar seja ainda maior”, uma vez que as pessoas começam a envelhecer, facto que preocupa os produtores de castanha da região.

 

 

 

 

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