Reabertura do hospital da Régua “é um compromisso”

Quase três anos após o encerramento devido ao aparecimento de “legionella”, o hospital de Peso da Régua poderá estar próximo de reabrir, num formato que corresponda aos anseios e necessidades da população servida por esta unidade.

José Manuel Gonçalves, atual presidente da Câmara Municipal, assumiu durante a campanha das autárquicas que a reabertura da unidade de saúde era uma das suas bandeiras, passado um ano da sua eleição, o autarca assume este assunto como um compromisso, assumindo a demora na sua concretização.

“Mais do que uma promessa, o hospital é para nós um compromisso porque o consideramos fundamental para a qualidade de vida dos reguenses e dos muitos que, nesta região, têm esta unidade como referência.

Se olhássemos para este processo de uma forma simplista e como uma mera promessa, certamente já estaríamos em obra e teríamos aceitado aquela que foi a primeira proposta da Administração Regional de Saúde (ARS) e do Centro Hospitalar”.

A primeira proposta, a que o autarca se refere, previa apenas a abertura de uma unidade de convalescença, situação que a autarquia rejeita pois, no seu entender, poderia hipotecar um futuro projeto mais abrangente.

“A proposta que nos foi apresentada, e que rejeitamos logo, era ter ali uma unidade de convalescença tutelada pelo Centro Hospitalar. Esta unidade iria ocupar o piso térreo com uma enfermaria e o primeiro piso seria para serviços. Nós entendemos que o hospital não pode ser castrado daquilo que podem ser funcionalidades futuras e, aliás, nem existe nenhum outro exemplo em Portugal em que uma enfermaria de um hospital fique no rés-do-chão, portanto, não podemos estar de acordo com essa solução.

Não sei se isto seria uma migalha ou uma tentativa de eliminar qualquer solução futura que tivesse outra ambição para o hospital e eu, como Presidente de Câmara, tive obviamente que defender os interesses do nosso concelho e da nossa população”.

Em resposta a esta solução, a autarquia reguense apresentou outros projetos, contudo, a ARS levantou a questão financeira, visto dispor de uma verba reduzida para aplicação nesta reabertura.

“Foram propostas outras alternativas que levantaram a questão financeira porque a dotação disponível por parte da ARS, cerca de 300 mil euros, era inferior ao necessário, daí termos subido ao patamar da secretaria de estado para tentar chegar a uma articulação. Neste momento estamos já no patamar ministerial e fizemos já uma abordagem junto da Secretária de Estado da Saúde no passado dia 20 de setembro”.

Dessa reunião, que teve lugar no Ministério da Saúde, em Lisboa, José Manuel Gonçalves trouxe boas prespetivas de que o projeto irá avançar em breve, recorrendo a uma solução inédita em Portugal mas que irá responder à vontade da população e às suas necessidades.

“Neste momento a minha expectativa é que o projeto vai avançar, estamos numa fase negocial já bastante avançada com todos os interlocutores envolvidos no processo, o Ministério da Saúde, o Centro Hospitalar, a ARS Norte e a Santa Casa da Misericórdia, que é a detentora do edifício, a articular o posicionamento de todos com vista a melhorar o nível e a quantidade de serviços que teremos no hospital.

Não quero embandeirar em arco pois ainda nada está totalmente fechado, contudo, penso que estão criadas as condições para que tudo avance como pretendemos. Notamos uma grande abertura da Secretária de Estado que pode ser uma agente facilitadora em todo este processo.

Este hospital terá uma organização funcional que pode ser única no país, com várias áreas distintas e valências diversas, como a unidade de convalescença do Centro Hospitalar e outras que serão discutidas entre a autarquia e a Santa Casa para ocupar o restante espaço disponível no edifício.

Como disse, já podíamos estar em obra neste momento mas castrávamos o futuro do hospital, contudo achamos que era melhor esperar, reivindicar e negociar para chegar ao ponto onde hoje estamos. Queremos agora chegar ao acordo final para começarmos a trabalhar nos projetos e entrar em obra o mais rápido possível”.

Financeiramente, e, como tinha já avançado em campanha, o projeto tem viabilização estando já cerca de dois milhões de euros destinados à sua execução.

“Os dois milhões não são da autarquia, são de fundos aos quais já nos tínhamos candidatado, cerca de 1,6 milhões de euros, mais 300 mil da parte da ARS e poderá ainda entrar a Santa Casa como entidade ativa na comparticipação, ou seja, conseguimos ajustar os valores para que a questão financeira não fosse um handicap”.

A confiança do autarca, reafirma, em muito se deve à postura da Secretária de Estado que mostrou total disponibilidade para trabalhar na melhor solução para o futuro do Hospital D. Luíz I.

“Tenho de reconhecer, uma vez mais, que a forma como fui recebido pela senhora Secretária de Estado, com o respeito que a população que represento merece, e a sua disponibilidade para fazer com que este projeto chegue a bom porto, sendo sensível às necessidades da região, ao contrário do que aconteceu com a situação do Colégio de Poiares que ainda hoje aguardo uma resposta, quer do senhor ministro quer do senhor Primeiro Ministro”.

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