Tabuaço recebe o II Festival Internacional de Folclore a 2 de agosto

Tabuaço realiza o Festival de Folclore a 2 de agosto/ Foto: Direitos Reservados

Tabuaço realiza o Festival de Folclore a 2 de agosto/ Foto: Direitos Reservados

O Município de Tabuaço vai realizar o II Festival Internacional de Folclore – Artes e Danças do Mundo no dia 2 de agosto. O VivaDouro esteve à conversa com Carlos Carvalho, presidente da Câmara Municipal, onde o autarca falou acerca das expetativas para o evento e a aposta da autarquia na dinamização cultural no concelho como forma de fixar a população.

O Festival de Folclore é uma aposta do município em manter viva a cultura na região?

O Folclore é uma das tradições mais importantes do património cultural da nossa região e País. Com a realização deste evento pretendemos contribuir para a preservação desse património bem como divulgar as tradições e a cultura de outros países através da exibição de grupos dos cinco continentes.

Carlos Carvalho, presidente da autarquia/ Foto: Direitos Reservados

Carlos Carvalho, presidente da autarquia/ Foto: Direitos Reservados

Como é que surgiu este Festival de Folclore de Tabuaço?

Este festival surge da colaboração entre o município de Tabuaço e o festival de folclore organizado pelo Grupo Folclórico de Cantas e Cramóis de Pias – Cinfães, FOLK Cinfães. A possibilidade foi-nos avançada no ano transato por um amigo também ligado ao folclore da região, Duarte Morais, e nós rapidamente entendemos que a dimensão e a qualidade do evento seria claramente uma mais-valia para a estratégia cultural e turística que tentamos imprimir no território de Tabuaço. A aposta foi claramente ganha aproveitando nós, desde já, também para destacar a excelência desta organização na pessoa do Fernando Monteiro, diretor do grupo folclórico atrás mencionado.

Qual é o principal objetivo deste encontro?

Em primeira instância levar a cabo um espetáculo que permita a promoção e preservação do nosso património cultural. Consequentemente, através da apresentação de folclores e culturas das mais variadas partes do mundo, permitir à nossa população e a quem nos visita tomar contacto com  realidade completamente distintas daquelas que nos fomos habituando a admirar ao longo dos anos. Temos também como objetivo organizar um espetáculo que, para além de valorizar culturalmente as nossas gentes e a nossa cultura, atraia a atenção de inúmeros visitantes que esperamos receber. Existe ainda um motivo adicional que é o facto de nesta época do ano a maior parte dos nossos emigrantes se encontrarem de férias em Portugal. Nós sabemos a saudade que eles sentem do nosso folclore e conseguirmos levar a cabo este evento, nesta altura, funciona também como um encontro\convívio para eles.

É a segunda vez que se realiza o Festival de Folclore de Tabuaço, como é que correu a edição do ano passado?

De um forma fantástica. Uma enorme adesão de público, espetáculos completamente imperdíveis de todos os grupos que participaram, a  excelência da organização e a certeza de que todos os que aqui se deslocaram saíram com uma enorme satisfação pelo que viram.

Quais são as expetativas para este ano?

As expetativas são grandes até porque percebemos que a I Edição criou, em quem assistiu, a vontade em que o Encontro tivesse continuidade. Portanto este ano esperamos que tudo o que de bom aconteceu em 2015 se mantenha, tentando da nossa parte afinar uma ou outra situação que correram menos bem principalmente tentar começar o espetáculo ligeiramente mais cedo. Temos a clara noção de que se levássemos a cabo a sua realização no final de semana teríamos ainda mais público, quer de Tabuaço quer turistas, mas o facto de nesta fase do ano se realizarem inúmeras festas populares em todas as nossas aldeias leva a que não organizemos nada nesses dias no sentido de evitar a sobreposição de eventos e a consequente perda de público dessa festas o que seria uma enorme injustiça para quem trabalha um ano inteiro na sua organização.

Quantos grupos têm a participar na edição de 2016?

Para além do rancho de Chavães e da Granja do Tedo teremos a presença de mais 8 grupos provenientes da Argentina, Equador, Cazaquistão, Panamá, Sérvia, Turquia, Nova Zelândia e Colômbia.

Esperam uma grande afluência de público para o evento deste ano? Contabilizaram quantos visitantes tiveram no ano passado?

Como é lógico e no seguimento do sucesso que se verificou no ano passado esperamos uma grande afluência de público. Para nós e atendendo a que o Encontro se realiza no centro de Tabuaço e não é cobrado qualquer bilhete torna-se difícil conseguir contabilizar o número total de visitantes. Mas conseguimos ter a perceção de que no ano passado, e apesar do festival se realizar num dia de semana, tal como este ano, tivemos um das maiores afluências do ano equivalente a um dos melhores dias de São João, que é o ponto alto de todas as festividades que se realizam em Tabuaço.

Foto: Direitos Reservados

Foto: Direitos Reservados

A dinamização da cultura no concelho é uma das apostas do executivo?

Somos da opinião que as nossas gentes merecem tanto ou mais ter acesso a eventos culturais, a peças de teatro, a concertos, a festividades, que as populações dos grandes centros urbanos. Durante muitos anos viveu-se uma ideia, completamente absurda, de que a cultura e tudo aquilo que à sua volta gravita não tinha lugar nos territórios rurais e de baixa densidade populacional. Esse paradigma está a mudar e vemos claramente hoje uma vontade, por parte das nossas populações, de momentos culturais. E já hoje se verifica que a nossa oferta está ao nível do melhor que se vai fazendo pelo resto do País. Quer pelos nossos grupos locais quer por quem vem atuar junto de nós. Como é lógico o equilíbrio entre este investimento e o investimento físico tem que existir mas convenhamos que as décadas em que o investimento físico, a obra propriamente dita, reinou não permitiu criar as condições para que as pessoas se fixassem nos nossos territórios. Esperamos nós que ao acentuar a tónica no melhoramento constante daquilo que é a qualidade de vida de quem aqui vive, e a cultura está de pedra e cal neste enquadramento, possamos contrariar este fluxo negativo que nos coloca perante um desafio enorme que é a perda de população diária. Nesse sentido é claramente uma aposta. Ainda para mais quando vivemos um tempo em que, para além da aposta no sector primário e na sustentabilidade económica dos sectores existentes no nosso território, o Turismo assume cada vez mais um papel preponderante na economia da região. Para além dos produtos turísticos que naturalmente já existem temos que complementar essa mesma oferta com a dinamização de outras áreas complementares entre as quais  a cultura. É pois uma aposta fulcral apresentarmos uma agenda cultural que permita que quem nos visita alargue o seu leque de opções do que à partida já sabe que o espera no Douro e que permita também uma maior permanência nas nossas terras. Parece-nos uma realidade o facto de podermos constatar que a cultura está bem viva nos nossos territórios e esperamos que esta dinâmica resulte em que Tabuaço e a Região seja um território cada vez mais atrativo não só no sentido de alcançarmos mais turistas mas também com o desiderato de tornar, todos os dias um pouco melhor, a existência de quem insiste em permanecer no nosso Portugal Rural.

 

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