Leandro Macedo é candidato à Casa do Douro

Natural de Tabuaço, Leandro Macedo tem 40 anos e é o terceiro candidato a apresentar-se oficialmente às próximas eleições da Casa do Douro, que não têm ainda data marcada. Em exclusivo ao VivaDouro o viticultor fala dos motivos que o levam a candidatar-se, bem como algumas medidas pelas quais lutará, tendo já sido discutidas e aprovadas do Conselho Interprofissional.

Questionado sobre o que o motiva a apresentar esta candidatura, Leandro Macedo não hesita em afirmar que a motivação vem do trabalho desenvolvido pela Federação Renovação Douro – Casa do Douro, que integra, considerando-a previsível.

“O que motiva a liderar uma equipa, que está ainda em construção, e que se quer vencedora, é a possibilidade de dar continuidade ao trabalho que temos vindo a desenvolver nos últimos anos. A nossa candidatura é, antes de mais, previsível, porque somos reconhecidos como um projeto com bases sólidas na região e que, por força da razão, tinha que ser levado a sufrágio, tem que fazer parte da solução da região.

Eu sou, humildemente, uma peça dessa solução e predispus-me a encabeçar esta lista, contando com o apoio de toda a equipa e com o contributo quer técnico, quer científico que aportamos.

Estamos em contacto e em diálogo com pessoas com reconhecidos méritos na região, que podem ser uma mais-valia ao integrar o Conselho Geral e a direção da Casa do Douro para que efetivamente esta instituição seja vista como uma entidade que está na região, para a região, conseguindo congregar todas as vontades da produção no sentido de ver melhorados os seus rendimentos, a rentabilidade das explorações agrícolas dos viticultores e a orientação para o nosso lugar na cadeia de valor do setor, não em contraponto ao comércio mas como complemento  porque o negócio é um todo.

Queremos ser um elo forte, com lealdade, com suporte técnico e científico nas medidas que levarmos a cabo e imune a pressões e interesses pessoais ou corporativos pontuais. Seremos sempre uma candidatura que quer que o Douro tenha futuro e que a Casa  do Douro seja uma instituição com quem os viticultores contem na defesa dos seus interesses.

Levamos ao Interprofissional um trabalho cuidado e cientificamente sustentado, de um grupo coeso que não é permeável a interesses ou pressões de grupo, advém de um trabalho de todos quantos quiseram colaborar com a Casa do Douro e quiseram fazer parte dos grupos de trabalho que fomos criando ao longo destes anos”.

No trabalho que o agora candidato se sustenta estão já contabilizadas as cinco medidas que a Federação Renovação Douro – Casa do Douro levou a discussão no Conselho Interprofissional (CI) e que foram aprovadas por larga maioria.

“As cinco medidas que apresentamos e foram aprovadas no CI são fruto de um trabalho que não pode ser desperdiçado, com propostas consensuais, e que vão ajudar em muito a ultrapassagem desta crise. Com estas medidas, conseguimos mitigar várias situações: primeiro, a quebra de rendimento por via da quebra do “benefício”, ter uma quantidade de “benefício” semelhante a 2019 será uma vitória; em segundo a destilação de crise que pode também permitir que a pressão do não escoamento da vindima passada, em conjugação com o aproximar da vindima, faça com que os excedentes incidam em baixa sobre o preço das uvas e do vinho, portanto esta medida é também muito importante. A terceira questão é a alteração da promoção que a região tem que fazer para a venda dos seus vinhos, o paradigma de consumo, esperemos que momentaneamente, alterou-se radicalmente, o canal HORECA esteve parado, pode ser que haja alguma retoma mas vemos com muita dificuldade que este ano retome valores normais e até mesmo o próximo ano porque é um canal que não depende só do mercado interno mas também do turismo. Outra medida, que pensamos que seria um bom sinal do Governo, era a passagem da taxa média de IVA para a taxa reduzida de 6% durante este período, ajudando a que os nossos produtos sejam mais competitivos a nível de preço podendo ser escoados mais facilmente.

A quinta e última medida, que pode servir de suporte a todas as anteriores, é a questão dos cerca de 10 milhões de euros do IVDP. Se por um lado na região já temos instituições com responsabilidade públicas , prontas e dispostas a ajudar, nomeadamente a CIM-Douro que ainda há pouco dias aprovou um pacote de ajudas à região no valor de 20 milhões de euros, 3 dos quais para apoio à viticultura, por outro lado, e quero sublinhar isto com muita veemência, é esta questão dos 10 milhões de euros que estão no Tesouro Nacional, e que são transferências dos sucessivos resultados de gerência do IVDP. Este instituto depende das taxas da produção e do comércio, não vai buscar, tanto quanto sei, 1 cêntimo ao Orçamento de Estado, portanto, se tem saldos de gerência positivos quer dizer que os serviços que prestou não tiveram uma contraprestação no seu serviço e se assim é então passa a ser um imposto, ou esse dinheiro está ao serviço da região ou então essas taxas são um imposto e nós não acreditamos que a região só por ter o IVDP, público, seja discriminada face às restantes regiões vitivinícolas. Esses 10 milhões são da região e mais do que nunca, nesta situação, têm que estar ao dispor da região para que os possamos somar a outros apoios que o Governo já apresentou ara a destilação e para a ajuda ao armazenamento. É dinheiro essencial à região, para podermos operacionalizar estas medidas que cremos que são consensuais e que acredito que ajudarão a mitigar os efeitos desta crise.

Sabemos que esta crise não está a afetar todos por igual, os viticultores estão assustados com a quebra de rendimento que pode surgir da quebra do “benefício” e da desvalorização das uvas para os vinhos tranquilos, esta é uma realidade. A segunda é a das grandes casas exportadoras que têm outra possibilidade de intervir nos mercados onde atuam, tendo mesmo conseguido colocar algumas vendas antecipadas que vieram enviesar os números, temos ainda as cooperativas e grande maioria dos produtores-engarrafadores que são afetados pela quase completa inexistência do canal HORECA que é onde colocam os seus produtos”.

Um comentário em “Leandro Macedo é candidato à Casa do Douro
  1. Muito bem. Apresentação sóbria, sem demagogia e com conhecimento das realidades da Região, do mercado e das Instituições.

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