Câmara de Vila Real denuncia perda do único cirurgião vascular no hospital

O presidente da Câmara de Vila Real alertou para a “realidade preocupante” do centro hospitalar local que perdeu o único cirurgião vascular e onde uma avaria no único acelerador linear parou os tratamentos de radioterapia.

“Hoje estamos mais pobres porque a cirurgia vascular foi suspensa com números que são claramente preocupantes: mais de 325 cirurgias em lista de espera e 829 consultas e ficamos sem capacidade de resposta nesta área”, afirmou Rui Santos aos jornalistas.

O autarca socialista referiu que este serviço foi suspenso no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD), que abrange os hospitais de Vila Real, Chaves e Lamego, uma situação já confirmada à agência Lusa por fonte hospitalar.

Rui Santos afirmou que o cirurgião foi contratado por uma unidade de saúde de Guimarães, uma contratação autorizada pelo ministro da Saúde mas que deixou o autarca de Vila Real “perplexo” e “preocupado”.

O presidente alertou ainda para a avaria no acelerador linear, o que fez parar os tratamentos de radioterapia no centro oncológico.

“Está avariado e não há um segundo e este é um investimento que há muito tempo reclamamos”, salientou.

A fonte do CHTMAD confirmou também esta avaria, prevendo que o acelerador linear esteja de novo operacional a partir de quarta ou quinta-feira.

Segundo o autarca, das 37 vagas abertas pelo ministério para este centro hospitalar, apenas foram preenchidas nove, sendo que, destes médicos, quatro já prestavam aqui serviço. Outros “três ou quatro médicos” saíram entretanto do CHTMAD.

“O saldo é claramente insuficiente para aquilo que são as necessidades do CHTMAD”, frisou.

O presidente lembrou ainda a falta de médicos anestesistas em Vila Real e considerou “inaceitável” que o ministro da Saúde permita a abertura de vagas para esta especialidade em Trás-os-Montes e ao mesmo tempo no Porto.

“Se isso acontece obviamente que esses anestesistas vão para o Porto”, afirmou.

Rui Santos alertou ainda para a “situação financeira de risco” desta unidade de saúde e lembrou que o passivo rondou os 11 milhões de euros por ano, nos últimos quatro anos.

“Estamos cansados de paliativos, não há investimento. Todas estas circunstâncias nos preocupam. Claramente temos que dar um murro na mesa e dizer a este Governo, como já dissemos ao Governo anterior, que chega de conversa fiada, de promessas, está na altura de resolver os problemas e não de os agravar”, sublinhou.

Por tudo isto, o executivo municipal aprovou, com a abstenção dos vereadores do PSD, uma proposta que inclui um pedido de audiência urgente ao ministro Adalberto Campos Fernandes, uma campanha de alerta à população e ainda a realização de uma vigília.

Estas medidas já foram aprovadas no ano passado, mas não foram concretizadas devido à proximidade com as eleições legislativas e às acusações de “partidarite”.

No entanto, segundo Rui Santos, um ano depois os problemas no centro hospitalar mantêm-se.

Neste período, o autarca destacou como aspeto positivo a contratação de 56 enfermeiros.

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