Freguesia de Canelas, Peso da Régua, celebra Senhora das Candeias

Diz a lenda que há muitos anos, na data de 1764 o senhor Lourenço Teixeira Pinto de Lacerda, da alta sociedade, foi mordido por um cão raivoso enquanto andava a passear pelas suas quintas.

No inicio não deu muita importância, mas depois, com o tempo, começou a ficar muito doente, não sabendo a razão de tamanha febre. Este fidalgo dias depois ao passar pelo rio corgo viu na água a figura de um cão, e este era o sinal certo de raiva. A raiva era então conhecida como um uma doença viral fatal, em geral transmissível ao homem pela mordedura dum mamífero infetado, a vacina só apareceria no ano de 1885, com Louis Pasteur. Muito aflito e como já nenhum médico lhe dava muito tempo de vida, virou-se para a Fé em Nossa Senhora das Candeias e pediu-lhe que, se lhe concedesse o milagre de o salvar daquela enfermidade, ele fazia uma festa em sua honra até à sua 5a geração, onde daria um pão bento e uma vela a cada família.

Nossa Senhora das Candeias concedeu-lhe essa graça e ele juntamente com a sua família, honraram a sua promessa. Assim que terminou esta honra pela parte da família Lacerda, este ato tornou-se tradição e o povo tomou conta desta, onde todos os anos no dia 02 de fevereiro se realiza esta festa em honra de Nossa Senhora Das Candeias.

A data celebra-se a 2 de fevereiro no dia da Apresentação do Senhor ao Templo, quarenta dias após o seu nascimento. Este foi também o dia de purificação de Nossa Senhora. Segundo a lei de Moisés, após darem à luz, as mulheres ficavam impuras, devendo visitar o templo de Jerusalém somente quarenta dias após o parto. Nesse dia se deviam apresentar perante o sacerdote e realizar um sacrifício para se purificarem.

Foi com base na apresentação do Menino Jesus pela Virgem Maria e por São José, diante do profeta Simeão, que nasceu a celebração do Dia de Nossa Senhora das Candeias. Jesus seria a luz que iluminaria o mundo.

Nesta aldeia a festa tem características muito próprias. Atualmente a mordoma é uma menina escolhida com a idade compreendida sensivelmente entre os 4 e 12 anos, e durante o ano a sua família sai pela aldeia a pedir ajuda a cada casa, para que contribuam com o que quiserem, seja em dinheiro ou azeite, que, depois de vendido, reverte para a festa, nestas visitas é entregue a cada família uma imagem de Nossa Senhora das Candeias.

Na véspera do dia 2, logo pela manhã, há a bênção dos cestos de pão que têm formas de pássaros e pinhas, os quais, depois de benzidos são entregues às famílias da aldeia e das aldeias vizinhas, casa a casa.

No próprio dia da festa, uma banda de música percorre a preceito toda a Freguesia, e de seguida vai buscar a mordoma e acompanha-a à igreja de Nossa Senhora das Candeias, numa alegria contagiante.

Durante a missa é realizada uma procissão das velas, estas são benzidas para depois serem entregues em cada casa.

No final da eucaristia é nomeada com todo o secretismo e suspense até ao momento, a mordoma para o ano seguinte, sendo assim, todos os anos desde meados do seculo XIX.

Uma crença popular está relacionada com o estado do tempo: “se a Nossa Senhora das Candeias estiver a rir, está o Inverno para vir, se estiver a chorar, está o Inverno a passar”. Ou seja, se o tempo estiver de sol no Dia da Senhora das Candeias, o inverno está a chegar, mas se chover nesse dia, o inverno está a acabar.

De tarde, a banda toca animada no largo principal da Freguesia e toda gente dança de forma afincada as músicas “ribaldeiras” próprias para dar um pé de dança, onde também os músicos, apesar do frio, tocam avidamente levando a um ambiente de festa genuíno. Todos os pares concorrem ao Peixe de bacalhau, bastante abonado e ao garrafão do precioso néctar do Douro, recompensa outrora atribuída pelos senhores abastados, agora substituídos pela Junta de Freguesia.

O pão entregue, quando comido, deve rezar-se uma Ave Maria à Virgem da Senhora das Candeias, também chamada Senhora da Luz, para que esta nos ilumine e nos guie durante mais um ano, muitas famílias também dão o pão aos animais para que sejam também eles abençoados.

A vela é especialmente utilizada quando ocorrem fortes trovoadas, as pessoas da aldeia costumam acende-las nas janelas das suas casas em busca de bonança e protecção.

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