Aprender a fotografar obras de arte

Na última segunda-feira de todos os meses, a sala do wine bar do Museu do Douro enche-se para ouvir José Pessoa a falar sobre fotografia documental. O curso, que começou em janeiro de 2019 e termina no final do ano, chama-se “Documentação Fotográfica, Museus/Arquivos/Bibliotecas/Arqueologia”.

As 75 vagas disponibilizadas, foram rapidamente preenchidas e os formandos chegam de vários pontos e instituições do país. “É um curso que procura suprir uma ausência que existe de formação específica, numa disciplina fundamental para a área museológica, arqueológica, de bibliotecas e de arquivos”, refere José Pessoa, técnico de fotografia e radiografia para a conservação de obras de arte e historiador de arte.

Com uma vasta experiência nesta área, a nível nacional e internacional, José Pessoa  desenvolveu a sua carreira no laboratório fotográfico do Instituto José de Figueiredo e do Instituto Português de Museus, integrando atualmente a equipa do Museu do Douro em regime de voluntariado.

Para este curso, ao Museu do Douro chegam técnicos de museus, arquivos e bibliotecas, historiadores, arqueólogos, investigadores e estudiosos. Os formandos colocam muitas questões a que José Pessoa dá resposta ao longo das sessões: “Por exemplo, perguntam quais são as questões fundamentais para a fotografia de cerâmica. Como se identificam espécies fotográficas do séc. XIX? Qual é a melhor forma de acondicionar fotografias? As fotografias de pintura têm que ser sempre com um determinado tipo de luz? Quais os limites de iluminação para as peças em termos de conservação?”.

A formação específica para esta área da fotografia é escassa, mas fotografar tem especial importância na área da museologia, arqueologia, arquivos e bibliotecas, e por vários motivos. José Pessoa enumera alguns: “É fundamental. Quer pela conservação preventiva que exige mostrar o estado em que as peças estão e a sua evolução ao longo dos tempos; quer pelo inventário em geral que permite dar acesso a todos os investigadores de um método comparativo pelo qual tanta coisa se tem identificado e encontrado; quer pelo lado da segurança a nível da posse; quer como análise do estado material da peça, tudo isto é uma faixa de importância enorme …”.

José Pessoa, técnico no Museu do Douro, entusiasta do perfeccionismo, salienta que a fotografia como atividade documental necessita de extremo rigor, obedecendo a regras muito claras: “Já fiz contas e antes de tirar uma fotografia na área museológica, arqueológica, de biblioteca ou de arquivo, há que tomar qualquer coisa como 52 decisões. Carregar num botão é uma consequência de todo um processo…E tudo começa com o pegar a peça, coloca-la num sítio neutro, iluminá-la e olhar para ela”. Um exercício, também, de criatividade: “A fotografia de obras de arte é uma atividade extremamente criativa. Primeiro, porque o fotógrafo tem que se identificar com a peça, não é a mesma coisa fotografar uma escultura romana ou fotografar uma escultura gótica, por exemplo. Tem que haver a compreensão da peça, em que época foi feita, quem fotografa tem que ter uma formação séria de história da arte – e de história em geral – para associar a peça a uma determinada conjuntura, tem que ter a capacidade de ir aprendendo e de tentar recolher toda a memória visual que seja possível”.

Depois de um interregno para as férias de verão, dia 30 de setembro o curso de Documentação Fotográfica volta ao Museu do Douro.

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