Cineasta vila-realense no Plano Nacional de Cinema

O filme documental “… além da sala de espera”, da autoria de José Paulo Santos, que conta a vida de um casal eremita alemão a viver em Trás-os-Montes, passará a integrar, a partir deste ano letivo, o Plano Nacional de Cinema.

O documentário, filmado em 2013, que já foi selecionado para 16 festivais internacionais de cinema e arrecadou dois prémios (Menção Honrosa na categoria de Vida Humana no ART & TUR – International Tourism Film Festival no Porto, pela realização e produção e o Certificado de Excelência no 4th Delhi International Film Festival na Índia, pela realização e produção), entra assim para uma seleção restrita decidida pela Direção-Geral da Educação (DGE) que, em conjunto com o Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA) e a Cinemateca Portuguesa-Museu do Cinema, classificaram o filme como fundamental para “promover a divulgação do património cinematográfico nacional e mundial aos alunos”, contribuindo, deste modo, “para a formação alargada de público e para o aumento do gosto pelo cinema junto das crianças e dos jovens portugueses”.

A história deste filme é simples e mostra a vida de um casal alemão que deixou o reboliço da cidade para se estabelecer na aldeia de Torgueda, Vila Real, há cerca de 30 anos, vivendo apenas com aquilo que a natureza lhes proporciona.

Feliz e Maria Feliz, nome português que o casal adotou, trabalham manualmente tudo aquilo que precisam para a sua vida, seja para cozinhar ou para tratar das lides domésticas, por exemplo, Maria trata as roupas com óleos e perfumes feitos por si.

Antes de chegarem a Vila Real o casal viveu no Minho, em Vilar de Mouros onde Maria aprofundou o seu conhecimento, bem como o seu interesse pela medicina tradicional, tendo, em 1993, se tornado uma das palestrantes mais assíduas do conhecido Congresso de Medicina Popular de Vilar de Perdizes, em Montalegre.

Em declarações ao nosso jornal, José Paulo Santos mostrou-se muito satisfeito com a notícia que lhe chegou via email.

“Fiquei muito contente e motivado para continuar a contar histórias através dos meus filmes e quando li que o meu nome estava entre o do João Canijo e o da Maria de Medeiros a minha reacção foi que eles se deviam estar a questionar quem era o José Paulo Santos”, afirma com um sorriso no rosto.

José Paulo Santos conheceu o casal Feliz quando trabalhava como realizador para uma estação televisiva em Vila Real, tendo feito uma reportagem sobre o casal. Interessado pela história deste peculiar casal, o realizador achou que uma reportagem não seria suficiente para contar a sua história, tendo decidido aí realizar este documentário.

 “Sempre achei que a história era muito interessante, e uma reportagem não seria suficiente para a relatar na íntegra, por isso pensei em voltar lá um dia para fazer um trabalho mais aprofundado para conseguir este filme documental”, conta, acrescentando que fazia “todo o sentido mostrar às pessoas, uma vez que vivíamos em tempos de crise, que alguém conseguia viver bem sem dinheiro, de uma forma auto-sustentada”.

O realizador considera ainda que o trabalho com este casal também o fez crescer enquanto pessoa, dando-lhe uma perspetiva diferente da vida. “A forma deles viverem é diferente e contagiante. São pessoas com muito conhecimento e que pensam fora da caixa, vendo o mundo com outros olhos”.

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