Documentário sobre a Panreal vence festival de cinema BragaCine

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O documentário “1965 Panreal um edifício de Nadir Afonso”, de José Paulo Santos, foi o vencedor deste ano do Prémio Augusta, de Melhor Documentário do Festival, na 19º edição do Festival Internacional de Cinema Independente de Braga (BragaCine).

Em conversa com o nosso jornal, o realizador explica que o que o motivou a fazer este filme foi a oportunidade de preservar um edifício histórico, ao qual não foi dado o valor patrimonial devido, recordando o papel de Nadir Afonso na arquitetura moderna e os nomes com quem este trabalhou.

“Eu vivo em Vila Real e percebi que algo ia acontecer ao edifício quando, a 11 de abril de 2018, foi arquivado o procedimento de classificação da antiga panificadora de Vila Real, tendo sido publicada pela Direção-Geral do Património Cultural (DGPC), em Diário da República. O anúncio informa ainda que o imóvel ‘deixa de estar em vias de classificação’.

Defendo que ‘somos aquilo que fazemos’ e eu fiz este filme. Um filme que retrata a luta pela defesa de uma obra de arte projetada pelo arquiteto e pintor Nadir Afonso. Tratava-se do último edifício do Nadir Afonso e as pessoas não lhe reconheceram valor porque se tivessem reconhecido o edifício não teria sido demolido.

Um filme ‘faz-se agora ou nunca’ e o que é certo é que este filme que eu fiz já não pode ser feito pelo menos desta forma, uma vez que o edifício já não existe para ser construído um parque de estacionamento para uma superfície comercial.

Recordo que o Nadir Afonso trabalhou com nomes da arquitetura moderna, como Le Corbusier, Óscar Niemeyer, Georges Candilis, Alex Josic, Shadrach Woods e Carlos de Almeida”.

Durante a rodagem do filme, José Paulo Santos teve a “oportunidade de visitar o edifício com a viúva Laura Afonso, e com um casal que celebrou o casamento na panificadora”, mas também acompanhou “manifestações, tertúlias e exposições”.

“Valorizei a memória oral e a arquitetura modernista contribuindo assim para um verdadeiro serviço público através do cinema. Destaco um nome que esteve sempre na linha da frente na defesa do edifício, a Professora Mila Simões de Abreu. Outras pessoas também tiveram um papel importante como as arquitetas Ana Morgado e Sofia Lourenço”, afirma.

Já com o prémio na mão, o cineasta afirma que “é uma motivação extra, tendo em consideração que é um Festival Internacional de Cinema Independente, com destaque no panorama do cinema de autor”.

“Não são os prémios que me fazem criar, mas sim o amor à sétima arte. Esta seleção é já a 42ª para festivais internacionais de cinema no meu percurso enquanto cineasta. Para mim realizar um filme é um momento de libertação que me dá imenso prazer e é quando me sinto verdadeiramente eu”.

Com os olhos postos no futuro, José Paulo Santos está já a terminar a montagem de mais um filme de ficção, o seu terceiro, ao mesmo tempo que está a rodar dois novos projetos, um deles no âmbito do doutoramento que está a fazer em Comunicação, na Universidade de Vigo.

“Neste momento está em processo de montagem o filme “13H”, um filme de ficção rodado na cidade do Porto. Em rodagem está um filme sobre a Livraria Branco que tem mais de 170 anos de história e também um filme sobre o poeta galego Avelino Díaz. Uma produção entre a Galiza e a Argentina no âmbito do meu doutoramento em Comunicação na Universidade de Vigo”.