ESPERANÇA levou a arte às ruas de Sernancelhe

O Município de Sernancelhe organizou, de 23 de julho a 23 de agosto, a 2ª edição da Exposição Coletiva ESPERANÇA, no Centro Histórico e na Avenida das Tílias.

À semelhança do ano passado, e devido à prudência que a Covid-19 continua a exigir, a Câmara manteve em suspenso o SER+Cultura e apostou numa versão mais expositiva, de ar livre e de visitação autónoma, ainda que não tenha descurado a aposta na valorização do património, na cultura, na arte e na criatividade dos escultores do concelho e da região.

O VivaDouro esteve à conversa com o vereador Armando Mateus que nos fez um balanço deste evento.

Qual o balanço final da “Esperança” deste ano?

O “Esperança” voltou a revelar-se um evento com bastante adesão. Este verão recebemos a visita de muitos dos nossos emigrantes, o que fez com que o próprio evento tivesse também muitos visitantes e muitos interessados.

Associado a isso também há uma tendência que vamos verificando que é o facto de o interior ser cada vez mais um destino selecionado para férias pelos próprios portugueses.

Continuamos a ver um crescendo de população que procura esta região e que aproveita para ver todas as ofertas, sejam elas o património edificado ou eventos como é o caso do “Esperança”.

O novo Espaço da Castanha e do Castanheiro foi o ponto alto do evento porque para além de poderem visitar as exposições que aconteceram neste espaço, os visitantes podiam também ver outros conteúdos e provar os produtos à base de castanha, nomeadamente o Pastel de Castanha e a cerveja de castanha que foram um sucesso.

Este evento acontece pelo segundo ano consecutivo, substituindo o Ser+Cultura em tempos de pandemia. Era importante para o município manter uma oferta cultural rica?

Nós já tínhamos tomado a decisão de que este ano o Ser+Cultura, dentro obviamente das obrigações exigidas pela DGS, seria organizado, e estava já definido um plano de contingência com testes para todos aqueles que nele participassem.

Devido à situação pandémica nacional fomos obrigados a recuar e não avançamos com essa organização mas não poderíamos deixar este espaço temporal sem uma manifestação cultural, como tal decidimos organizar novamente o “Esperança”.

Este formato começou como uma alternativa ao Ser+Cultura, contudo, o sucesso conseguido leva-nos a querer organizá-lo novamente nos próximos anos. É um conceito que o público aceita muito bem até porque pode fazer a visitação de forma autónoma, indo um pouco à aventura.

A aposta na cultura, num município do interior, é mais pensada para a sua população ou para a atração de visitantes?

A posição de estarmos reduzidos ao nosso espaço territorial já não existe. A CIM Douro hoje, está mais que demonstrado, é uma região unida, de valor, que trabalha vários projetos de uma forma mais global, pensando sempre como um território e não como uma localidade.

A Terra da Castanha já se assumiu como um espaço territorial, todos os grandes eventos que realiza como a Festa da Castanha ou o Festival das Sopas, são todos pensados para toda uma região e uma área geograficamente alargada.

Só pensando em eventos a uma escala maior é que conseguimos ser mais atrativos e cativar mais público, no entanto, esses eventos devem também ser pensados para estarem em harmonia com outro tipo de oferta que temos na região como o nosso património edificado, por exemplo.

Começando a viagem por esta “Esperança” no Posto Interativo de Turismo, que obras destacaria na edição deste ano?

Eu não quero destacar um escultor ou um fotógrafo ou qualquer outro artista em particular.

Este ano, face também à experiência conseguida no ano passado, tivemos mais tempo para debater com todos os intervenientes, as tendências e trabalhos a serem realizados. Isso fez com que a exposição ganhasse em diversidade.

Continuamos com o tema geral do pós-pandemia, o que existe como esperança para a cultura e para a arte após esta fase, estando agora num momento mais tranquilo.

Uma coisa que gostava de destacar relativamente ao “Esperança” deste ano é a existência de várias exposições não só coletivas na área de espaço, mas onde vários artistas trabalharam a mesma peça. Destaco por exemplo alguns trabalhos de escultura que depois foram grafitados para ganhar um colorido diferente, bem como alguma profundidade.

Foi uma exposição mais interativa entre os próprios artistas, resultando em mais diversidade e mais cor, com uma mensagem mais forte a ser transmitida ao público.

Encerrado este certame e com a situação da pandemia a melhorar, Sernancelhe prepara já outros eventos até ao final deste ano?

Sernancelhe prepara-se para realizar o seu grande evento que é a Festa da Castanha, no final de outubro.

Vamos entrar numa fase de eleições e este é uma daqueles projetos que está pensado e será executado seja pelo atual executivo ou por qualquer outro.

Obviamente que a linha de horizonte este ano é a Festa da Castanha e é a ela que nos iremos dedicar, avaliando as novas indicações das entidades de saúde.

Será ainda um evento com algumas limitações mas que já irá permitir a visitação do público que é comum vir a este certame.

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