Feira Medieval celebra espírito guerreiro do Magriço

A vila de Penedono volta a incorporar o espírito medieval durante os dias 5 e 7 de julho para mais uma edição da Feira Medieval. Aos pés do castelo que fica bem no alto da vila são esperados milhares de visitantes para um certame que este ano tem por mote “O Magriço Guerreiro”.

Mais uma edição da Medieval de Penedono, quais são as expectativas para este ano?

Com moderação e humildade procuramos sempre colocar as nossas expetativas no patamar em que decorreu a edição anterior. Tem sido sempre assim, até porque a nossa Feira Medieval tem vindo a fazer uma caminhada séria, reconhecendo a grande mais valia para o Concelho com esta realização.

Vamos continuar a procurar reproduzir um ambiente que, na realidade, a Beira, em geral, e Penedono em particular, conheceram nos séculos finais da Idade Média. Procuraremos igualmente, transportar o visitante e todos aqueles que assistem à Feira Medieval de Penedono, a um tempo em que a luta armada, as justas, os combates eram demasiado familiares às populações; fazer-lhes perceber o que o Concelho há muito pretende oferecer e oferece: o lugar por excelência onde se vive e sustenta o imaginário da Idade Média, seja com as máquinas de guerra que se expõem na vila, seja com os instrumentos de tortura, seja ainda com o imponente cenário que os primeiros homens da terra construíam e nos legaram: o castelo.

O castelo que olha a terra bem de cima e convoca a todos para si, para a celebração diária daquilo sem o qual todos se sentiriam ‘perdidos’; o castelo, enfim, que fez realçar o poder e o prestígio da família que os de Penedono se orgulham de ter como referência histórica e cultural.

Este ano o tema é “O Magriço Guerreiro”, pode-nos explicar esta escolha?

O Magriço mostrava naturalmente os seus dotes de guerreiro que o haviam celebrizado na Europa medieval, correndo as terras, acorrendo onde os seus apaniguados e servos dele precisavam, defendendo bens e haveres de gentes rudes mas fiéis às suas origens, lugares e famílias. É num desses contextos, fictício mas verosímil, que situamos a acção que domina esta recreação.

É no contexto das rivalidades com a nobreza vizinha, depois de assuadas, roubos de gado, malfeitorias sobre as mulheres e os camponeses das terras de Penedono, que colocamos o Coutinho guerreiro.

O nobre que arma a sua hoste, que faz represálias nas terras de Trancoso e que volta triunfante à sua terra, à segurança do seu castelo. Mas o homem experimentado na arte de combater. O homem que não tem receio em entrar terra inimiga adentro, à frente dos seus guerreiros, contra forças superiores, que não receia o duelo para lavar a honra do seu nome e do nome da sua terra. Mas o homem cauteloso. O guerreiro prevenido. Que conhece a natureza dos seus rivais, que espera o combate dentro das portas e dos muros da sua terra, que coloca vigias e “roldas” nas muralhas do seu castelo. Que tem de organizar a defesa do seu alcácer, da sua fortaleza, que luta em todos os recantos da muralha, que vence os inimigos depois de grande cerco e privações, mantendo inexpugnável o velho castelo cuja defesa lhe foi confiada pelos seus antepassados, e que, no final, convida todos os seus servos e amigos para a festa. Para a festa que encerra este ‘episódio’ da história gloriosa desta família.

Que novidade irá ter este ano a Feira Medieval de Penedono?

Propriamente dita, a Feira Medieval terá, este ano, a estrutura dos anteriores. Assim, com a abertura prevista para o fim da tarde de sexta-feira, dia 5, realço neste dia o “Cortejo de Exortação e Aclamação dos Doze de Inglaterra, com a Bênção e Investidura da Ilustre Fidalguia da Cavalaria de Portugal e a Exortação e Aclamação de D. Álvaro Gonçalves Coutinho, O Magriço.

No segundo dia, destaco o Cortejo ao longo da feira, a atividade na Liça com os Torneios a Cavalo, o Banquete Medieval, o Assalto ao Castelo, este ano precedido com um momento de videomaping projetado no Castelo, sob o título “O Despertar da História” e a finalizar a noite, o já habitual espetáculo Piromusical.

No último dia entre umas diversidades de momentos, assistiremos, durante a tarde, ao Cortejo de Homenagem ao Magriço.

A promoção deste evento começou em março durante a BTL. Foi importante apresentar a Feira Medieval de Penedono num evento que atrai milhares de visitantes?

É sempre importante, diria mesmo, muito importante a divulgação pública deste nosso evento na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL). Fazemo-lo já há alguns anos a esta parte, na certeza de que procedendo desta forma o estamos a fazer para o País e para o Mundo, tal é a abrangência do certame.

Continuo a acreditar que a mensagem fica retida em muitos visitantes da BTL, face às característica e enquadramento da nossa iniciativa, a par de sentir que já é algo que é procurado ao longo daqueles cinco dias de mostra internacional.

No ano passado foi notória a presença de diversos visitantes estrangeiros, é um público que a autarquia tenta cativar para este evento?

Claro que sim e cada vez mais, ano após ano, se constata a presença de visitantes estrangeiros. Espanha e França com maior incidência… mas também a Itália e o Brasil marcam a sua presença.

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