Festival Literário leva cultura ao coração do Douro

Entre os dias 3 e 5 de maio a vila de Sabrosa organizou a terceira edição do FLiD (Festival Literário Douro), no Espaço Miguel Torga em S. Martinho de Anta, onde juntou 28 escritores nacionais e estrangeiros.

Domingos Carvas, Presidente C. M. Sabrosa

Na casa que homenageia o “maior poeta português”, segundo as palavras de Domingos Carvas, Presidente da Câmara de Sabrosa, o arranque do festival ficou ainda marcado pela inauguração da exposição “Máçcaras Stramuntanas: Lhuç i Palo”, de Carlos Ferreira e Manuol Bandarra.

Já no auditório do Espaço Miguel Torga, o autarca, tomou a palavra para dar as boas vindas a todos os escritores e convidados, bem como a todos os visitantes, desejando que o FLiD continue a ter o mesmo sucesso, destacando o importante papel deste evento na promoção da literatura e da região, afirmando que não se deve olhar para a cultura como uma despesa mas sim como um investimento.

“Para nós o objetivo não é só dignificar a literatura mas também o poeta que esta casa representa e como ele dizia, ‘o universal é o local sem fronteiras’, porque daqui para o mundo, de porta aberta, queremos ser muito mais que apenas o Douro Vinhateiro”, afirmou Domingos Carvas que continuou, “apostar nisto é caro? Se a cultura é cara, o que dizer da ignorância?”

Ao VivaDouro, o autarca sabrosense falou ainda do futuro do festival para afirmar que a intenção da autarquia é que “este festival se afirme de ano para ano mas sempre com a mesma intenção, combater a falta de leitura, e o desinteresse pela literatura e pela cultura em geral. A tendência é aumentar, não a quantidade mas a qualidade dos convidados, não quer dizer que aqueles que por aqui já passaram sejam piores ou melhores do que os que estão este ano mas de ano para ano tentamos ir buscar nomes com mais notoriedade”.

Já o diretor do Espaço Miguel Torga, João Luís Sequeira, afirma tratar-se do “único festival literário do Douro e é um marco da programação deste Espaço que permite um contacto direto do público com alguns dos mais importantes nomes da literatura de expressão portuguesa”.

O Festival Literário Douro, com um caráter internacional, assume-se assim “como o maior e mais importante festival literário da região”.

Entre o público que acedeu ao Espaço Miguel Torga para assistir ao FLiD foi possível encontrar diversos escritores da região, entre eles António Pires Cabral que, em declarações ao VivaDouro, fez questão de parabenizar a autarquia sabrosense pela iniciativa “É sempre bom que se realizem festivais desta natureza porque no fundo é levar a literatura até às pessoas. É também uma oportunidade de estar em contacto com nomes sonantes da literatura, nacional e internacional, por isso devemos dar os parabéns à autarquia pela organização”.

Para o escritor este tipo de iniciativas são também muito importantes para a divulgação da escrita e da cultura em geral, em especial numa região onde esta é ainda uma preocupação marginal.

“Hoje em dia há um certo desinteresse generalizado pela literatura e é necessário este tipo de injeções. A existência deste tipo de eventos provoca alguma curiosidade e numa ou outra pessoa que venha visitar o evento, fruto dessa curiosidade, pode despertar o interesse pela leitura e isso já é positivo”.

Também numa perspetiva de partilha de experiências, António Pires Cabral destaca a possibilidade que o festival dá de estar próximo de outros escritores partilhando experiências que levam ao crescimento pessoal.

“O contacto entre as pessoas trás sempre mais conhecimento e isso só pode ser positivo, para os que cá estão mas também para aqueles que nos visitam. Este contacto é sempre muito bom, podemos partilhar ideias, é sempre enriquecedor”.

Crítico da ideia de lusofonia, o autor transmontano considera importante o encontro entre escritores de língua portuguesa.

“Eu não sou um crente na lusofonia, a língua é semelhante mas não é a mesma. Contudo é importante que as diferentes variantes do português estejam em contacto umas com as outras, ajuda a enriquecer”.

Manuel Sobrinho Simões, Médico e Investigador

Entre escritores e outras figuras da sociedade civil, passaram por Sabrosa nomes como Carlos Nejar (Brasil), Luís Carlos Patraquim (Moçambique), Tony Tcheca (Guiné) e Juan Vicente Piqueras (Espanha), só a nível internacional. Entre os portugueses participaram nesta terceira edição do FLiD: Afonso Cruz, Alfredo Cameirão, Alice Brito, Álvaro Laborinho Lúcio, António Ferreira, Carlos Ademar, Cristina Carvalho e Cristina Almeida Serôdio, Fernando Pinto do Amaral, Filipa Leal, João Morales, João Rios, Luís Caetano, Manuel Sobrinho Simões, Miguel Real, Nuno Júdice, Fernando António Almeida, Isaque Ferreira, João Tordo, Cláudia Clemente, Dina Fernanda Ferreira de Sousa, Manuel Alberto Valente, João Paulo Sousa e Teolinda Gersão.

A evidenciar a transversalidade cultural do evento, a sessão de abertura foi marcada por uma conferência dedicada ao tema “Saúde e Doença: o Paradoxo Português”, pelo Professor Manuel Sobrinho Simões, enquanto o encerramento foi assinalado com um concerto do grupo Galandum Galundaina.

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