O lado B do Museu do Douro

Na busca pelo fazer diferente e por um espaço renovado, o Museu do Douro iniciou, neste mês de dezembro, um novo roteiro de visita que engloba uma passagem por áreas que até agora estavam vedadas ao público, uma espécie de lado B do Museu.

“As pessoas que nos visitam não sabem que temos um arquivo, uma ala de expurgo, uma conservação e restauro, uma área de investigação, que é quase um laboratório onde as coisas são olhadas e tratadas de uma forma diferente e à lupa, ao pormenor. Por isso, este corredor permite interagir com as pessoas que trabalham no museu, nessas áreas, e permite divulgar esta parte do museu que não era conhecida”, a afirmação é de Fernando Seara, diretor do museu, durante uma visita com a comunicação social.

Para o diretor do museu, a importância desta mudança é ainda maior porque é também um reconhecimento ao trabalho desenvolvido por quem ali está e que quase nunca é valorizado quando vemos as peças em exposição.

A mudança, para quem conhece o espaço, começa logo pela entrada, uma arrumação do espaço permite a colocação das exposições itinerantes logo ali, passando o visitante, em seguida, para a visita à exposição permanente “Douro: Matéria e Espírito”.

Terminada essa visita, os visitantes são desafiados a irem aos bastidores, passando pela sala de expurgo, onde se faz a higienização dos documentos, pela sala de quarentena onde se realiza a desinfestação de objetos e documentos, pela sala de conservação e pela oficina de restauro, onde podem encontrar livros, pinturas, esculturas, talha, mobiliário, objetos de metal ou etnográficos.

 “É possível ver os vários níveis de intervenção que nós fazemos nos objetos antes de eles serem expostos e, mesmo os que são expostos, muitas vezes vêm cá para ações de conservação preventiva e limpezas. É uma nova experiência para o visitante”, explicou o conservador da unidade museológica, Carlos Mota.

Neste espaço já foram recuperados objetos como o sacrário de Caldas de Moledo, o tear de Carrazeda de Ansiães ou o instrumento rabeca chuleira de Freixo de Espada à Cinta.

Para a ministra da cultura, Graça Fonseca, que esteve presente na inauguração deste novo circuito, esta “é uma iniciativa criativa e importante”, que vai ajudar a atrair visitantes a este museu de território.

Durante a cerimónia de arranque do novo percurso foi também apresentado o projeto “Museu mais acessível” que está em fase de conclusão e quer tornar a instituição “acessível a todos os visitantes”. O objetivo é melhorar as condições de visita de pessoas com necessidades especiais, através de ferramentas como vídeos em língua gestual para surdos, conteúdos em braille para invisuais e áudio guias em português, inglês, francês e espanhol.

“Chegar, ver, conhecer, sentir, cheirar, apalpar, está hoje muito mais disponível para toda a gente que nos visita”, afirmou o diretor Fernando Seara.

A sede do Museu do Douro foi inaugurada há dez anos e, neste ano de 2018, segundo informações do diretor, foi visitada por 47.000 pessoas, um número que tem vindo a crescer ano após ano.

O museu possui ainda quatro núcleos museológicos e impulsionou a criação da Rede de Museus do Douro que abrange 48 espaços públicos e privados.

,