Palácio de Mateus reabre com descontos e novos roteiros de visita

Um dos ex-libris da cultura e história da região, o Palácio de Mateus, não escapou aos efeitos da Covid-19 e esteve de portas encerradas durante cerca de dois meses. Agora é hora de voltar a abrir os portões aos turistas que terão oportunidade de usufruir de descontos especiais e novos roteiros de visita.

O chilrear dos pássaros e os aromas que pairam no ar, emanados das milhares de flores que dão um colorido especial aos jardins, acompanham a cadência dos passos que vamos dando na companhia do arquivista João Neto, que nos guia pelos jardins enquanto falamos deste regresso.

“Estivemos fechados 2 meses seguindo o Plano de Emergência e reabrimos, desde o dia 3 os nossos jardins e agora, no dia 18, Dia dos Monumentos, o nosso museu, segundo as medidas de segurança impostas pelo Governo e pela DGS”.

Apesar do encerramento dos portões ao público, todo o espaço foi mantido “aberto” para aqueles que o quisessem conhecer durante a pandemia. “A atividade cultural que a Fundação foi desenvolvendo neste período foi constante”, afirma o arquivista que diz ainda que “Mateus não é só turismo, é sobretudo cultura e esse é um marco que queremos transmitir, e foi isso que fomos fazendo ao longo deste período nas plataformas online”.

“A realidade é que, tal como aconteceu em todo o país, os últimos anos vinham a ser muito proveitosos em termos de turismo. Evidentemente a marca desta crise fica mas a capacidade que a instituição tem de se reinventar ao longo do tempo é muito importante porque prova que somos capazes de criar algo de novo partindo de uma situação difícil. Este tempo permitiu-nos parar um pouco e refletir, analisando o que temos para oferecer a quem nos visita, criando algo novo.

Fizemos algumas coisas online, em especial algumas exposições e apresentações importantes. Criamos algo interessante com o Teatro Viriato que é a visita telefónica, o consultório turístico, uma ideia que serve não só neste período de Covid-19 mas para dar resposta a todos aqueles que estão permanentemente confinados, por uma ou outra razão, estas “visitas” são gratuitas”.

A ausência de turistas permitiu a criação de novos conceitos e roteiros de visita para o Palácio de Mateus que conta agora, para lá dos conceitos de visita já existentes, com visitas temáticas, pensadas em espacial para aqueles que podem regressar ao espaço diversas vezes, podendo ainda usufruir de outras regalias como um cartão de “cliente”, por exemplo.

“Criamos o cartão do “Amigo da Casa de Mateus” que é um cartão de fidelização para as diversas atividades que vamos desenvolvendo ao longo do ano, permitindo usufruir do espaço a preços mais convidativos e com algumas outras vantagens como acesso ao espaço mais cedo em dias de concertos, por exemplo.

Aproveitando este tempo que estivemos encerrados criamos também três visitas temáticas: as árvores de Mateus, as flores de Mateus e outra dedicada à arquitetura da Casa.

São visitas de 15 minutos em que o visitante é acompanhado por um guia onde lhe é apresentada a história da Casa que foi construída em 1743, sendo que desde essa altura até hoje tem sofrido diversas modificações quer no interior quer no exterior.

Por exemplo, a visita às árvores de Mateus pretende mostrar algumas intervenções do arquiteto Gonçalo Ribeiro Teles, desde logo a construção do magnífico espelho de água que está na fachada principal do Palácio, que é um elemento barroco mas que não existia, mostrando que, apesar destas modificações, algumas coisas se mantém iguais no jardim, como é o exemplo das árvores que algumas têm mais de 150 anos, de várias proveniências. Esta visita termina num elemento emblemático do nosso jardim que é o túnel de cedros.

A visita das Flores de Mateus pretende também explicar as flores dos nossos jardins que têm várias espécies de flores sendo o elemento mais recente o jardim das rosas. Temos também as palmas de Santa Rita à volta do espelho de água, com as quais se pretende criar uma ligação à família falando de um membro da família que seguiu a vida religiosa, que se chamava Rita”.

Outra das novidades que a nova programação do espaço apresenta são o meses temáticos, cada mês do ano terá associado um tema que será explorado em diferentes vertentes.

“Todos os meses a nossa atividade cultural terá um tema. A ideia é apresentar, ao longo do mês, trabalhos relacionados com esse tema. Por exemplo, este é o mês da poesia (maio), nós já há muitos anos que organizamos os Seminários de Tradução Coletiva de Poesia, este ano não será possível, por isso fizemos uns vídeos com depoimentos de escritores que passaram por cá ao longo dos anos e nos contam a sua experiência”.

Na sua maioria, estas alterações são, em muito, pensadas para o público nacional no qual cada vez mais a Fundação quer apostar, dando a conhecer o seu papel não só na cultura e história da região como também do país.

“Muito embora Portugal, e a região Norte em especial, tenha experimentado o turismo de massas nos últimos anos, a Fundação da Casa de Mateus tem a missão de preservar o património existente, a exploração e divulgação do seu arquivo. É um centro de cultura, fundamentalmente, e com isso pretendemos atrair um público que tenha gosto, que é o caso do público nacional que tem muito gosto na sua história, onde se inclui este espaço. Não só o edifício em si mas também todas as histórias que aconteceram no seu interior e que com certeza irão proporcionar bons momentos a quem nos visita, assim como um maior conhecimento da época.

É um desafio que lançamos às pessoas que venham visitar o Palácio de Mateus, sobretudo em busca do conhecimento e de novas experiências”.

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