“Ser em Coletivo” com Arte

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“Ser em Coletivo” com Arte

É através de propostas artísticas que partem do movimento do corpo, pintura e música que se cumpre a missão da Associação Música Esperança Portugal – AMEP no Estabelecimento Prisional de Vila Real (EPVR): estimular a participação de pessoas em reclusão no desenvolvimento de atividades em prol da comunidade e do território envolvente, bem como promover a sua reinserção social, através de atividades culturais e artísticas.

São propostas que desafiam um grupo de reclusos a mergulhar em processos de transformação pela Arte e a quem está de fora a também mergulhar numa realidade que tem de ser ouvida e acompanhada.

Foi a pensar nas dificuldades do processo de reintegração na sociedade com que muitos reclusos se deparam que surgiu a ideia do Ser em Coletivo “conjugando-se artes como meio de introspeção, comunicação, expressão das emoções e potencial para criar o futuro, um futuro que para este tipo de população é sempre extremamente incerto e com muitas dificuldades”, defende Caroline Dominguez, presidente da AMEP.

O Ser em Coletivo surge também como necessidade de levar ao estabelecimento prisional “um espaço de reflexão onde, com liberdade, cada recluso pode fazer um caminho de descoberta interior e pode ter a oportunidade de descobrir o seu EU no coletivo/na sociedade e assim Ser mais e Ser no Coletivo”, explica Teresa TAF, diretora artística do projeto.

Como artista plástica Teresa TAF acredita que a Arte é um veículo de esperança e que tem um papel fundamental neste mundo. Defende que a Arte deve chegar a todos e todos devem experimentá-la “e nós artistas temos uma grande responsabilidade de participar mais na sociedade, sair fora do atelier e ser e dar voz a quem mais precisa”, diz

Este projeto conta com a colaboração de vários artistas/profissionais que acrescentam valor ao trabalho desenvolvido. Para a criação de música de grupo recorrendo aos sons de instrumentos caseiros estará Paulo Coelho. O Bitocas, Vítor Fernandes, será responsável por situações espontâneas onde se exploram os ritmos, o movimento e o canto. Na pintura individual e coletiva que irá dar cor e traços aos sentimentos estará como orientadora a Inês Peres. No movimento e introspeção e criação de sentimento de grupo será a Sofia Leite a formadora responsável. Formadores/artistas que trabalham com uma psicóloga que acompanha os reclusos enquanto grupo.

A diretora artística reforça que “a Arte é uma linguagem que é inclusiva e dá voz a todos. O Bitocas, o Paulo, a Inês Peres , a Sofia e eu .. somos artistas e formadores em diferentes áreas e temos procurado levar as diferentes valências artistas para este espaço e no final vamos apresentar publicamente resultados sobre as sessões e sobre esta transformação interior”.

Ser em Coletivo é a continuação de projetos e atividades dinamizadas pela Associação Música Esperança Portugal – AMEP no Estabelecimento Prisional de Vila Real.

Durante dois anos concretizou-se com projetos-piloto focados em sessões com grupos de reclusos sobre integração, liberdade criativa e autoconhecimento tendo como base a música, o movimento corporal e a pintura.

Em 2108 aconteceu a primeira performance artística pública, numa espécie de aula aberta, onde um grupo de 10 reclusos pode apresentar o trabalho realizado nas áreas de expressão plástica e movimento.

Em 2020 foi submetido um pedido de bolsa à DGArtes (Direção Geral da Artes) para assegurar a continuidade deste trabalho no Estabelecimento Prisional de Vila Real: “estamos muito contentes que a DGArtes tenha reiterado a confiança na AMEP financiando este projeto”, refere Caroline Dominguez, sublinhando pautarem-se sempre pela qualidade das abordagens e participação ativa e criativa dos participantes.

O apoio foi conseguido e “gostaríamos muito de ter a possibilidade de receber mais apoios no futuro para que, em conjunto com outros artistas e formadores que possam vir a juntar-se ao projeto, consigamos chegar a outros estabelecimentos prisionais do país, criar mais propostas inclusivas pensadas para darmos e receber dos reclusos, com quem também aprendemos tanto”, sublinha a diretora artística do projeto, Teresa Fonseca.

O projeto começou em julho de 2021 e deverá terminar com uma apresentação pública em julho de 2022.