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“Sinfonia Lendária” leva o “mundo sui generis” de Trás-os-Montes ao palco do Teatro de Vila Real

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“Sinfonia Lendária” leva o “mundo sui generis” de Trás-os-Montes ao palco do Teatro de Vila Real

Esta obra é uma sinfonia programática baseada em textos do escritor transmontano A. M. Pires Cabral e na música do jovem compositor Nélson Jesus.

“Sinfonia Lendária – uma sinfonia do “outro” Mundo!” é a mais recente criação da Banda Sinfónica Transmontana (BST). A estreia vai acontecer no dia 27 de maio no grande auditório do Teatro de Vila Real.

“Decidimos criar uma Sinfonia Programática, assente numa ideia que retratasse aquilo que é o património, isto é, as lendas, as histórias e os contos da região transmontana”, explica Luís Santos, da direção criativa da BST. A escolha de Pires Cabral foi instantânea: “A sua obra literária já tinha muitas recolhas sobre o que queríamos abordar”, diz, acrescentando que o imaginário do escritor percorre todo o património imaterial transmontano e isso vai refletir-se na sinfonia, com a presença de “personagens como a Morte, o Diabo, as Bruxas e os Trasgos, os Padres e  os velhos Guardiões da arca da memória, tudo elementos que sustentam o mundo fantástico da cultura popular”.

Por seu turno, Pires Cabral assume nunca ter recebido um convite semelhante ao longo de toda a sua longa carreira: “Achei a empreitada arriscada e cheguei a duvidar de que fosse capaz de produzir um libreto aceitável”, lembra o escritor, acrescentando que o desafio “era fazer dialogar dois mundos, o da música erudita e o dos mitos próprios da cultura popular, e que se supõem irredutíveis”. Mas o escritor não desistiu, fazendo jus ao seu lema de vida (“Para a frente é que é o caminho”), “deitei mãos-à-obra e apresentei o trabalho”.

Transformar as palavras em notas musicais foi uma tarefa “fácil” para o compositor Nélson Jesus, até porque o “mestre” Pires Cabral sugeriu “pensar numa música de uma sarabanda”, uma dança barroca, lenta e ternária que “utilizei na forma macroscópica da peça e em pequenos elementos, como uma forma de ‘pilares de betão’ da estrutura” da obra.

Proposto como sendo um espetáculo diferenciador, a “Sinfonia Lendária” tem uma identidade muito própria, sendo uma obra capaz de resistir ao tempo, criando algo que “pode ser recordado daqui a uns anos” com um significado especial para a Banda Transmontana, diz Luís Santos. A obra tem a particularidade de ter “algo de muito identificativo e tradicional”, ao mesmo tempo que adota uma “linguagem moderna e contemporânea e uma linguagem universal, a música”. A palavra “Lenda” evoca o “mundo sui generis” de Trás-os-Montes, sendo que o espetáculo faz a resenha do “riso, tragédia, malícia e sabedoria” das gentes da região.

A “Sinfonia” também  permite à BST cumprir uma das suas principais missões: a criação musical. “Entendemos que devemos fomentar a criação de nova música, porque tal gera novos músicos e novos públicos”, explica o membro da Banda. Quem assistir a esta “sinfonia do “outro” mundo”, vai também ter uma experiência multimédia e um jogo de luzes, complementada com a narração do ator Ángel Frágua”.

O espetáculo tem início previsto para as 21h30. Os bilhetes estão à venda na bilheteira do Teatro de Vila Real e nos locais habituais.

A “Sinfonia Lendária – uma sinfonia do “outro” Mundo!” é um projeto que parte da iniciativa
da BST, apoiado pela DGArtes e consiste na criação de uma sinfonia para orquestra de
sopros tendo por base o património imaterial da região transmontana. Um projeto que conta também com o apoio imprescindível do Teatro de Vila Real.

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