Tiago Salazar lança “O Pirata das Flores” em Lamego

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A sessão, organizada em parceria com a editora Leya, irá ter lugar amanhã (03/12), no Clube de Lamego, com a presença de Alexandra Falcão, diretora do Museu de Lamego. No dia seguinte, terá lugar uma nova apresentação, desta vez no MMIPO – Museu da Misericórdia do Porto, na presença de Laura Castro, diretora da Direção Regional de Cultura do Norte.

A iniciativa insere-se numa estratégia de alargamento de parcerias do Museu de Lamego, por forma a estender o seu programa de atividades a outros equipamentos e territórios, decorrente do seu encerramento ao público, por motivo de obras de reabilitação ao abrigo da Operação NORTE2020, “Museu de Lamego. Museu para Todos”.

A ligação de Tiago Salazar a Lamego, em concreto ao Museu de Lamego, tem que ver com diversos projetos educativos e mediação cultural relacionados com projetos literários do autor, que estiveram na origem de duas residências literárias realizadas em Lamego e da sua participação, entre outros, nos “Percursos pelo Património com Tiago Salazar”, que decorreram nas noites de verão (2020), no Castelo de Lamego e nos Monumentos do Vale do Varosa, num binómio literatura – arte e património, bem como nas conversas sobre escrita criativa, em formato presencial e online, promovidas para o público em geral ou vocacionadas para diferentes graus de ensino, no âmbito do concurso escolar Estórias [im]Prováveis, organizado pelo Museu de Lamego e Rede de Bibliotecas de Lamego.

Depois do romance “O Magriço. A verdadeira história de D. Álvaro Gonçalves Coutinho, um dos Doze de Inglaterra”, a Leya apresenta, agora, do mesmo autor “O Pirata das Flores”, num registo cinematográfico, que nos propõe uma viagem entre os Açores e os longínquos mares da China, à boleia do aventureiro António Freitas, fazendo-nos transportar por ambientes, sensações e cheiros que povoam o nosso imaginário ligado a diferentes contextos temporais e geográficos.

Procurou-se, desse modo, uma seleção criteriosa dos espaços, onde o Museu de Lamego se associa à organização das sessões de lançamento. Em Lamego, no Clube de Lamego, que nos remete para o contexto cronológico da narrativa e, no Porto, no MMIPO Museu da Misericórdia do Porto, não só pela coincidência do título do livro com uma das mais emblemáticas ruas dessa cidade, a rua das Flores, onde o museu se encontra inserido, e pela efeméride dos 500 anos da rua que, justamente, esse museu celebra, mas também pela noção de redenção que perpassa o romance, tão cara ao seu protagonista, que no final da sua trajetória de vida, se evidencia pela sua ação filantrópica.

Sobre o livro:

António de Freitas, um jovem aluno do seminário de Angra nascido na ilha das Flores poucos anos antes do dealbar do século XIX, decide abdicar da vida monástica e embarcar, em 1810, numa viagem rumo aos longínquos mares da China, onde sonha fazer-se rico. Para companheiro de fortuna e infortúnios, desencaminha um rapaz que com ele estudara na Terceira, também sem vocação beata mas com apreço pela leitura e talento para a escrita, que é na verdade quem há de contar a sua história.

Depois de inúmeras peripécias e confrontos, numa sucessão de episódios de autêntica pirataria nos vários navios em que são engajados, o par instala-se então em Macau, acabando António de Freitas por dedicar-se ao tráfico de ópio – na época, um negócio regularizado -, enquanto o seu amigo se entrega doidamente ao vício. Nas Flores, restará um dia um vistoso túmulo de tíbias cruzadas e caveira e um mosteiro cuja elevação está rodeada de mistério e que, volvidos quase duzentos anos, continua a marcar a paisagem da Fajãzinha. E no Oriente, rodeado de prazeres, o narrador destas aventuras vai-se deixando enlevar.

Entre o relato de viagens e o romance histórico, “O Pirata das Flores” discorre sobre a aventurosa vida de uma personagem extremamente arrojada para a época, à boa maneira de um Sandokan ou de um capitão Morgan, que ainda hoje alimenta as mais variadas lendas nos Açores.