Um beliscão de casa cheia

Não cremos que a realidade dos festivais de verão, no futuro, seja a que se viveu na edição deste ano no Douro Rock, mas, se for, então o teste não podia ter corrido melhor.

“Belisquem-me para acreditar que estamos de volta ao palco”, o “pedido” foi feito por Samuel Úria, o músico tondelense que subiu ao palco do Douro Rock na primeira de duas noites com casa cheia no festival que se deslocou da Beira Rio, para o coração da cidade reguense, num espaço onde a segurança sanitária foi uma preocupação constante da organização.

Público sentado, colaboradores a fazerem entregas de comida e bebida no lugar do espectador, que fazia a sua encomenda usando a aplicação do festival, medição de temperatura na entrada, dispensadores de gel desinfetante no recinto, regras de circulação e, saída no final orientada pelo staff.

Se na organização tudo correu bem, no palco as coisas correram ainda melhor. Depois do arranque dado pelos Cassete Pirata, o palco encheu-se com a atuação de Samuel Úria que deixou “em crédito” alguns “beliscões” e “abraços” ao público, “que as regras de afastamento não permitem agora”.

No final, confrontado com essa dívida, pela nossa reportagem, riu, afirmou que foi uma expressão do momento, “incentivada pela fantástica reação que ia recebendo do público durante a atuação. Mas que será para cumprir assim que surja a oportunidade”.

Para fechar a primeira noite da melhor forma o palco ficou entregue aos The Gift, que levaram o público ao êxtase, numa viagem pela discografia da banda liderada por Sónia Tavares.

Na segunda noite as honras de abertura foram para NEEV, o artista mais votado pelo público no Festival da Canção 2021, com o tema “Dancing in the Stars”. O músico e compositor apresentou o álbum de estreia “Philosotry”, produzido pelo reputado Larry Klein.

Após um hiato de 22 anos, os Três Tristes Tigres voltaram ao ativo e foram o segundo nome da segunda noite no palco do Douro Rock. Ana Deus e Alexandre Soares apresentaram “Mínima Luz”, o novo trabalho da banda que se situa entre o experimentalismo e a pop menos óbvia.

A noite, e o festival, encerrou em grande festa com os GNR e a celebração de quatro décadas de estrada para a banda de Rui Reininho e companhia.

Ao longo de mais de uma hora de espetáculo ouviram-se vários sucessos da banda portuense como Dunas, Popless, Asas, entre muitos outros.

Miguel Candeias, da organização, em declarações ao nosso jornal no final do festival mostrava-se bastante satisfeito com o sucesso alcançado.

“Foram duas noites muito boas onde pudemos voltar a celebrar a música portuguesa em palco. Duas noites de casa cheia que superaram as nossas expectativas”.

Numa edição marcada pelas regras impostas pelas autoridades de saúde, Miguel Candeias destacou ainda o papel do público que “cumpriu rigorosamente todas as regras, contribuindo também para o sucesso destas duas noites”.

De destacar ainda, nesta edição, a vertente tecnológica com enfoque na aplicação disponibilizada aos portadores de bilhete, através da qual podiam fazer pedidos de comida e bebida, aceder aos horários das atuações, entre outras facilidades, e na projeção de Video Mapping, da responsabilidade da Feeders, que proporcionou momentos de animação visual nos intervalos das atuações.

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