“Vida Palhaça” chega a Vila Real dia 12

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“Vida Palhaça” chega a Vila Real dia 12

A conversa de um palhaço, consigo mesmo, enquanto está diante do espelho no seu camarim, leva-nos a uma viagem pela mente humana, explorando a sempre ténue linha que separa o bem do mal, o “são” do “estragado” e, neste caso, o Félix do Benvindo.

“Um ator, como qualquer artista, procura sempre evoluir, desafiando-se constantemente pela busca da verdade.

Com este espetáculo, continuamos na busca por essa verdade, desafiando-nos mutuamente na evolução enquanto atores e artistas.

Numa primeira conversa sobre o que ainda nos faltava fazer em conjunto, sabíamos apenas que queríamos trabalhar num registo diferente do habitual.

Com o espetáculo “Vida Palhaça”, o jogo entre ator e encenador está bastante vivo. Foi uma constante partilha e também desafio na construção do espetáculo.

A mente humana é algo que sempre nos fascinou, e termos criado este espetáculo com base nesse fascínio, desafiou-nos na pesquisa e também nesse processo evolutivo enquanto atores”, conta-nos Pedro Dias, um dos atores em palco.

“Queremos que o público seja desafiado neste espetáculo e esteja ativo durante a representação. “Vida Palhaça” fala de um palhaço mas podia falar sobre qualquer um de nós, que nos habituamos a uma vida e não entendemos que há outra a correr ao nosso lado”, conclui Luís Trigo, também ator em palco.

O tempo que o palhaço passa em frente ao espelho, dentro do seu camarim, faz com que questione a vida e a própria existência, opondo o palhaço profissional ao palhaço da vida, ao caminho que desejamos e o caminho que nos é possível percorrer.

Neste tempo, a personagem questiona-se, provoca-se, desestabilizando crenças e valores, pondo a descoberto a sua própria condição mental, os transtornos de personalidade, a confiança e os desejos mais íntimos.

“Vida Palhaça” é um convite à reflexão sobre o verdadeiro papel do artista e do homem, convidando o público a ultrapassar o espaço do cénico entrando no espaço privado dos camarins, para ver de perto o verdadeiro “palhaço”.

“Às vezes os desencontros da vida são os desencontros das nossas partes, dos fragmentos da nossa personalidade, que quando não se sentem vistos fazem-se ver, fugindo de dentro para o exterior, para o mundo.

A Vida Palhaça é uma provocação à vida de Benvindo, um homem jovial, pueril e sonhador, assombrado pela sua história, em fuga de si próprio, que ao ver Félix, um arquétipo do seu herói de infância, conhece o Palhaço, um crítico duro e inexorável.

Juntos iniciam uma viagem, na qual Benvindo aborda a fragmentação do “Eu”, através do universo de José, um homem proscrito da sua realidade, que não sabe que precisa voltar para casa.

Nesta encenação o espectador é convidado a observar a vida através da mente complexa de um homem, em fuga das suas memórias, que salta intermitentemente entre a realidade e a ilusão, na procura de reconstruir aquilo que já não pode ser edificado, a história que já passou”, explica Tiago Nércio, psicólogo, que acompanhou o processo de criação, ajudando na interpretação de algumas patologias associadas ao transtorno da personalidade.

“Vida Palhaça” é da autoria da ETCetera Teatro, companhia sediada em Vila Nova de Gaia que trabalha essencialmente o Teatro, e estará no Teatro de Bolso, a 12 de fevereiro.