A corrida antes da partida

Na edição deste ano são esperados mais de 21 mil participantes na Meia Maratona do Douro mas, antes do cronómetro começar a trabalhar, há uma equipa de quase 300 pessoas, entre staff da GlobalSport e voluntários, a trabalhar em contra relógio para que tudo esteja pronto antes do tiro de partida no dia 26.

São 9 horas da manhã e cada um dos líderes de equipa já está no terreno a orientar o trabalho que lhe compete, enquanto dezenas de pessoas vão preparando os kits, que serão oferecidos aos participantes, no pavilhão da Escola Profissional da Régua, outra equipa está no Museu do Douro a preparar o secretariado da prova, um pouco mais abaixo, na zona ribeirinha, alguns elementos preparam tudo para a Running Village. É uma máquina bem oleada em que cada um leva a cabo as funções que lhe são destinadas, apoiados por um conjunto de voluntários.

“Sem os voluntários não seria impossível mas seria muito mais difícil, por isso é que parcerias como a que temos com a Escola Profissional da Régua, são muito importantes, é um apoio inexcedível. O mesmo se aplica também aos voluntários que nos chegam da UTAD e todos aqueles que se inscrevem no nosso site. Temos muitos que vêm vários anos consecutivos, a esses já quase nem temos que dizer nada, cada um já sabe as funções que tem de ano para ano.

Apesar de estarmos divididos por equipas, ajudamo-nos muito uns aos outros, há um espírito de entreajuda muito grande na equipa. É normal aqui ou ali haver uma situação mais chata mas muitas vezes é mais pelo cansaço que vamos acumulando do que por uma questão de feitios.

Às vezes pode ser complicado gerir tanta gente. A nossa forma de trabalho passa por ter equipas e cada uma tem um responsável, essa equipa é responsável por tudo aquilo que lhe está delegado. Gerir recursos humanos é sempre uma tarefa árdua, falamos de muitas pessoas, cada uma com a sua maneira de ser, com quem não convivamos com regularidade, não conhecemos os seus métodos de trabalho”, afirma Vanessa Soares, uma das lideres de equipa.

Centenas de voluntários ajudam na organização da prova

Para Paulo Costa, diretor da prova, o segredo do sucesso está nesta estrutura onde cada equipa assegura as funções que lhe são destinadas.

“É uma loucura saudável, com um nervoso miudinho muito forte, com algumas dores de cabeça porque acabam sempre por acontecer imprevistos e que é preciso ultrapassar. Temos várias equipas no terreno. Um fator chave é o conhecimento que cada chefe de equipa tem da função que lhe diz respeito, isso descansa-nos a todos. O grande fator de complexidade é que são muitas coisas a acontecer ao mesmo tempo, não há margem para deixar para amanhã o que não se pode fazer hoje.

Cada líder de equipa tem vindo a acumular funções e responsabilidades ao longo destes anos, tendo hoje mais domínio e conhecimento dessa operação do que eu próprio. A Vanessa, a Sandra, o Paulo Eusébio, o Edgar e a Fernanda são cinco elementos que respondem, na sua área, por cada uma das ações que estão responsáveis. Naturalmente que as decisões são sempre do líder, que sou eu, mas cada um deles tem a sua responsabilidade que cumpre de forma exemplar, o que a mim também me permite estar mais confiante. Esta equipa às vezes resolve questões que eu nem sei que acontecem, só tenho conhecimento quando tudo já está tratado, temos todos o mesmo espírito de missão e comprometimento com este projeto”.

A animação é uma constante no trabalho

Também para as centenas de voluntários que participam desta organização, este é um momento especial, alguns deles colaboram nesta prova há alguns anos.

“Já participo há alguns anos. Estive na Maratona de Aveiro e sempre que surge oportunidade vou a outras provas mas aqui, em especial, no Douro, até pela proximidade, participo sempre”, diz-nos Andreia Cruz enquanto vai garantindo que os kits estão a ser bem organizados.

Num outro posto desta “cadeia de montagem” encontramos Cláudio Monteiro, outro voluntário que já conta três anos nestas andanças e que nos fala da importância que dá a esta sua participação.

“É uma boa forma de dinamizar, tanto a escola como a prova em si. É uma forma de incentivarmos alunos e professores a participarem na “Mais Bela Corrida do Mundo”. Eu participo desde 2017 como voluntário, este já é o terceiro ano. É gratificante estar envolvido num grupo unido em torno de um evento que ajuda a dignificar a nossa região, não só em Portugal como pelo mundo fora”.

Para Vanessa Soares o telemóvel é uma ferramenta essencial

De regresso à conversa com Paulo Costa, o diretor da prova assume que um dos momentos mais complexos desta operação é o transporte dos atletas até à linha de partida no dia da prova.

“Aqui no Douro a grande questão é a organização da logística da partida com o transporte destas mais de 20 mil pessoas até à barragem, é um processo complexo, depois temos tudo o resto, deste a receção aos convidados e participantes até à montagem de tudo o que é necessário ao sucesso da prova, desde os postos de abastecimento às casas de banho portáteis até aos postos de apoio médico, é muita coisa a estar pronta até às 10 horas de domingo”.

Todo este trabalho só terminará quando tudo estiver arrumado, como nos diz Vanessa Santos,  “estamos todos aqui até que a última peça esteja arrumada”.

Para a “team leader”, a compensação de todo este trabalho é o sorriso dos participantes na hora de cortar a meta, havendo mesmo uma tradição da organização que considera ser um dos momentos mais importantes das provas organizadas pela GlobalSport.

Paulo Costa, diretor da prova garante que tudo é feito atempadamente

“É espetacular ver a partida, com aqueles milhares de atletas, e depois, que para mim é a melhor parte, vê-los a chegar de sorriso no rosto, seja qual for o objetivo com que veio para a prova. Em todas as nossas provas nós fazemos questão de ir buscar o último atleta, ele nunca é o menos importante, até pelo contrário, foi aquele que nunca desistiu apesar das dificuldades com que se tenha deparado.

O nosso grande objetivo é que todos os participantes disfrutem de participar neste evento que não é só a prova em si mas todos os eventos que lhe estão associados e que decorrem durante todo o fim de semana. Se é difícil, é. Se é desafiante, é. Se trocaríamos isto por outra coisa? Nem pensar”.

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