Pep Guardiola, quando ganhar não é suficiente 

Por Tiago Nogueira, Jornalista

Por Tiago Nogueira, Jornalista

Há cerca de 45 anos, no dia 18 de Janeiro de 1971, era impossível adivinhar que o recém-nascido Josep, na cidade de Santpedor, ia ser, um dia, uma das maiores figuras do mundo do futebol. O sonho de Pep inicou-se na Academia Juvenil do Barcelona quando este tinha 13 anos. As lições de Johan Cruyff, juntamente com a personalidade do catalão, fizeram de Guardiola um autêntico exemplo dentro e fora de campo. O ano de estreia de Josep Guardiola enquanto treinador superou todas as expectativas, o catalão tornou-se no melhor treinador estreante de todos os tempos ao conquistar todas as competições em que participou – Liga Espanhola, Copa do Rei, Liga dos Campeões, Supertaça de Espanha, Supertaça Europeia e Campeonato do Mundo de Clubes – com um estilo de jogo absolutamente apaixonante, o famoso tiki-taka. A essência do jogo das equipas orientadas por Josep Guardiola está no recuperar a bola o mais perto possível da baliza adversária e gerir de forma imperial os tempos do jogo. As enormes percentagens de posse de bola são apenas uma consequência disso mesmo. A inteligência emocional deste técnico é o ás de trunfo que permite dar estabilidade a todo o baralho, pois algo fundamental para a motivação e a coesão de um grupo de trabalho é ter a capacidade de saber o que sentem, como pensam e como serão os seus diferentes feedbacks. Colocar tudo isto em harmonia não é fácil. Mas, se fosse fácil, não era Pep Guardiola.

Há pessoas que vivem eternamente, deixando um legado que o tempo se encarrega de eternizar. É assim que nasce uma lenda, um ídolo, uma referência, uma personagem que fica aprisionada na nossa memória e que fará de personagem principal nas histórias que um dia vamos contar aos nossos amigos, aos nossos filhos ou até mesmo aos nossos netos. Ernesto Guevara é uma dessas grandes personagens, deixou de lado uma vida tranquila como médico para revolucionar a América Latina com a sua luta contra o Imperialismo, enchendo de esperança os corações daqueles que faziam parte das sociedades oprimidas da sua época. O guerreiro argentino mostrou que a luta pelas nossas ideias e pelos nossos sonhos são capazes de revolucionar o mundo e que uma simples pessoa pode ser eterna para milhões de outras. Foi um guerreiro de ideias revolucionárias que marcou uma geração e todas as seguintes. No mundo do futebol existe Guardiola, uma sequela futebolística do rebelde comandante Guevara. Pep revolucionou uma era com as suas ideias e a sua personalidade, mostrou ao mundo um futebol trabalhado, mas ao mesmo tempo simples, uma troca de bola curta e artística e uma movimentação táctica brilhante, conquistando por completo todos os amantes do desporto rei. A filosofia deste “comandante” conquistou todas as provas europeias e ainda foi capaz de influenciar dois Mundiais de futebol sem que neles tenha participado. “Hasta la victoria siempre!”, assim foi Ernesto, assim é e sempre será Pep. Dois guerreiros que usaram armas diferentes em distintos campos de batalha, mas que revolucionaram “dois mundos” e que ficarão na nossa memória e na de todos aqueles que sentem e entendem a importância de lutarmos por todos os nossos sonhos!

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