Presidente do IVDP garante que quebras no setor “são ainda muito insignificantes”

Numa entrevista ao programa “Para Cá dos Montes”, da Associação Vale d’Ouro, transmitido na Universidade FM, o presidente do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto garante que o setor não está a sofrer impactos significativos nesta crise pandémica.

Numa altura em que diversos intervenientes de setor começam a reivindicar medidas que venham minimizar o impacto da Covid-19 no setor dos vinhos na região, Gilberto Igrejas garante que o IVDP se mantém atento à situação e que este é ainda um tempo de expectativa relativamente ao futuro.

“O setor tem estado em permanente atenção aos problemas decorrentes da pandemia da Covid-19. Temos estado em permanente articulação com a produção e o comércio bem como com a tutela, o Ministério da Agricultura.

É óbvio que esta é uma questão preocupante mas para grandes questões temos também que arranjar medidas de carácter excecional e aquilo que estamos a procurar são soluções que possam de alguma forma minimizar o abanão que acontece no início deste ano, depois de um ano de 2019 que foi de crescimento.

Enquanto instituto regulador do setor no vale do Douro e na Região Demarcada do Douro (RDD), cabe-nos dizer que as quebras que têm existido são ainda muito insignificantes nesta altura, podendo, ou não, ter uma expressão maior, cabendo-nos encontrar medidas para minimizar esses problemas para o setor. Estamos muito atentos ao que está a acontecer e desta atenção tem resultado um trabalho continuado dentro e fora do IVDP. Não vamos deixar de atuar e de fazer os contactos que forem necessários na tentativa de minimizar aquilo que podem ser os problemas do setor na região.

O facto de haver confinamento das pessoas conduziu neste primeiro trimestre a uma diminuição do número de garrafas vendidas mas nos últimos 15 dias houve já uma evolução positiva, ou seja, as quebras que tinham existido até então foram, de alguma maneira, supridas. No Vinho do Porto, por exemplo, ao nível da exportação a 15 de abril havia uma quebra de 8,9%, a 29 de abril essa quebra recuou para os 7,2%. No caso dos vinhos do Douro essa quebra passou dos 3,9% para os 2,5%.

Pensar que por haver uma crise os nossos consumidores normais também diminuirão o seu consumo, eu não vou por esse caminho. Se as pessoas tiverem plataformas de aquisição de vinhos disponíveis, se tivermos outras formas de vender estes vinhos, as pessoas vão aderir e, mesmo em confinamento, houve países que aumentaram a venda de produtos de natureza alcoólica e Portugal pode não ser a exceção.  Temos que desenvolver agora um conjunto de atividades, mais ligadas à parte digital na tentativa de minimizar o problema que temos nesta altura. Estou convencido, de uma forma muito realista, que existindo algumas quebras nesta fase, ao longo do ano nós tenderemos a fazer baixar este valor, se trabalharmos de forma unida e remando no mesmo sentido”.

Com as videiras já em pleno ciclo vegetativo o presidente do IVDP afirma que “ainda é cedo” para perspetivar o que será a vindima de 2020 devido aos inúmeros fatores que podem influenciar a mesma.

“Temos que começar a preparar a campanha de 2020 mas é ainda muito cedo, ainda não sabemos que ano agrícola vamos ter. É prematuro estar a falar de eventuais quebras ou excessos na produção quando ainda não sabemos como será o ano em termos de doenças ou de outros fatores, como os climáticos, por exemplo.

Nesta altura, a pior coisa que poderia acontecer seria estarmos a alarmar os produtores da região com esta questão que vai sempre bater ao benefício porque vamos ter uma produção excessiva ou diminuída, nós não sabemos, vai depender de muitas condições. Aquilo que nós podemos dizer nesta altura é que não temos dados convincentes que nos permitam dizer como será o ano agrícola.

O IVDP realizou um inquérito junto das empresas do setor para perceber como estavam a reagir a esta situação e aquilo que foi notório é que algumas empresas foram parando na área comercial e algumas na adega, na parte do engarrafamento, mas na parte da viticultura o trabalho continuou, como se nada tivesse acontecido. Isto significa que, à partida, do ponto de vista da atuação vitícola, as coisas estão a decorrer como normalmente decorrem todos os anos. Por isso é que digo que nesta altura é prematuro avançar com dados sobre a produção.

Devemos continuar a trabalhar e, de forma serena, reivindicar as nossas posições mas atendendo sempre ao facto que há diversos intervenientes envolvidos, devemos encontrar soluções num quadro de harmonia para a região”.

Questionado sobre algumas medidas que têm sido reivindicadas por diversos atores da região, como por exemplo os 10 milhões de euros de taxas cobradas pelo IVDP e que não têm sido aplicadas na região, Gilberto Igrejas afirmou que esse assunto ultrapassa as competências do instituto estando dependente da vontade dos ministérios da agricultura e das finanças.

“Não vou falar da questão dos 10 milhões que ainda esta semana tantas vezes foram evocados na comunicação social porque essa questão ultrapassa as competências do IVDP, é um assunto que depende da tutela e do Ministério das Finanças. Seria, “pôr-me em bicos de pés” estar a tecer alguma consideração a este propósito a um órgão de comunicação social porque ele tem que ser decidido num outro quadro que não o IVDP. O Instituto discute, no interprofissional, todos os problemas e possíveis soluções e vamos continuar a fazê-lo mas entendemos que essa discussão desse ser feita num quadro de harmonia e lealdade”.

Nesta entrevista houve ainda tempo para um balanço do projeto Douro + Solidário lançado pelo IVDP que, juntamente com os representantes da produção e do comércio da região, tem vindo a produzir álcool gel a partir de aguardente vínica.

“O que se pretendia inicialmente era disponibilizar a aguardente utilizada na produção do Vinho do Porto mas depois, em discussão com o Infarmed, surgiu a ideia de produzirmos mesmo álcool gel e isso foi possível em conjunto com uma empresa de destilação da região. Ainda esta semana vamos entregar mais 10 mil litros de álcool gel à Reserva Militar para que possa ser mais um apoio que a RDD dá ao país neste quadro de pandemia. Não nos alheamos do problema nacional que vivemos”.

, ,
Um comentário em “Presidente do IVDP garante que quebras no setor “são ainda muito insignificantes”
  1. Quando o Presidente do IVDP se demite da sua função de representar a Região Demarcada do Douro junto da tutela e procura funcionar como mola de amortecedora face à crise que se vai instalando na produção algo vai muito mal.

Comments are closed.