Ensino Secundário Profissional já funciona em Freixo de Espada à Cinta

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Ensino Secundário Profissional já funciona em Freixo de Espada à Cinta

Pouco mais de um ano após a tomada de posse do executivo liderado por Nuno Ferreira, o concelho transmontano tem já a funcionar dois cursos de Ensino Secundário Profissional, com 18 alunos, aos quais se vão juntar mais 30 oriundos de Cabo verde.

Para Nuno Ferreira, “este foi um compromisso eleitoral que assumimos com os freixenistas e do qual falamos com a vossa reportagem logo após a nossa tomada de posse. Passados 14 meses é um orgulho para este executivo porque é já uma realidade em prática.

O ensino secundário profissional é uma realidade não só para Freixo como para o distrito e para toda a região, até porque incidiu em três áreas específicas: cozinha, turismo e vitivinicultura”.

Para esta realidade ser possível a autarquia reabilitou “uma antiga escola primária que estava devoluta”, havendo já o “projeto para a construção de uma residência para os estudantes deslocados”, explica o autarca.

Atualmente são 18 os estudantes que estão a prosseguir estudo em Freixo de Espada à Cinta, um número que irá crescer em breve com a chegada de 30 alunos cabo-verdianos, uma realidade que irá contribuir para o desenvolvimento social e económico do concelho, acredita Nuno Ferreira.

“Já temos 18 alunos e está já em andamento o processo para captação de alunos internacionais, oriundos dos PALOP, que foi sempre a nossa tónica, tendo já assinado com três municípios cabo-verdianos um protocolo para que venham esses alunos, serão 30 no total, 10 de cada município.

Isto vai ter um impacto na economia local gigantesco, estamos a falar de cerca de 50 pessoas que estarão diariamente em Freixo e que irão consumir nos nossos restaurantes, cafés e comércio geral, isto é um boom para o nosso concelho.

Esta é uma realidade nova, estamos a combater a desertificação do interior com a chegada de 30 novos alunos, que devem chegar até finais de março. Algo que sabemos fazer bem é receber e acolher que vem de fora.

Há protocolos de responsabilização de parte a parte mas é também uma oportunidade para ambos os lados. Nós podemos fixar mais pessoas e os municípios cabo-verdianos dão oportunidade aos seus alunos de virem estudar para um país europeu, com a vantagem de falar a mesma língua”.

De acordo com o autarca, o arranque deste projeto não significa que os apoios aos estudantes do secundário e superior que têm de sair do concelho terminem.

“Não quer dizer que deixamos de lado aqueles que querem seguir o ensino secundário convencional, para estes estamos a suportar o valor dos bilhetes de comboio e autocarro a 100%, para que não tenham esse custo e possam regressar a casa todos os fins de semana, o mesmo acontece com os alunos do ensino superior”.

Nuno Ferreira explica ainda que haverá um apoio financeiro para os estudantes que optarem pelo Ensino Secundário Profissional, bem como as empresas do concelho que, após a conclusão dos estudos, empreguem estes alunos.

“Todos os alunos naturais de Freixo de Espada à Cinta e que aqui fiquem a estudar no ensino secundário profissional, vão receber ao longo dos dois anos um apoio de mil euros, 250 no início de cada ano e 250 no final do mesmo. Para os que são de fora vamos dar um apoio de 250 euros para estimular que venham para cá.

Temos ainda pensado um apoio de 5000 euros para as empresas que estejam instaladas no nosso concelho e que empreguem alunos formados no nosso ensino secundário profissional. São medidas proactivas em prol da população e da educação.

Nunca teremos problemas em investir na educação ou na saúde. Temos que praticar o interior com medidas proactivas, hoje Freixo de Espada à Cinta é um exemplo a nível nacional. Passou apenas um ano desde que tomamos posse mas hoje o nosso concelho está na linha da frente do desenvolvimento e do progresso”.

Sofia Madeira

Sofia Madeira é uma das professoras deste projeto, natural de Freixo de Espada à Cinta teve que sair do seu concelho para prosseguir os estudos em Bragança, “na altura com 14 anos, foi muito difícil ficar longe da família”, conta-nos.

Para a docente este novo projeto é uma oportunidade para os estudantes, as suas famílias e o concelho em si.

“A concretização deste objetivo do município é bastante positivo, quer para as famílias quer para os estudantes. A educação é um estímulo importante e que deve estar ao alcance de todos.

O ensino profissional é um percurso de ensino secundário com dupla certificação. Os formandos desenvolvem competências sociais, científicas e profissionais necessárias à atividade profissional, e também ao nível da aprendizagem e do crescimento.

Esta é também uma vantagem para as famílias que não têm que despender do seu orçamento mensal para que os filhos estudem. É um direito e um dever que qualquer criança tem”.

A vinda de estudantes estrangeiros é também um ponto de destaque para Sofia Madeira que vê neste fator uma oportunidade para todos os envolvidos.

“O facto de podermos, tanto formadores como formandos, partilhar tudo isto com estudantes de uma cultura diferente é muito interessante e importante. É uma visão estratégica diferente para o estímulo da empregabilidade no nosso concelho”.

Manuel Fortuna é um dos estudantes atualmente inscritos no curso de turismo. Depois de uma passagem por Vila Real, onde não se adaptou, foi estudar o mesmo curso para o concelho vizinho de Torre de Moncorvo, contudo, o início desta nova realidade em Freixo de Espada à Cinta fez com que optasse por ficar na sua terra natal.

Manuel Fortuna

“É sempre melhor ficarmos na nossa terra. Os cursos que aqui temos são uma mais valia para o nosso concelho e por isso acho que vai ser muito importante. O meu objetivo é poder ficar por Freixo depois a nível profissional, por isso também é bom podermos fazer o curso aqui”.

Para o estudante a vinda de colegas dos PALOP é vista como algo importante e interessante, pelo contacto com uma cultura diferente mas também porque significa ter mais gente jovem a residir em Freixo de Espada à Cinta.

“Ter colegas que vêm dos PALOP é muito positivo para nós como colegas mas também para o concelho porque há sempre mais gente aqui a frequentar os cafés ou o comércio por exemplo. Será também uma forma de haver mais movimento”.

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