Fontaínhas Fernandes é o novo presidente dos reitores

Aos 55 anos de idade, Fontainhas Fernandes é o escolhido para liderar o Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas. Em entrevista ao VivaDouro, o reitor da UTAD fala do que o levou a apresentar uma candidatura a este órgão e quais os seus objetivos na sua gestão.

A UTAD é hoje uma universidade reconhecida pelo seu público-alvo. De que forma é que as políticas por si implementadas ajudaram a este resultado?

As linhas essenciais de governação assentam no programa de candidatura a Reitor, resultante de um amplo e participado debate que acolheu a participação da academia. Nesta trajetória, tem sido determinante o envolvimento das pessoas nas decisões e a articulação entre as diferentes estruturas de governação. É evidente que no atual contexto global em permanente mudança, também tem sido vital o reforço da ligação com os agentes da administração, do conhecimento, as empresas e a sociedade.

O sucesso registado logo na 1ª fase das candidaturas este ano (cerca de 90% das vagas preenchidas) é um reflexo direto deste reconhecimento?

A notoriedade e a visibilidade da Universidade tem contribuído para a dinâmica de atração de estudantes. Mas, é fundamental que a Universidade continue a demonstrar à sociedade a sua aposta na qualidade de ensino, vocacionado para o desenvolvimento de atitudes e de competências favoráveis a mudanças tecnológicas e sociais, à inovação e capacidade criativa, bem como a sua ligação ao mercado de trabalho.

Em março deste ano foi reconduzido no cargo de Reitor da UTAD. Quais serão as linhas orientadoras deste ciclo?

O programa assume como objetivos principais para o novo ciclo a diversificação e crescimento no ensino, a focalização e reforço da investigação, e ainda a valorização do conhecimento com impacto no território. O cumprimento destes desígnios tem subjacentes estratégias de intervenção transversais, caso da internacionalização, da avaliação e qualidade, e a capacitação do campus enquanto laboratório vivo e uma marca distintiva.

Sente que o reconhecimento expresso pelos seus pares resulta da forma como se entrega à causa universitária, em especial do ponto de vista do interior do país?

A UTAD, enquanto instituição situada num território desafiante do chamado “arco do interior”, deve continuar a ser uma âncora de esperança para o desenvolvimento económico e social da região, promotora da fixação de população e de criação de emprego. O seu papel é determinante no fomento de uma região inovadora e competitiva, com uma base económica assente nos recursos endógenos e em pessoas qualificadas e inovadoras.

Já este mês de outubro foi eleito Presidente do CRUP. O que motivou a sua candidatura?

No conhecido cenário de globalização, de crescente mudança e de incerteza, a ação do CRUP deve potenciar a centralidade do conhecimento e da formação superior no desenvolvimento do país e da sua afirmação internacional. Mas, deve também ambicionar mecanismos de discriminação positiva para as universidades localizadas em territórios com maior dificuldade de atração de estudantes e com custos de formação superiores, umas das minhas principais bandeiras.

 

Do ponto de vista do Presidente do CRUP, quais são os principais desafios do ensino universitário público português?

A agenda do CRUP deve ser pautada por uma participação ativa na formulação e acompanhamento das políticas nacionais de educação e ciência, ambicionar maior autonomia num quadro de uma missão crescentemente contratualizada, reclamar a correção do crónico subfinanciamento das universidades pelos orçamentos públicos. É vital defender políticas de valorização e rejuvenescimento de recursos humanos e a justa integração e progressão de docentes, investigadores, técnicos e administrativos, articulados com estratégias que contrariem a drenagem de talentos e promovam o mérito, além de consolidar o mencionado papel dinamizador das universidades situadas em regiões periféricas e do interior.

Um dos objetivos do CRUP são as “’ações integradas’, projetos de investigação e desenvolvimento que visam estimular projetos científicos e estudos pós-graduados”. Pode ser a investigação o fator diferenciador do ensino superior público português?

O Futuro das universidades exige o reforço da investigação, enquanto fator estruturante de um ensino e de uma interação com a sociedade diferenciados. Mas, exige também o aprofundamento das dinâmicas de internacionalização e de interação com o tecido económico, produtivo e social. Deve, de igual modo, contemplar a consolidação de linhas de atuação ativas de abertura à sociedade e à inovação, de acesso e partilha de informação e a participação em redes de conhecimento.

Tendo em consideração que o CRUP deve “pronunciar-se sobre questões orçamentais do ensino universitário público”, quais são as suas expectativas quanto ao OE2018 para este setor?

Em primeiro lugar, importa garantir no presente ano o montante correspondente às alterações legislativas entretanto ocorridas, designadamente as despesas associadas ao reposicionamento remuneratório do título de agregado, a alteração do salário mínimo e do subsídio de refeição, bem como as despesas associadas à revisão do regime transitório da carreira docente politécnica. Quanto ao orçamento de 2018, é desejável consagrar a responsabilidade política de iniciar um processo de correção do mencionado crónico subfinanciamento das universidades pelos orçamentos públicos e, tendencialmente, alcançar a equiparação a referenciais europeus.

O CRUP é membro da Associação Europeia de Universidades. A esta escala, que medidas poderiam as instituições europeias implementar para fomentar, e melhorar, o ensino superior?

O Futuro passa, indubitavelmente, por dinâmicas de internacionalização em tudo o que a Universidade faça, no posicionamento, nas parcerias e nos referenciais de melhores práticas. Não devem, porém, tais dinâmicas serem isoladas nem ficar apenas confinadas no seio da Europa, na qual a Associação Europeia de Universidades tem particular relevância. De facto, no presente contexto de globalização, devemos considerar outros espaços, para além do europeu a que pertencemos e com cujo desenvolvimento estamos comprometidos, nomeadamente: o da língua portuguesa, do Mediterrâneo, do extremo oriente e das parcerias com instituições norte-americanas.