Setembro é tempo de regresso às aulas

Livros, cadernos, mochilas, horários, notas… este é o léxico que está de volta por estes dias que se regista o regresso às aulas.

Depois do final do ano passado ter ficado marcado pelo encerramento do Colégio Salesiano de Poiares, à Escola Secundária Dr. João de Araújo Correia, em Peso da Régua, chegam agora muitos dos alunos dessa instituição para uma nova etapa na sua vida estudantil.

Uma dessas alunas é Inês Vieira que chega acompanhada pela mãe, Luciana. O nervosismo, apesar da tentativa em disfarçar, é algum, sossegado por saber que terá a companhia de alguns dos seus colegas que farão a mesma mudança.

À saída da apresentação, Inês falou com o VivaDouro sobre este primeiro impacto, “esta escola é muito grande, tem muitos pavilhões, não tem nada a ver com o Colégio”.

Inês e os seus colegas que vieram do colégio estão todos integrados na mesma turma, “estarmos todos juntos vai facilitar a habituação até porque somos muito unidos, quando queremos algo fazemos acontecer”.

A mãe, Luciana, concorda com a filha e mostra-se confortável com esta situação, “obviamente que estar junto com os colegas que também vieram do colégio ajuda, fica mais fácil para todos eles”, contudo, isso não é suficiente para a descansar “fico um bocado preocupada. No colégio tinha um bom apoio que foi essencial na mudança dela de França para cá.

O que assusta mais aqui é a distância que existe entre professores e alunos, no colégio eram menos estudantes e permitia aos professores estarem mais atentos dentro e fora das salas de aulas, aqui acaba por ser diferente”.

Essa preocupação não é partilhada por Inês que já teve de mudar de escola quando veio de França no sétimo ano.

“Não me assusta esta mudança, já mudei algumas vezes. Vim de França no sétimo ano e essa mudança foi mais difícil do que esta que estou a viver agora, até porque o sistema é diferente e vim encontrar pessoas novas, aqui já tenho os colegas que conheço por isso a minha expectativa é boa”.

Por agora a expectativa é alta até porque, segundo nos diz, “já ouvi falar muito desta escola, coisas boas, por isso espero ter um ano tranquilo depois daquilo que vivemos no final do ano passado”.

Foi precisamente desta escola que saiu Maria Oliveira, não por mudar de escola mas de ciclo de ensino, entrou na universidade em Coimbra.

Portadora de surdez, Maria é um exemplo de superação, no último ano em especial debateu-se com o problema de falta de intérprete para acompanhar o ritmo das aulas nas melhores condições, no entanto, nem isso foi suficiente para a deter no seu objetivo, entrar na universidade.

“No início desta nova etapa é um bocadinho difícil. É tudo novo para mim. Claro, as saudades da minha terra e da família ficam… mas estou a conseguir ultrapassar os medos e as inseguranças. Estou a tentar reagir bem”.

O Instituto Politécnico de Coimbra será a sua nova casa a partir de agora e a escolha por esta instituição não foi feita ao acaso, além de aqui encontrar o curso que queria, encontrou também as melhores condições para estudar tendo em conta as evidentes limitações que pode ter.

“Escolhi o Instituto Politécnico de Coimbra da Escola Superior de Educação de Coimbra porque tem intérpretes e outros estudantes surdos. Também esta universidade tem a licenciatura que quero seguir: Comunicação e Design Multimédia.

Tendo em conta com a minha surdez, tenho apoios das intérpretes nas aulas, Claro que há algumas dificuldades, as barreiras de comunicação e a integração com a sociedade. Mas nisso consigo ultrapassar pouco a pouco”.

Maria espera também ser um exemplo para outros estudantes que, como ela, têm uma barreira a superar, “sou uma pessoa perfeitamente normal como os outros independentemente da minha surdez”.

No ensino superior pela primeira vez está também Catarina Almeida. Natural de Vila Real, esta recém universitária vai frequentar o curso de enfermagem, um sonho antigo que agora se começa a realizar. Quanto à escolha da universidade Catarina diz que a UTAD foi a sua primeira opção, não só por estar mais perto de casa como também pela reputação que esta instituição de ensino superior tem.

UTAD ultrapassa os 1350 alunos

“Sou daqui de Vila Real mas a minha escolha da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro deve-se sobretudo à reputação que a universidade tem, obviamente que ser de cá e estar perto de casa pesou na decisão.

A enfermagem é uma área que me fascina e que há muito eu queria seguir. Esta foi a minha primeira opção e estou muito feliz por estar aqui”.

A Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro é a instituição de ensino superior que alcançou o maior aumento de estudantes a nível nacional e a instituição localizada em regiões de menor pressão demográfica com a maior taxa de ocupação de vagas.

O número de candidatos que escolheram a UTAD, pela primeira vez ultrapassou os 1300, o que significa o maior número de estudantes colocados desde sempre na história da instituição. Em relação a 2014, foram colocados mais 307 candidatos, o que representa um aumento da taxa de ocupação de cerca de 17%. De igual modo, regista ainda um elevado número de candidatos em primeira opção.

O aumento de alunos é um desafio não só para a universidade mas também para a associação académica que por estes dias presta apoio aos novos alunos na sua matrícula, como nos diz o seu presidente António Vasconcelos.

“É um desafio que nós, em conjunto com a reitoria, quisemos abraçar. Houve aqui uma reestruturação interna que passou pelo encerramento de alguns cursos e renovação de outros como por exemplo a Ciência Alimentar que agora é Ciência da Nutrição. Engenharia informática foi outro dos cursos que foi remodelado, por exemplo, e que encheu todas as vagas disponíveis nesta primeira fase”.

Mas esta não foi a única mudança operada, também o percurso que os alunos fazem ao chegar à UTAD foi modificado para que todo o processo seja mais célere e mais confortável para eles e para quem os acompanha.

“Este ano reestruturamos o nosso funcionamento aqui, os alunos começam logo por ter um contacto mais informal com o seu curso através dos núcleos, o que os coloca logo mais à vontade. Em seguida temos as nossas secções, da cultura ao desporto, que estes novos alunos podem ficar a conhecer e inscrever-se. Depois temos os serviços académicos e um inquérito que nos permitirá ficar a conhecer melhor o perfil dos nossos estudantes. Quase a terminar têm o contacto com as escolas onde têm oportunidade de se matricular nas unidades curriculares e ter o primeiro contacto com a plataforma digital que vão usar durante o seu percurso. Finalmente passam pelos elementos do banco onde irão receber o seu cartão de aluno, e pala associação académica onde lhes é oferecido o kit do estudante”.