Entre Cidades traz a cultura de volta aos palcos

No total serão 81 espetáculos grátis, divididos por três cidades (Peso da Régua, Braga e Matosinhos), em três fins de semana distribuídos pelos meses de maio, junho e julho. Os primeiros concertos aconteceram nos dias 15 e 16 de maio.

O festival Entre Cidades é um projeto que resulta da união de esforços de municípios, associações, profissionais de cultura, instituições públicas e privadas e, claro, de artistas, com o objetivo de descentralizar iniciativas artísticas e, ao mesmo tempo, criar sinergias territoriais, como afirmou à nossa reportagem José Manuel Gonçalves, autarca reguense.

“O objetivo deste festival é agregar sinergias e trazer espetáculos à nossa cidade que, de outra forma, seria impossível trazer ao preço que assim conseguimos.

Cada vez mais é importante este trabalho em rede, com outras cidades, com gente que tem os seus programas, como já fazemos no território. Agora queremos começar a fazer fora, com outros públicos e outros agentes, é um pouco esse o espírito que está subjacente a este festival”.

Para o autarca, a realização deste evento é também importante como resposta à crescente procura que a autarquia regista por parte dos munícipes na realização de eventos culturais, bem como para aumentar o leque de oferta de atividades aos turistas que visitam a cidade.

“É importante para o município em função da procura crescente que começamos a registar, apesar de ainda estamos numa fase onde temos que nos cingir a pequenos espetáculos.

Peso da Régua é uma zona por excelência com muito alojamento turístico, com muita restauração e portanto é evidente que temos de ter eventos que sirvam os interesses dos nossos munícipes, ao mesmo tempo que complementam a oferta para quem nos visita”.

L Pertués foi um dos artistas que subiu ao palco do Museu do Douro logo no primeiro dia, numa versão mais intimista, com apenas dois elementos em palco, o músico vila-realense mostrava-se, no final da atuação, bastante satisfeito com este regresso aos palcos.

“Para nós é bom o regresso, ficamos contentes por regressar e poder fazer aquilo que gostamos. Esperamos que com estas apresentações as pessoas comecem a ganhar confiança e a voltar a adquirir o gosto pela presença no espetáculo porque o público faz parte do espetáculo.

Este regresso acaba por ser uma extensão da nossa sala de ensaios até porque estamos só os dois em palco, não foi um espetáculo com a banda toda, aí talvez fosse diferente. A felicidade do regresso ultrapassa a parte da estranheza em regressar aos pacos”.

Vitor Hugo Ribeiro, nome verdadeiro do artista, afirma ainda que este tipo de eventos se reveste ainda de maior importância por se realizarem no interior, permitindo a que também as populações desta região tenham acesso à cultura, fomentando o aparecimento de novos projetos.

“É importante para nós, que habitamos aqui, ter a hipótese de ir a palco. Depois para o público, poder participar no espetáculo, penso que também seja importante. Este crescer de atividades possibilita que jovens artistas da região se sintam motivados a continuar o seu trabalho e enveredar por este caminho”.

Outra artista que subiu ao palco neste primeiro fim de semana foi Emmy Curl, também natural de Vila Real, tendo atuado no Teatrinho.

No final da atuação a artista falou à nossa reportagem confessando que estava receosa com o regresso e a estranheza por ter o público à sua frente de máscara.

“Foi o primeiro concerto oficial neste regresso. Receava que corresse pior até porque já estou há mais de um ano parada, quando estamos parados por muito tempo as coisas demoram a arrancar.

É muito diferente ter as pessoas todas com máscara porque não há aquele ping pong habitual de ver um sorriso na cara e isso dá-nos um feedback da reação do público mas é uma realidade com a qual agora temos que nos habituar”.

Catarina Miranda, nome real de Emmy Curl, saúda ainda o regresso aos palcos com uma crítica às medidas que abrangeram o setor da cultura que espera que agora tenha outra atenção.

Há muitas medidas, muitas restrições que, no meu ponto de vista, não fazem muito sentido. A cultura foi dos setores mais prejudicados e comparando com outros setores sentimo-nos um pouco injustiçados. Contudo prefiro olhar pelo lado positivo e agora estamos a voltar à carga com concertos e eventos.

Chegamos a um ponto em que o excesso de oferta nesta área deu às pessoas um sentimento de “dado adquirido”, com a paragem forçada devido à pandemia aquilo que eu espero é que as pessoas comecem a dar o devido valor à cultura.

A programação nos palcos reguenses foi da responsabilidade do Club de Vila Real com a parceria institucional do Município do Peso da Régua. O financiamento é assegurado ao abrigo do programa Norte2020, promovido pela CCDR-N.

Manuela e Inês Figueiredo

É sempre agradável assistir a estes espetáculos, trazem vida à cidade e espero que surjam mais iniciativas destas.

É excelente estar aqui novamente, em especial com artistas que eu não conhecia. Trazer a cultura nacional, artistas e pessoas novas à nossa cidade, poder assistir a um espetáculo com pessoas que não conhecemos ao nosso lado é espetacular.

Elizabete, Rafael, Simão

É um sentimento de liberdade, de expressão, de criatividade.

É incrível poder estar aqui apesar de considerar um pouco injusto para os artistas (como falava com os meus amigos) ler a audiência porque estamos todos de máscara.

Não conhecia os artistas que temos visto até agora mas têm sido surpresas bastante positivas e estou a gostar bastante.