Exposição de foto-arte digital no Museu Diocesano de Lamego

A exposição está presente no Museu Diocesano da cidade

A exposição está presente no Museu Diocesano da cidade

Apesar da nacionalidade espanhola, Fausto Marsol nasceu no Porto. Dos 7 aos 20 anos o autor viveu em Lamego, confessando que foi na cidade que se tornou “pessoa”. A exposição “Mutações (1) ” está presente no Museu Diocesano, até dia 4 de março, onde estão expostas 32 das 50 obras de foto-arte digital realizadas por Fausto Marsol.

“Sou um indivíduo inquieto e multifacetado”, é assim que Fausto Marsol se caracteriza. O autor com formação em psicologia clínica contou ao VivaDouro que trabalhou, maioritariamente, em empresas, tendo também sido consultor, mas afirma que a escrita e a fotografia estiveram sempre presentes na sua vida.

“Desde pequeno que sempre li muito e me interessei pela cultura e, quando vim para Lisboa, com 20 anos, tinha uma enorme vontade de ver tudo”, revelou Fausto Marsol, relembrando que a escrita começou ainda nos bancos da escola em Lamego, com uma redação que escreveu e que, naquela altura, “foi muito elogiada”.

O gosto pela escrita e fotografia sempre estiveram ligados, contudo o autor confessou que a fotografia só há pouco tempo começou a “ganhar força” na sua vida, contando que um contributo essencial para isso foi o “desenvolvimento que a arte fotográfica tem tido através do digital”.

No ano de 2014, Fausto Marsol esteve internado por questões de saúde e, “preso” a uma cama de hospital, o computador foi o seu companheiro. “O projeto Mutações (1) nasceu no hospital de Santa Maria, no piso oito de pneumonologia”, contou o escritor, acrescentando que o ponto essencial do seu trabalho foi “escolher uma fotografia e começar a transformá-la”. Fausto Marsol começou a brincar, a alterar algumas coisas às quais as pessoas reagiram “muito bem”.

A fase seguinte do projeto de foto-arte digital foi “como passar as fotografias do computador para um espaço que pudesse ser visitado e, com a ajuda de uma empresa, chegamos à conclusão que a impressão em tela resultaria muito bem”, declarou o autor. Mutações (1) assume-se então como “um projeto essencialmente estético e como uma ilustração da possibilidade de alterar realidades, transmutando-as numa outra coisa-objeto, que assim ganha uma beleza que antes lhe era alheia, através da modificação da forma e das cores”, afirmou.

“Decidi chamar ao projeto Mutações (1), porque aquilo que eu estava a provocar na imagem eram mudanças, transformá-las em outra coisa”, afirmou Fausto Marsol, salientando que nessa altura, ainda “não tinha noção que essa mutação também se devia a uma mudança interna minha, era uma mudança de cenário para mim”.

O autor, que atualmente vive em Lisboa, acredita que “há uma necessidade a certa altura, em que nos renovamos ou definhamos, pois tal como a natureza, todos precisamos de uma renovação”.

O autor viveu dos 7 aos 20 anos em Lamego

O autor viveu dos 7 aos 20 anos em Lamego

Para Fausto Marsol este projeto é “uma inovação no campo da arte e, por vezes, a reação das pessoas é que a minha peça é uma pintura, não acreditam à primeira vista que se trata de uma fotografia”, contou o portuense frisando que, “para mim é uma inovação, uma revolução porque é uma outra faceta e eu desconhecia que tinha esta capacidade”.

A escolha de Lamego para expor o projeto foi um ato “emocional”, “o primeiro momento foi de alegria, reencontro mas, neste momento, tenho uma certa tristeza pois não correspondeu às minhas expectativas, seja na frequência que tem tido, como do ponto de vista comercial”, contou o autor ao VivaDouro, salientando que “ não há muito feedback, mas o feedback que há é muito bom e isso já é bastante positivo”.

Fausto Marsol revela ainda que a Associação dos Antigos Alunos do Liceu foi “fundamental para a minha própria decisão de fazer a exposição em Lamego, e para que a exposição se concretizasse”.

Se pudesse escolher apenas uma palavra para descrever o projeto Mutações (1), o autor escolheria “emoções”, pois na sua opinião, “são muito básicas em termos de desenvolvimento e no fundo são as nossas formas de expressão”. “O próprio início do trabalho é um ato emocional porque perante a adversidade, trata-se de dar a volta e começar a transformar as peças em algo bonito”, concluiu Fausto Marsol.

 

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