Há gente no Douro Sul, há muitos anos, a fazer bem à saúde !

12295015_1025542170831145_1462418590_oA minha homenagem de reconhecimento a todos os profissionais do Agrupamento de Centros de Saúde do Douro Sul.

A vida profissional colocou-me bem perto das organizações de saúde no douro sul, mais concretamente dos cuidados de saúde primários.

Em 2009 a reforma dos cuidados de saúde primários dava os primeiros passos e eu tive a oportunidade de embarcar neste extraordinário desafio.

Um trabalho que no primeiro embate não promovia simpatia nas estruturas que há muito tempo tudo faziam para dar as melhores condições de saúde às pessoas desta região.

As mudanças provocam sempre desassossegos e quem tem a missão de as concretizar nem sempre vai preparado para entender as especificidades das organizações. Foi o meu caso.

A dada altura tudo se tornou mais fácil. O conhecimento das especificidades do setor da saúde e o bom senso, permitiriam um ganhar da confiança.

Foram, até 2014, anos de uma experiência de vida irrepetivel, e de uma vivência técnica e humana que nunca mais esquecerei. Anos da minha vida, marcantes.

Passado este tempo, agora menos envolvido, há afirmações que posso com autoridade fazer:

A generalidade dos profissionais no Agrupamento de centros de saúde do douro sul, são excelentes profissionais e deles poderemos estar orgulhosos e reconhecidos pelo trabalho que ao longo de tantos anos por nós têm feito. Falo de médicos, de enfermeiros, secretários clínicos – os primeiros a aturar-nos quando precisamos dos serviços de saúde- e outros profissionais de todas as unidades, por exemplo da saúde pública e serviços de apoio.

Vou, para não ser injusto, falar de um nome grande na saúde desta região e neste nome englobo todos os que me tocaram profundamente, pela elevação humana e pela sua entrega como profissionais. E, esse nome é, José Carlos Simões de Carvalho, médico de família, reconhecidamente um profissional de excelência e, o que nem todos os cidadãos da região sabem, porque sempre esteve disponível para os consultar, foi o primeiro Diretor Executivo deste ACes. Notoriamente é um líder e gestor de visão, de uma inteligência incomum, grande competência e sensibilidade. Com enorme capacidade de criar equipas e dar espaço de criatividade e procura de soluções. E, algo muito raro, de uma humildade incrível. O douro sul ganhou e ganha tanto com a sua dedicação como médico, gestor e cidadão interessado e profundamente conhecedor das realidades da saúde nesta região.

O douro sul, como organização de saúde não existia e o Agrupamento de centros de saúde nasceu do nada. Rápidamente, mesmo com tão poucos recursos, foram construídas, em equipa, pontes e soluções inovadoras e facilitadoras para profissionais e utentes dos serviços. Havia uma estratégia clara, fazer do ACes uma marca de referência que permitisse aos cidadãos sentir orgulho nos serviços que lhes eram colocados à disposição. Também nesses anos procedeu-se a uma reformulação quase total de todos os edifícios dos centros de saúde e construí -se de raiz o serviço de urgência de Moimenta da Beira.

Não querendo ser exaustivo, resta-me, neste artigo de exercício de opinião pessoal, deixar, focando só um nome, mas desejando tanto falar de muita gente, a minha mais profunda homenagem a todos os profissionais do Agrupamento de centros de saúde do douro sul, porque, tendo estado bem perto deles, do seu trabalho, dos seus problemas e inquietações, mas também dos seus sorrisos e esforços continuados, posso afirmar que a região só consegue os resultados em saúde que tem vindo a conseguir pela entrega destes profissionais.

O douro sul precisa apoiar o esforço dos profissionais da saúde e não os deixar sozinhos . É urgente dar passos no terreno das soluções, juntando vontades e recursos mas de forma objetiva e concreta.

Como dizia o Presidente da Câmara de Moimenta da Beira, José Eduardo Ferreira, “a região ou cresce em conjunto, ou desapareçe em conjunto”. O douro sul, no que à saúde diz respeito precisa dar as mãos e em conjunto, promover novas respostas tendo em conta a nova realidade demográfica.

Urge encontrar soluções que não deixem os profissionais em exaustão, que nem nas merecidas férias, se libertam de uma enorme pressão. A dimensão das unidades de saúde, tendo em conta a tendência de redução do número de utentes, e em consequência com equipas muito pequenas, impedem uma intersubstituição dos profissionais .

Há um caminho iniciado que tem que ser retomado, ou seja, unir funcionalmente unidades de saúde, mantendo abertas todas, e permitir dessa forma a escala organizacional mínima e de capacidade formativa de médicos e outros profissionais em todo o douro sul.

Não me canso de referir a importância que teria, que o SNS, com o ACes douro sul – cuidados de saúde primários e o Hospital de Lamego, juntos, se constituíssem numa estrutua de saúde para todo o douro sul e depois disso, dessem as mãos com os municípios e as ipss.

Desta forma, este território será um espaço de crescimento e consolidação dos cuidados de saúde.

Douro sul,

Dar as mãos, também faz bem à saúde.