História do lendário Magriço agora aos quadradinhos

Depois de ter sido já eternizada no canto VI dos Lusíadas, a história de Álvaro Gonçalves Coutinho, habitualmente reconhecido como “Magriço”, lendário cavaleiro de Penedono, foi agora transportada para Banda Desenhada, pelas mãos de Pedro Emanuel.

Após Carlos Esteves, presidente da Câmara Municipal de Penedono, ter lançado o desafio, surgiu a ideia de transformar a história do Magriço em Banda Desenhada. “A figura histórica de Álvaro Gonçalves Coutinho, carecia de uma abordagem diferente e, por conseguinte, do ponto de vista da divulgação o suporte em Banda Desenhada cumpria esse desígnio”, contou Pedro Emanuel ao VivaDouro.

De acordo com o artista, o gosto pelas artes plásticas, nomeadamente pela pintura, a ilustração e o desenho, foram outros dos ingredientes que serviram como impulsionadores para a realização deste projeto, “a motivação é já de si, uma motivação originária ou, se quisermos, quase inata”, explica o professor de Psicologia e Filosofia.

“Infelizmente reina uma certa desabituação nos hábitos de leitura, em grande parte porque hoje vivemos numa sociedade que vive muito da imagem. Basicamente criou-se e divulgou-se, um pouco a ideia de que não há tempo para ler”, afirma Pedro Fernandes, ao mesmo tempo que explica que “a Banda Desenhada possui características impares que subtilmente apelam ao interesse e seduzem os leitores”.

Na perspetiva do autor esta forma de arte “alia a imagem ao discurso escrito, o icónico ao verbal, funcionando como um atrativo e sedutor género narrativo”. Desta forma, “é muito mais fácil levar um pedaço de história ao conhecimento dos jovens e dos adultos”, acrescentou.

“Elaborar uma Banda Desenhada, pela primeira vez, é sempre um desafio que deve ser abraçado com toda a dedicação e empenho”, referiu Pedro Emanuel. Até ao produto final, o autor teve de passar por várias etapas para a realização do projeto. Assim, o primeiro passo foi a pesquisa de documentação histórica, “evidentemente que os factos históricos não retirarão a criatividade ao autor, pelo contrário, constituem-se como âncora ou espécie de farol que orienta a criação”, esclareceu.

A fase seguinte passa pela elaboração de um guião da história, com apoio nos dados históricos, que irá servir como base para a sequência de pranchas desenhadas. Por último, a realização do desenho pode ser realizada através de apoio de suportes digitais, ou com os tradicionais materiais de pintura.

“Nesta BD entendeu-se que seria pedagogicamente de suma importância elaborar uma exposição itinerante com quadros das pranchas realizadas, que estivessem à disposição das instituições públicas ou privadas para percorrer o país e divulgar a figura histórica de Álvaro Gonçalves Coutinho e por consequência o concelho de Penedono”, explicou Pedro Emanuel.

A exposição já percorreu vários concelhos, entre eles, Castelo Branco, Guarda, Viseu, Covilhã, Tabuaço, bem como instituições. Até ao momento o autor considera que o balanço tem sido “extremamente positivo uma vez que as pessoas reconhecem as potencialidades da Banda Desenhada como meio auxiliar no processo de aprendizagem, mas também como forma de divulgação da identidade local e das referências históricas a ela associadas”.

A exposição de pranchas de banda desenhada, que conta a história do cavaleiro que partiu de terras beirãs para Inglaterra, pode ser encontrada em exibição, até ao dia 24 de maio, na Galeria da Real Fábrica de Panos do Museu dos Lanifícios na Covilhã.

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