“LínguaLer” pretende combater dificuldades de aprendizagem

A Unidade de Dislexia da UTAD e Santa Marta de Penaguião estão unidos nesta iniciativa

A Unidade de Dislexia da UTAD e Santa Marta de Penaguião estão unidos nesta iniciativa

Alunos do último ano do pré-escolar do município de Santa Marta de Penaguião encontram-se a participar no projeto “Língua Ler” que visa combater as dificuldades de aprendizagem. A ação é promovida pela Unidade de Dislexia da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD) em parceria com a autarquia de Santa Marta de Penaguião.

Com o principal objetivo de detetar as crianças em risco de ter défice de desenvolvimento da linguagem e dislexia e procurar respostas científicas para esse combate, o projeto “Língua Ler” surgiu na sequência de um rastreio às crianças do ensino básico do concelho.

O rastreio, neste momento, encontra-se a ser feito com as crianças de cinco anos do concelho, porque “a investigação mostra-nos para começar o mais cedo possível e para o ano estas crianças terão seis anos e vão para o primeiro ciclo”, frisou Ana Paula Vale, acrescentando que o principal objetivo é “detetar as crianças que estão em risco de atraso de desenvolvimento da linguagem, que sustenta a aprendizagem da leitura e da escrita”.

Luís Machado, presidente da Câmara Municipal de Santa Marta de Penaguião, referiu que “a parceria surgiu pela aposta na educação, porque o município só tem futuro através do conhecimento”.

 “Estamos no início, primeiro fizemos a avaliação das crianças para percebermos em que níveis se encontram, agora estamos a aplicar o programa”, declarou a psicóloga.

Para Luís Machado, “este programa visa essencialmente fazer o despiste das dificuldades ligadas à linguagem, com a finalidade de acompanhar as crianças para que ultrapassem as suas dificuldades e estejam em condições de adquirir conhecimento”, afirmou o edil.

Para além do apoio às crianças, o projeto passa também por sessões de formação às professoras, “à medida que aplicamos o programa de desenvolvimento, este vai ficando nas mãos das educadoras”, contou Ana Paula Vale, revelando que todas as atividades desenvolvidas no projeto são realizadas pela Unidade de Dislexia, “somos nós que desenhamos os jogos, apropriados à idade das crianças e cujo conteúdo tem sempre a ver com a linguagem”.

Ana Paula Vale salienta a importância da formação avançada das educadoras, uma vez que “vão aprofundar e adquirir ferramentas, não apenas no domínio do desenvolvimento da linguagem, mas também na deteção precoce de casos em risco de perturbações no desenvolvimento”, concluiu.

O programa divide-se em sessões de meia hora, quatro vezes por semana. “Duas sessões são feitas por nós com as educadoras a assistir, as outras duas são feitas pelas educadoras com os materiais que nós deixamos”, explicou a responsável.

 Este sistema vai durar todo o ano com as crianças de cinco anos e, para o próximo ano, serão introduzidas no projeto as crianças de quatro anos. “Nessa fase do projeto, as educadoras irão repetir a aplicação do programa às crianças de cinco anos, connosco a supervisionar e nós, vamos trabalhar diretamente com as crianças de quatro anos”, revelou Ana Paula Vale.

No que diz respeito à adesão ao projeto da parte dos pais, o presidente da autarquia revela que, “foi excelente porque ajudamos as crianças a superar qualquer obstáculo e também prestamos um apoio às famílias para melhorar as capacidades das crianças”, frisou o edil.

Com a aplicação deste projeto, a psicóloga acredita que “é uma forma de capacitar as crianças, de potenciar as suas capacidades de linguagem para entrarem na escola o melhor equipadas possível”, afirmou, acrescentando que “a investigação mostra que a linguagem é dos principais fatores do sucesso escolar e tanto a aprendizagem da leitura como da escrita, dependem de uma maneira muito intensa do desenvolvimento da linguagem”.

O projeto “LínguaLer – Sucesso para Todos” decorre ao longo de todo o ano, em Santa Marta de Penaguião, e será avaliado no final do ano letivo, voltando a realizar-se no próximo ano.

A dislexia afeta atualmente uma em cada 20 crianças em idade escolar e pode ser uma síndrome para toda a vida, contudo o diagnóstico atempado e o acompanhamento especializado reduzem os seus impactos negativos na vida dos cidadãos.

A Unidade de Dislexia da UTAD existe desde 2005 e tem como principal função o diagnóstico de perturbações no desenvolvimento.

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