Pinhão reivindica eletrificação da linha do Douro para servir populações

Durante o fim de semana, as operadoras Barcadouro, Rota Ouro do Douro e Tomaz do Douro criticaram o "mau serviço" da transportadora ferroviária, queixando-se das "consequências negativas" nas empresas e no turismo na região/ Foto: Direitos Reservados

Junta de Freguesia do Pinhão reivindica eletrificação da linha do Douro para servir populações/ Foto: Direitos Reservados

A Junta do Pinhão, Alijó, defendeu recentemente que a eletrificação da linha do Douro é “urgente e prioritária” para prestar um melhor serviço primeiro às populações, depois aos visitantes e finalmente aos operadores turísticos.

A Junta de Freguesia do Pinhão, vila atravessada pela linha do Douro, disse, em comunicado, que está a acompanhar a recente polémica sobre as condições do transporte ferroviário, depois de três operadoras turísticas criticarem o “mau serviço” da CP – Comboios de Portugal, a supressão de ligações, a falta de lugares sentados nas carruagens ou as avarias no ar condicionado.

“Não pode esta Junta de Freguesia ficar alheia ao rumo que esta discussão está a levar, centrando-a nos interesses comerciais dos operadores turísticos. A linha do Douro serve uma região com mais de 200 mil habitantes e representa a única forma de transporte ao longo do canal do Douro, registando nos últimos anos um crescimento relevante de passageiros”, sublinhou a autarquia.

A autarquia acrescentou ainda que a “falta de um profundo investimento, quer ao nível da infraestrutura quer ao nível da operação por parte da CP, tem retardado a afirmação turística da região e contribui negativamente para a imagem do vale do Douro”. Sublinhou ainda que “esta linha deverá rapidamente sofrer as intervenções necessárias com o objetivo de prestar um melhor serviço, primeiro às populações que serve, depois aos visitantes que procuram a região e finalmente aos operadores turísticos que, curiosamente, não tem, na sua generalidade sede no vale do Douro”.

Nesse sentido, a Junta de Freguesia considerou “urgente e prioritária a eletrificação da linha do Douro prevista no Plano Estratégico de Transportes e orçada em 56 milhões de euros (entre Caíde e Pocinho)”. A modernização da linha do Douro permitiria ainda, segundo esta autarquia, “aumentar o número de comboios diários nos períodos de maior procura, reduzir os custos de exploração e conferir maior segurança à circulação”.

Também no dia 29 de agosto, em Vila Real, os deputados do PSD Luís Leite Ramos, Pedro Pimental e Manuela Tender reuniram com o presidente da Entidade Regional Turismo do Porto e Norte de Portugal, Melchior Moreira, para debaterem o serviço ferroviário do Douro. Melchior Moreira lembrou que há anos que defende a eletrificação da linha do Douro para a região ser “mais competitiva, ter mais qualidade, mais oferta e para se aproximar mais do Porto”. “É um esforço que tem que ser assumido pelos Governos”, frisou.

Por sua vez, Luís Leite Ramos referiu que o anterior Governo PSD/CDS assumiu a eletrificação entre Caíde e Régua como “uma prioridade”, uma questão que disse ter “sido desvalorizada” pelo actual executivo.

Após as críticas das operadoras, a CP reconheceu que está a ter dificuldades em responder “aos crescimentos brutais” da procura na linha do Douro porque “a capacidade não é ilimitada” e adiantou que está a tentar encontrar soluções com a tutela.

O parlamentar sublinhou que “é a primeira vez” que ouve este argumento e que este crescimento do número de turistas significa que “há futuro para a linha do Douro”, agora, acrescentou, é preciso é “não destruir” a imagem deste território.

O deputado disse ainda estar à espera de resposta ao pedido de audiência com o presidente da CP e sublinhou que, se a transportadora “tiver o engenho de aproveitar” estas dinâmicas, “é possível aproveitar o turismo na região por mais tempo, para além da época alta”.

Melchior Moreira afirmou que “o comboio é uma grande alavanca da promoção turística do Douro”. Considerou ainda que o crescimento do número de visitantes no Porto e no Norte se deve “também ao empenho do setor privado” e sublinhou que “as entidades públicas só têm que ser facilitadoras”.

 

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