Costa absoluto no país e no Douro

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Costa absoluto no país e no Douro

É necessário recuar a 2005 para encontrar um resultado igual para o Partido Socialista, nos círculos eleitorais abrangidos pela região Douro. Bragança, Guarda, Vila Real e Viseu terminaram a noite pintados de rosa, contribuindo para a maioria absoluta de António Costa.

Numa noite de várias surpresas são vários os pontos que merecem alguma atenção. Desde logo a maioria absoluta alcançada pelo Partido Socialista, a segunda da sua história, que conseguiu eleger 117 deputados, faltando ainda  contabilizar os círculos da emigração.

No lado oposto, o PSD bate o resultado de 2019 e regista o pior resultado da sua história. O pior resultado da história foi também o que registou o CDS-PP, o partido liderado por Francisco Rodrigues dos Santos não elegeu qualquer deputado, algo que nunca tinha acontecido desde a Revolução dos Cravos.

À direita o crescimento do CHEGA, que será agora a terceira força política no parlamento, com 12 deputados, deu a André Ventura o mote para um discurso onde assume a liderança da oposição ao Governo.

De assinalar ainda o crescimento da Iniciativa Liberal que contará agora com um grupo parlamentar de oito deputados, mais sete do que em 2019, e a manutenção do lugar para o Livre que, depois da eleição de Joacine Katar Moreira em 2019, elege agora o seu líder Rui Tavares.

Bloco de Esquerda, CDU e PAN são outros derrotados da noite. O partido liderado por Catarina Martins perdeu 14 deputados, ficando agora com cinco, menos um que a CDU, que baixou dos 12 para seis. O PAN, que tinha quatro deputados, regressa agora ao resultado de 2015, com apenas um eleito, a porta-voz do partido, Inês Sousa Real.

A segunda maioria absoluta do Partido Socialista em eleições legislativas, corresponde também à segunda maioria absoluta na região, olhando aos resultados distritais e concelhios, do partido liderado por António Costa.

Olhando de forma mais aprofundada para a realidade do Douro, em termos de deputados eleitos, a região consegue ainda manter os cinco deputados, com mudanças de rostos mas o mesmo balanço de forças, dois para o PS, três para o PSD.

Distrito a Distrito

Bragança | O distrito transmontano foi o primeiro da região com a contagem fechada. No circulo eleitoral mais equilibrado da noite, o Partido Socialista superiorizou-se ao PSD por escassas duas décimas, o suficiente para reclamar dois, dos três deputados eleitos neste círculo eleitoral.

Nos três concelhos bragançanos que integram a CIM Douro (Carrazeda de Ansiães, Freixo de Espada à Cinta e Torre de Moncorvo), só Carrazeda registou uma vitória social-democrata. Contudo, no distrito nenhum deputado foi eleito pelos concelhos durienses.

O surpreendente crescimento do CHEGA nestas eleições a nível nacional, também aconteceu em Bragança com o partido de André Ventura a chegar aos 8,55%, um resultado que lhe dá o terceiro lugar, e que é superior à soma dos restantes partidos sem parlamentares no distrito, entre os que têm representação nacional.

Guarda | Com apenas um concelho no território da CIM Douro, Vila Nova de Foz Côa, o distrito da Guarda foi o que garantiu uma vitória mais folgada a António Costa. No distrito beirão o PS concentrou 45,10% dos votos, uma vantagem superior a 11 pontos percentuais para o PSD (33,52%), cimentando assim a vitória que já trazia de 2019.

Apesar da derrota social-democrata, é na bancada laranja que se irá sentar um dos deputados eleitos pela região, Gustavo Duarte. O ex-autarca fozcoense garantiu a eleição para um lugar que já ocupou entre 2002 e 2003.

É ainda neste distrito que Bloco de Esquerda (3,07%) e CDS-PP (2,21%), garantem a melhor votação nos distritos da CIM Douro.

Vila Real | Os dois deputados socialistas eleitos, Francisco Rocha e Agostinho Santa, são ambos do círculo eleitoral de Vila Real. Na única capital distrital da região do Douro, o Partido Socialista obteve uma vitória clara, assegurada a nível concelhio e distrital. No final da noite, os 41,29% dos votos sublinharam a mudança na maioria dos deputados eleitos por este círculo.

Apesar do aumento do número de votos expressos, reflexo da queda da abstenção, o Partido Social Democrata consegue apenas 40,01% dos votos, perdendo um deputado, e o domínio laranja no concelho de Vila Real. Nos concelhos deste distrito que integram a CIM Douro, apenas Murça garantiu uma vitória a Rui Rio.

Entre os partidos que não elegeram qualquer deputado no distrito, o destaque vai para o CHEGA, que passa de sétima para terceira maior força política com 7,19% dos votos. Em quarto lugar surge o Bloco do Esquerda (2,32%), seguido da Iniciativa Liberal (1,80%), CDU (1,69%), CDS-PP (1,58%), PAN (0,77%) e Livre (0,55%).

Viseu | Outrora apelidado de “Cavaquistão”, Viseu regressa às mãos do Partido Socialista, reeditando assim a vitória de 2005.

Apesar de um empate no número de deputados, PS e PSD elegeram quatro deputados cada um, a vitória socialista é conseguida com uma margem próxima dos 5% (PS 41,55%; PSD 36,81%).

Hugo Maravilha, um dos nomes do Douro nas listas sociais-democratas conseguiu a eleição para a Assembleia da República, no distrito onde mais concelhos deram a vitória a Rui Rio.

É também no distrito viseense que o PSD consegue a sua maior vitória concelhia. Em Sernancelhe, o Partido Social Democrata alcançou os 55,56%, 28 pontos percentuais à frente dos socialistas que ficaram pelos 27,46%.

Numa noite que fica marcada, tanto a nível nacional como regional, pela vitória absoluta do Partido Socialista, resta ainda sublinhar alguns dados que merecem destaque.