Douro com 60 milhões para valorização turística

O ex-Ministro da Economia, Manuel Caldeira Cabral, e a Secretária de Estado do Turismo, Ana Mendes Godinho, assinaram no início deste mês, na Régua, um conjunto de protocolos ligados ao enoturismo e à valorização turística do Douro.

O ex-Ministro da Economia presidiu ainda à sessão de assinatura do contrato PROVERE Douro 2020, entre a Autoridade de Gestão do Norte 2020 e a CIM Douro, que, numa perspectiva de qualificação do território, “prevê um investimento total de 11,8 M€ em 24 projectos âncora, a executar entre 2018 e 2020”.

Juntando este investimento do PROVERE ao que já foi aprovado no Douro, o montante total a aplicar nesta região atinge praticamente 60 milhões de euros.

Além destes contratos, Caldeira Cabral presidiu também à assinatura do contrato de financiamento para a valorização turística da Estrada Nacional 2 e que visa “capacitar os territórios que são atravessados pela sua rota com base na sinalização, promoção e produção de conteúdos”, bem como à formalização dos protocolos entre o Turismo de Portugal e o IVDP para a criação de cursos específicos sobre Vinhos do Porto e do Douro, nas Escolas de Hotelaria e Turismo, e com a UTAD, para a disponibilização de um programa de formação em enoturismo.

Para Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo, “o enoturismo é um produto estratégico pela capacidade que tem de atrair um público com elevado poder de compra, que valoriza o território e os produtos locais, e pela grande diversidade de oferta que temos em todo o país, que permite ter várias âncoras de atracção em todo o território. É esse o caso do Douro, e estes projectos vão permitir estruturar e capacitar ainda mais o destino Douro, o que nos permitirá posicionar-nos como um dos destinos top de enoturismo no mundo”.

Projeto de sinalização turística vai avançar

A Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro) vai avançar com um projecto de sinalização turística e um plano de marketing para projectar o território, num investimento de cerca de três milhões de euros incluído no programa PROVERE.

A sinalização turística do Douro tem como objectivo a actualização do plano de sinalização existente e a instalação de sinalização rodoviária de orientação, representando um investimento de cerca de 1,9 milhões de euros.

Nuno Gonçalves, vice-presidente da CIM Douro e presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, destacou o projecto que vai permitir colocar uma “sinalética congruente e igual nos 19 municípios” que fazem parte desta comunidade intermunicipal. “Uma sinalética uniforme que permita sabermos quando entramos ou saímos do Douro e não tratarmos o Douro como sub-regiões”, frisou.

O projecto de marketing territorial mobiliza um investimento de 988 mil euros. Para Nuno Gonçalves, este plano visa “promover a marca Douro, dar a conhecer o que de melhor esta região tem e uniformizar essa promoção dentro e fora de Portugal”, sustentou o autarca.

O PROVERE para o Douro foi muito criticado a nível local, com os autarcas a queixarem-se que o valor “ficou muito aquém das expectativas”.

“Foi o PROVERE possível, não aquele que os municípios defendiam, mas que agora que vão aproveitar em prol da região”, salientou Nuno Gonçalves.

Autarcas não deixam cair Linha do Douro

Os autarcas do Douro aproveitaram a presença do ministro da Economia, na Régua, para reivindicarem o prolongamento da Linha do Douro até Espanha, um projecto reclamado localmente e sobre o qual, dizem, o Governo tem “mantido o silêncio”.

“Este projecto é um desígnio nacional, é um projecto que do ponto de vista técnico e económico é justificado. Não podemos deixar cair este tema. Não consigo entender o silêncio que tem havido por parte do Governo português”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Peso da Régua, José Manuel Gonçalves.

E, para não deixar cair o tema, o autarca aproveitou a presença do ex-ministro Manuel Caldeira Cabral, no Douro, para insistir na reivindicação que une a região.

Também Nuno Gonçalves, vice-presidente da Comunidade Intermunicipal do Douro (CIM Douro) e presidente da Câmara de Torre de Moncorvo, aproveitou o discurso na cerimónia de assinatura de protocolos, onde o ex-ministro da Economia participou, para falar sobre a importância económica desta ligação a Espanha.

“Nós entendemos que a Linha do Douro é essencial. Algo que promove o desenvolvimento, dá lucro e pode ser fundamental para o escoamento de produtos, como o minério de Torre de Moncorvo. Temos algo que é nosso, que reivindicamos e que não podemos esquecer”, afirmou.

Aos jornalistas, Nuno Gonçalves disse que fez questão de alertar o ex-ministro, “porque efectivamente no Plano Nacional de Investimentos não está qualquer abordagem à Linha do Douro”.

Esta é uma área da competência do ministro das Infra-estruturas, Pedro Marques, mas os autarcas fizeram questão de aproveitar a presença do colega de Governo para reivindicarem que a Linha do Douro “seja uma realidade até Salamanca”.

Desclassificação do IC5 preocupa autarcas

Nuno Gonçalves aproveitou ainda para lamentar a “desclassificação” do Itinerário Complementar 5 (IC5), que diz estar em “cima da mesa”, passando para as mãos da Infra-estruturas de Portugal (IP) em detrimento da actual concessionária.

“É dar muitos passos atrás nestas regiões. Esta via foi lançada como um factor de desencravamento do interior e não podemos relegar para segundo plano. Acredito nas capacidades da IP, não acredito é que a IP tenha os meios necessários para garantir a segurança que aquele traçado obriga”, sublinhou.

Questionado pelos jornalistas, Manuel Caldeira Cabral afirmou que “os investimentos em infra-estruturas são importantes e têm de ser considerados, estudados e é isso que o Governo está a fazer”.

“Mas é muito importante que enquanto se fazem e não se fazem esses investimentos, que poderão ser muitos anos, se faça aquilo que estamos a fazer que é a promover melhor a região”, salientou.

E continuou: “obviamente temos que continuar a melhorar a oferta da região e isso faz-se com infra-estruturas, mas faz-se também com este trabalho em rede entre escolas, unidades hoteleiras, municípios, todos a trabalharem em conjunto. E faz-se também com uma melhor promoção, uma promoção mais focada no turismo em todo o território”.

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