Júlio Meirinhos candidato ao TPN: “Estou em missão”

Advogado de formação, Júlio Meirinhos contabiliza já 40 anos de vida pública durante os quais ocupou diferentes cargos públicos e políticos. O Ex-presidente da Câmara de Miranda do Douro,  ex-deputado pelo PS e ex-governador civil de Bragança garante que tem recebido “o apelo de imensos autarcas” para entrar na corrida à liderança daquela estrutura que agrega 86 municípios da região Norte.

O que o motiva nesta candidatura ao Turismo do Porto e Norte (TPN)?

Eu estou em missão, entendo esta candidatura assim.

Tenho a minha vida, política e pública, feita. Fui o mais jovem presidente de Câmara do país. Não faço disto trampolim de coisa nenhuma.

Tenho liberdade total e disponibilidade. Considero que tenho a capacidade de fazer esse aplanamento, gerar essas proximidades e trabalhar com todos e para todos, trazendo o turismo a toda a região e não a sub-regiões.

Por tudo isto entendi que era um dever moral dar o meu contributo. Conheço a casa e a região. Toda a minha vida, excecionando os quatro anos que tive na Assembleia da República, foi vivida nesta região onde cheguei a ocupar diferentes cargos em diferentes organismos, portanto tenho a obrigação de conhecer a região e sinto que devo estar disponível para um desafio destes.

Ouvimos recorrentemente os territórios do interior queixarem-se da falta de vias de comunicação e de investimento. O que é que o TPN pode fazer para ajudar estes municípios a terem um maior desenvolvimento turístico?

A Entidade Regional é sempre um parceiro grande com outras instituições. O Estado nomeia responsáveis para a Assembleia Geral. O turismo não está afastado de uma boa rede viária porque sem ela não há turismo, assim como não há se não houver aeroportos, se assim for não adianta vender esses destinos porque não vamos conseguir atrair ninguém.

Portanto, o Turismo não tem que ter dinheiro para construir essas infra-estruturas, o TPN tem que ser uma força de pressão que se coloque ao lado dos autarcas e dos privados que constituem esta Entidade Regional.

Eles têm razão em se queixar mas têm sido dados alguns passos, passos significativos. Se calhar temos que potenciar aeródromos que existem em toda a região e que podiam trazer muitos turistas. Se esses canais forem estabelecidos a região vai sentir, não precisamos de milhões. As coisas têm que ir avançando a par e passo e a Entidade Regional tem que ser solidária. Somos permanentemente chamados à Comissão de Coordenação que é um parceiro nuclear no desenvolvimento, por exemplo, dos programas do 2020 ou do 2030, por exemplo. Temos que estar permanentemente a validar as decisões porque temos que saber da poda, ou seja, temos que saber analisar o que o território precisa.

Esse é um campo em que está à vontade porque já teve dos dois lados, já foi autarca e já esteve ligado ao Governo. Essa experiência poderá servir também para ajudar os municípios mais do interior como o Douro?

O Douro não pode desistir. Esses municípios pequenos não podem desistir. Eu costumo dizer, “quem ao alto não aponta nem no meio acerta”. Esses municípios têm que saber que têm alguém solidário com eles, alguém para os corredores em Lisboa, nas entidades de que eles dependem para que vejam os seus projetos aprovados. Muitos podem dizer que são projetos pequenos mas, para esses municípios, são nucleares. Um hotel num concelho destes podem levar a uma alteração da dinâmica porque pode ser um fator decisivo para quem visita ter onde ficar a pernoitar.

Nos últimos anos as Entidades Regionais e os Governos têm feito esse esforço e a verdade é que vemos os números a crescer.

Não se altera o gene de um transmontano, de um duriense que tem uma afabilidade, uma simpatia e uma solidariedade que deixa as pessoas admiradas, quase como se fossem da casa.

Se lhe pedisse duas ou três medidas fulcrais para ajudar o turismo no Douro, o que me diria?

O Douro tem produtos fantásticos, tem imagem de marca, tem a paisagem, o Douro Internacional, as gravuras, a gastronomia, setores que estão preparados e nos quais deve assentar a estratégia.

Depois, temos que ter os profissionais do setor, por isso é que o Conselho de Marketing assume um papel fundamental nesta candidatura que tem as forças vivas dos privados, eles são o negócio, fazem andar a economia local e são aqueles que vão dizer por onde deve passar a estratégia da região, por isso é que são eles que vão aprovar o plano de marketing da Entidade Regional. Assim serão os profissionais a ter a voz.

*Pode ler a entrevista completa na edição em papel do jornal Vivacidade, nas bancas a partir de amanhã.