Petição para reabertura da Linha do Douro entregue na Assembleia da República

No total foram cerca de 13.500 os signatários do documento que foi entregue no passado dia 9 de janeiro na Assembleia da República, em defesa da requalificação e abertura da Linha do Douro até Espanha.

Comitiva duriense na Assembleia da República com a Vice-Presidente, Esdite Estrela

A petição foi entregue à Vice-Presidente da Assembleia da República por uma comitiva composta por António Marquez Filipe (Presidente da Liga dos Amigos do Douro Património Mundial), Fernando Pinto (Presidente da Fundação Museu do Douro), Carlos Silva (Presidente da CIM Douro), Nuno Gonçalves e Domingos Carvas (Vice-Presidentes da CIM Douro), José Manuel Gonçalves (Presidente da Câmara Municipal da Régua), António Silva (Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lamego), Luís Pedro Martins (Presidente do Turismo do Porto e Norte de Portugal) e Luís Braga da Cruz.

Lançada em junho do ano passado, a petição foi subscrita por 13.500 pessoas a quem, António Filipe diz pertencer o documento.

“A entrega correu muito bem, fomos muito bem recebidos pela Vice-Presidente da Assembleia da República e no final da sessão também o Presidente fez questão de nos vir cumprimentar.

Entregamos esta petição, que não é um documento da Liga dos Amigos ou da Fundação do Museu do  Douro, é de todos os 13.500 assinantes que pretendem ver  Linha do Douro reabilitada e aberta até Salamanca”.

Durante a visita à Assembleia da República a comitiva esteve ainda com os deputados eleitos da região que apoiam a reabertura da Linha do Douro, um apoio que para o Presidente da Liga dos Amigos é importante e um sinal de que a sociedade civil e a politica podem unir esforços em prol de uma vontade.

“Claramente que o apoio dos deputados é importante, não só pela sua presença física mas pelas declarações que prestaram nas mais diversas plataformas.

Isso também me leva a dizer que considero esta petição particularmente importante porque prova que é possível a sociedade civil trabalhar em conjunto com a política no sentido de se encontrarem as melhores soluções para as pessoas e isso foi muito interessante de ver, a vontade da sociedade civil e a política trabalharem juntas em prol de uma população” afirma António Filipe à nossa reportagem.

Também Luís Pedro Martins, Presidente do TPNP sublinha a importância da Linha do Douro em termos de turismo para a região, afirmando que muitos dos turistas que hoje chegam ao Porto não visitam o Douro por falta de alternativas de transporte.

“Investir na internacionalização da Linha do Douro é investir no futuro de uma região que tem muitíssimo para oferecer ao país, nomeadamente em termos de turismo. Cerca de 72% dos turistas que visitam o Porto e Norte de Portugal não vão além da Área Metropolitana do Porto, a porta de entrada na região. Uma das razões que explica esta não distribuição de turistas por outros subdestinos está, desde logo, relacionada com a inexistência de alternativas de transporte”.

A aposta na ferrovia, diz o presidente da TPNP, “deve, obrigatoriamente, integrar uma estratégia global de promoção do Douro Vinhateiro Património da Humanidade, tendo em conta que a reativação da Linha do Douro permitirá ultrapassar as dificuldades de acessibilidade que estão a impedir a economia local de beneficiar, verdadeiramente, do impacto que o turismo está a ter no país”.

Luís Pedro Martins acredita que “o prolongamento da Linha do Douro até Barca de Alva, e sua extensão até Espanha, em articulação com os operadores turísticos do território, vai permitir aos turistas ‘mergulharem’ verdadeiramente na região e, dessa forma, percorrerem num destino que passa, em Portugal, por três patrimónios da Humanidade. Investir na Linha do Douro é agir estrategicamente. É pensar para além da tradicional tentação centralizadora e ‘litoralizada’ do país”.

Também a CIM Douro apoia esta petição, começando por sublinhar o sucesso no documento que tinha o objetivo inicial de ter 4000 subscritores, bem como a argumentação que suporta a petição, aproveitando para manifestar, uma vez mais, algum descontentamento pelo facto desta obra não constar no PNI 2030

“Tendo sido definido como objetivo inicial a recolha das 4 000 assinaturas necessárias para que a petição fosse discutida no Parlamento, o documento superou largamente essa meta, o que garante que agora vai ser discutido pelos deputados da Assembleia da República e que o assunto Linha do Douro regressará à ordem do dia do País.

Entre os argumentos que demonstram a importância estratégica nacional da infraestrutura Linha Ferroviária do Douro, são apontados a sua relevância no contexto da classificação do Douro como Património Mundial pela UNESCO, o contributo direto para a dinamização da economia e consequente fixação de população, a garantia de maior atividade turística e a promoção de uma vertente transfronteiriça que interessa a Portugal, Espanha e à Europa. Razões que levaram a que a Linha do Douro fosse considerada estratégica para os 19 concelhos da CIM Douro e esta Comunidade a incluísse no documento macro “Douro 2030 – Estratégia para uma Década”, remetido em 2018 à União Europeia, e indicada para constar no Programa Nacional de Investimentos (PNI).

Contudo, o Governo português decidiu não incluir esta infraestrutura na versão intermédia do PNI 2030, pese embora seja uma certeza que a União Europeia defende e apoia investimentos transnacionais na ferrovia e, concretamente, a ligação de qualidade de comboio de Portugal a Espanha e ao resto da Europa.

Foi precisamente essa uma das ideias sustentadas pela Liga de Amigos, pela Fundação Museu do Douro, por diversas entidades da região Norte, e apoiada pela CIM Douro, que lançaram a Petição que enumerava um conjunto vasto de argumentos para que a ferrovia seja entendida como essencial à economia e ao turismo do Douro e da Região. O texto da petição lembra mesmo que “a requalificação da Linha do Douro poderá ser vetor fundamental no turismo na região por ligar quatro patrimónios da Humanidade: o Porto, o Alto Douro Vinhateiro, Foz Côa e Salamanca”.

Com a entrega da petição na Assembleia da República, abre-se uma importante janela de esperança para que a Linha do Douro seja inscrita no PNI 2030 ou em outro instrumento público adequado, e seja reaberta, requalificada e modernizada em toda a sua extensão”.

Ecos de apoio ao documento chegam também de Espanha com diversos órgãos de comunicação social a noticiarem a entrega na Assembleia da República, algo que para António Filipe é muito importante sendo demostrativo do envolvimento da sociedade civil de ambos os lados da fronteira.

“Nós vemos a Linha do Douro não como um ramal mas como parte integrante da rede ferroviária europeia, portanto defendemos claramente que a ligação a Espanha é absolutamente essencial.

Entendemos também que é muito importante que as populações locais, as associações locais, também estejam envolvidas e também se possam mobilizar, no sentido de elas também reivindicarem, junto dos seus políticos, das suas autoridades, para que a questão seja estudada de uma forma científica, de uma forma tecnicamente ajustada, daí o facto da Liga ter, junto de uma sua congénere na zona de Castilla Leon, ter tentado chamar à atenção para esta petição e aquilo que ela representa. Pensamos que é fundamental a mobilização de ambos os lados da fronteira”.

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