Uma década de CIM-Douro

Esta terça-feira, o Museu do Douro, em Peso da Régua, abraçou as comemorações do décimo aniversário da CIM-Douro e, curiosamente, a centésima reunião do Conselho Intermunicipal.

15 de janeiro de 2019, o dia em que se assinalou dez anos de existência da CIM-Douro. E para comemorar a efeméride, nada melhor do que o Museu do Douro e a sua vista deslumbrante para que Carlos Silva, presidente da CIM-Douro, desse o mote e iniciasse a sessão evocativa. Rui Santos, presidente da Câmara Municipal de Vila Real, seguiu-lhe no discurso e falou da importância de uma complementaridade futura entre o interior e o litoral, vendo o país como um todo. Já José Manuel Marques, presidente da Estrutura de Missão para as Comemorações do V Centenário da Circum-Navegação, comandada pelo navegador português Fernão de Magalhães, alertou para o facto de a cooperação estratégica em rede entre múltiplos atores locais ter que assumir uma dimensão regional, nacional e internacional, permitindo, dessa forma, desenvolver a região num território sustentável, eficiente, inovador e empreendedor.

O VivaDouro esteve à conversa com Carlos Silva, presidente da CIM-Douro, que nos revelou que a CIM está numa fase de maturidade, os objetivos têm sido cumpridos e os territórios têm estado cada vez mais unidos em termos de região. Ainda assim, “é necessário um olhar atento por parte do governo, nomeadamente no plano de investimentos e na redução do IRC para as empresas que estão sediadas aqui e as que se poderiam fixar”, evidenciou Carlos Silva, que ainda foi mais longe, dizendo que “estas questões ficam sempre muito perto da boca, mas longe do coração”.

Tendo como tema central o progresso, o presidente comparou a via navegável do Douro a uma alavanca fantástica para o território, assim como o IC26, que atravessa todo o Douro Sul. “Por uma questão de competitividade seria fundamental e nunca será por culpa da CIM-Douro, já que tudo tem feito para que a linha do Douro seja uma realidade. Infelizmente, o poder está na mão de quem é nomeado e não de quem é eleito”, concluiu Carlos Silva.

Depois da homenagem aos autarcas fundadores da CIM-Douro, o piano e o violino também quiseram marcar presença nas comemorações e antecederam os discursos de Fernando Freire de Sousa, presidente da CCDR Norte, e João Paulo Catarino, Secretário de Estado da Valorização do Interior.

À conversa com João Paulo Catarino, percebemos que o seu balanço a propósito destes dez anos da CIM é francamente positivo. “O processo das comunidades intermunicipais e da sua consolidação é um processo importante para o país. A CIM-Douro tem sido determinante na perspetiva de termos um poder intermédio, até porque existem muitas decisões que não fazem sentido serem tratadas no âmbito municipal, mas sim em termos intermunicipais”, afirmou o Secretário de Estado da Valorização do Interior, abrindo, também, as portas do governo para ajustes em possíveis aspetos a melhorar. “O governo assume a importância de um órgão de decisão intermédio entre o poder local e o poder central”, rematou João Paulo Catarino.

Por sua vez, Fernando Freire de Sousa destacou o entrosamento e a concertação entre os vários autarcas, algo que “significa uma entidade mais forte e isso é um lado muito importante num país que tem como principal fragilidade a questão institucional”. A homenagem aos anteriores autarcas e responsáveis da CIM-Douro não foi esquecida pelo presidente da CCDR Norte, apelidando-a de “muito bonita, fazendo alusão à importância da memória”.

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