Proposta nova categoria de Vinho do Porto que pode render até 40 milhões para a região

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A Quinta da Boeira enviou ao Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto (IVDP) uma proposta de criação de uma nova categoria nos vinhos do Porto “Vintage” e “LBV”, acabados de colher na vindima.

Full Body – Young Harvest é o nome proposto para esta nova categoria que, como o próprio nome indica, é destinada a vinhos encorpados, engarrafados e comercializados três meses após a vindima, não ficando assim a aguardar os 2 ou 4 anos obrigatórios para obterem a designação de “Vintage” ou “LBV”, respetivamente.

“Esta nova categoria especial tem que ser um full body. A designação que propomos, Full Body – Young Harvest, chama à atenção do consumidor que este é um vinho da última vindima. É um vinho com muita fruta.

Já enviamos ao IVDP tanto a ideia, como o design do próprio rótulo e agora vamos ver quais são as consequências desta apresentação”, explica Albino Jorge, Administrador da Quinta da Boeira.

De acordo com o responsável, a criação desta categoria pode ser benéfica para a região em termos financeiros, com um encaixe de 30 a 40 milhões logo após a vindima. Contudo, explica, esta colheita só estaria disponível para uma pequena parte do total da produção desse ano.

“Vai permitir à região e aos produtores um encaixe financeiro antecipado. Para vender um LBV temos que esperar quatro anos, o que significa que ano após ano temos que ter um stock parado para depois lançar no mercado. São quatro anos de investimento constante sem nenhum retorno.

Isto não elimina que continue a existir um LBV que seja engarrafado após quatro anos, isto garante que no fim da vindima, dois três meses depois, consigo ter um vinho muito encorpado, que será excelente para ser consumido.

Um vinho destes não pode absorver toda a produção da região, terá que haver um limite de 2 ou 3% do volume total da vindima, que poderia facilmente ser comercializado por 15, 20 euros cada garrafa, que resultará num total de cerca de 30 a 40 milhões de euros”.

De acordo com o administrador da empresa, a proposta agora apresentada ao IVDP aponta a vindima de 2022 para início da comercialização desta nova categoria, que já tem sido apresentada a alguns jornalistas e especialistas, com impacto bastante positivo.

“Na vindima de 2022 poderemos já começar a comercialização destes vinhos.

Nas provas que foram dadas a vários jornalistas, experts e clientes, eles não só provavam como bebiam e pediam para repetir duas ou três vezes, é a prova que este vinho, desde que bem divulgado, poderá resolver muitos problemas de fundo de maneio quer de empresas quer da própria lavoura.

Neste momento temos garantido que os nossos exportadores nos comprariam já 2000 garrafas se fosse possível, o que nos leva a outro ponto da discussão deste tema que são as quantidades”.

Para Albino Jorge, “a inovação é fundamental em qualquer área, senão não evoluímos”.

Com sede em Vila Nova de Gaia e 171 anos de existência, a Quinta da Boeira, Arte e Cultura combina a área vinícola com a arte e a cultura.

Na loja e centro de visitas da empresa, abertos ao público em Gaia, os visitantes podem adquirir os vinhos da marca Boeira, mas também degustar vinhos de produção própria enquanto visitam a exposição de réplicas de naus e galeões do século XV a XVI, que integra 23 réplicas de embarcações históricas da época dos Descobrimentos.