Douro antecipa vindimas devido ao tempo quente e seco

O tempo quente e seco que se tem feito sentir este ano, levou a uma antecipação das vindimas no Douro em cerca de duas semanas.

Setembro é, por norma, o mês das vindimas no Douro, no entanto, este ano a safra foi antecipada em cerca de duas semanas devido às altas temperaturas e à escassez de chuva que se faz sentir.

Na zona de Alijó “não chove há cerca de 4 meses” adianta António Garcias, produtor da região que confirma ter antecipado a vindima “quase três semanas, comparativamente ao ano passado”.

A mesma ideia é confirmada por Celeste Marques, enóloga e diretora da Adega Cooperativa de Sabrosa, “esta situação verifica-se mais nas vinhas do Douro Superior e Cima Corgo, nas vinhas do Baixo Corgo a situação é diferente, o desenvolvimento está dentro do tempo habitual”.

“A falta de água é preocupante até porque a concentração de açúcares que se verifica dá-se pela desidratação da uva, diminuindo assim a quantidade de mosto que se irá obter” afirma a enóloga que completa, “temos visto um desenvolvimento muito irregular, no mesmo cacho podemos encontrar bagos completamente desenvolvidos e outros ainda completamente verdes”.

O decréscimo de 50% na precipitação, relativamente aos valores médios dos últimos anos, tem levado as videiras a uma situação de “stress hídrico extremo” que, não sendo preocupante, “obriga a uma maior atenção durante o processo de fermentação” para manter os níveis de qualidade dos vinhos do Douro, refere Carlos Almeida, enólogo e proprietário de uma quinta em Tabuaço.

Aumento de produção

Apesar da seca, este ano está previsto um aumento de produção que se situará entre os 26 e os 36% relativamente à campanha de 2016, produzindo entre 266 e 288 mil pipas, segundo dados da Associação de Desenvolvimento da Viticultura Duriense (ADVID).

“Foi um ano bom em termos fitossanitários, as vinhas não sofreram com doenças e isso é uma boa notícia”, afirma Carlos Almeida que aponta ainda para um “ligeiro aumento na produção”.

“Os temporais do ano passado, com muitos produtores a verem a sua produção ser destruída pelo granizo, levaram a uma forte quebra na produção”, diz Celeste Marques que completa dizendo que “este ano é esperada uma melhoria desses números, apesar da falta de água”.

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