Rijomax: o relógio mais completo do mundo que ninguém consegue pôr a funcionar

Rijomax, o relógio mais completo do mundo/ Foto: Salomé Ferreira

Rijomax é este o nome do relógio mais completo do mundo que se encontra em exposição na Loja Interativa de Turismo de Tabuaço. Construído ao longo de 28 anos, foram-lhe dedicadas mais de 16 mil horas de trabalho, no entanto, depois de o seu criador morrer nunca mais ninguém conseguiu voltar a pôr o relógio a funcionar.

“Uma obra misteriosa – O Mundo inteiro dentro de um relógio”, foi esta a frase que Amândio José Ribeiro, o inventor do Rijomax, escolheu para gravar no cimo desta obra de relojoaria.

Natural de Tabuaço, da freguesia de Pinhel, Amândio José Ribeiro, viveu 90 anos como relojoeiro e ourives de profissão. Desde criança que brincava com relógios e sempre sonhou construir o relógio mais completo do mundo e conseguiu cumprir esse objetivo com a criação do Rijomax.

Com uma certa genialidade e obsessão pela perfeição, o Sr. Amândio, como é conhecido em Tabuaço, dedicou mais de 16 mil horas na construção do Rijomax entre 1945 e 1973. Assim nasceu esta obra “misteriosa” com fama mundial que entrou no Guiness Book of Records e tem a patente número 12931.

Carla Frias Martins. técnica da Loja Interativa de Turismo de Tabuaço/ Foto: Salomé Ferreira

O nome Rijomax é um acrónimo de Amândio José Ribeiro, nome que se pode ver gravado no relógio, em cima de “Aruasi” (Isaura), o nome da esposa do criador.

Dividido em quatro armários, Amândio José Ribeiro construiu toda esta obra de relojoaria recorrendo a vários materiais reciclados. O relógio tem mais de 16 mil algarismos e letras, pesa mais de 150 quilos e tem uma altura superior a dois metros.

No Rijomax era possível ter a indicação das semanas, meses, dias, estações do ano, os signos do zodíaco, o estado do tempo, os santos de todos os dias do ano.

O relógio indicava ainda os movimentos aparentes do sol e da lua, marcava o nascer e o pôr-do-sol, os Equinócios e Solstícios, os anos bissextos, as fases da lua, entre outras coisas.

“Para além disso o relógio indicava ainda os eventos marcantes a nível internacional, tal como a data em que foi realizado o primeiro voo de aviação, o primeiro telefone sem fios, tinha também um termómetro, um rádio gravador que servia como despertador e um detetor de chamadas”, explicou ao VivaDouro Carla Frias Martins, técnica da Loja de Turismo de Tabuaço.

Ao longo dos anos vários relojoeiros de todo o mundo contactaram Amândio José Ribeiro com o objetivo de comprarem esta obra, no entanto, o criador do Rijomax nunca quis vender o relógio a ninguém. Até que mais tarde, em 2002 o vendeu à autarquia, que considerou que o relógio deveria fazer parte do Património do Concelho.

Desde que o seu criador faleceu ninguém consegue pôr o Rijomax a funcionar/ Foto: Salomé Ferreira

Amândio José Ribeiro acabou por falecer em 2002 aos 90 anos, sendo que desde essa altura mais ninguém soube como colocar o relógio a funcionar. “Já vieram até cá vários peritos em relojoaria, nomeadamente da Suíça e nunca ninguém conseguiu descobrir como se põe o relógio a funcionar novamente”, disse Carla Frias Martins.

Para além da aposta na divulgação desta obra-prima, a autarquia pretende ainda continuar a tentar colocar o relógio a funcionar novamente, uma vez que cada vez mais pessoas se deslocam ao concelho para conhecer o Rijomax.

 

 

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