Carlos Silva: “A região mostrou união, capacidade de unir esforços e de coordenar meios”

Numa altura em que esta pandemia assola o mundo, o país e a nossa região o VivaDouro falou com o presidente da CIM Douro para perceber como está a ser gerida esta situação pelos autarcas.

Com uma população envelhecida e, muitas vezes isolada, que sentimentos desperta esta situação no presidente da CIM-Douro?

A realidade com que nos deparamos, provocada pela pandemia da Covid-19, é nova e com um impacto de tal ordem devastador em que jamais uma região, um País, um continente ou mesmo o Planeta, imaginaram estar.

No Douro, o sentimento que nos desperta esta situação é de grande preocupação, pois somos uma região do Interior de Portugal, com uma significativa percentagem de população mais envelhecida, que é, de acordo com a DGS, o grupo de maior risco. Por outro lado, estamos conscientes da dimensão geográfica da CIM Douro, que compreende 19 municípios e mais de 200 mil habitantes, e que poderá constituir um risco acrescido no combate célere a hipotéticos focos deste vírus.

Conscientes desta realidade muito particular, os municípios foram extraordinários na forma como encararam o problema, desde o primeiro momento, ao demonstrarem uma prontidão exemplar e um sentido de missão que merece ser destacado. E isto fez com que esta região demonstrasse, sem hesitações, uma capacidade de trabalhar, de coordenar meios, de unir esforços, que a todos nos tranquilizou e que acontece em favor das pessoas, para as proteger e para lhes garantir segurança e saúde.

No território da CIM-Douro, oficialmente, existem, cerca de 325 casos positivos (dia 13 de abril), mais de metade em lares de terceira idade, são números que o preocupam?

É evidente que nos preocupa a existência de 325 casos no território da CIM Douro.

Desejávamos que não houvesse nenhum, que a vida destas pessoas não estivesse em suspenso, bem como das suas famílias, e que as comunidades a que pertencem não estivessem assustadas e com receio do dia de amanhã. Mas a realidade é esta e, apesar de ser preocupante quando comparada com o todo nacional, demonstra que a maioria dos casos ocorreu em lares da terceira idade, ou seja, nós, e principalmente a DGS, devemos ter este foco e estarmos preparados para ter de assumir como prioritária a intervenção nestes espaços de acolhimento a pessoas com mais idade, pois sabemos que, apesar de disporem de boas condições, de equipamentos e de recursos humanos competentes, ficam expostos a situações de enorme fragilidade que podem ser dramáticas para os residentes e para quem lá trabalha.

A resposta das autarquias da região tem sido muito semelhantes com a criação de diversos bancos de voluntários, testes às populações mais vulneráveis, apelos à não visita de emigrantes, etc. É uma posição concertada ou cada município adapta a resposta em função da sua realidade/necessidade?

É evidente que a realidade vivida por alguns municípios é potenciadora de respostas distintas a esta pandemia da Covid 19. Seja pela intensidade, pelo número de casos ou pelo receio do descontrole, os municípios, que são também os responsáveis pela proteção civil e são parte essencial nas soluções, assumem, de certa forma, a vontade de resolver as crises que os afetam.

Até porque, neste processo, os municípios sentem que deveriam ser parceiros estratégicos no terreno do Governo e dos organismos de saúde, o que até ao momento não se verificou.

 Compreende-se que esta pandemia seja uma situação nova, como uma dimensão nunca vista, mas julgo que já houve tempo para sabermos o papel de cada entidade nesta crise, e o Governo devia ser o primeiro a reconhecer que todos têm um contributo para dar e todos têm um lugar a desempenhar.

Relativamente à posição dos municípios, constatamos que desde as primeiras notícias acerca da Covid 19, houve posições que foram tomadas, de forma transversal, pelos municípios da CIM Douro, como por exemplo as limitações à circulação de pessoas, o confinamento social, o apelo aos emigrantes para que não viessem na altura da Páscoa, a coordenação com as IPSS, e a tentativa de um relacionamento próximo e proativo com as entidades de saúde locais.

No caso da CIM Douro temos feito este trabalho e decidimos que devemos trabalhar em  conjunto, unir esforços e meios sempre que um concelho assim necessite. Manter um nível de prontidão alto é essencial para que as nossas populações saibam onde acorrer e com quem podem contar.

O apoio dado pelo governo à região foi/é o adequado?

O Governo não deu qualquer apoio aos municípios da CIM Douro no âmbito do trabalho que estão a desenvolver no combate à Pandemia Covid 19. Em termos formais, o apoio nacional ao esforço dos municípios é inexistente, como é exemplificativa a espera, há pelo menos duas semanas, pelos testes prometidos pela Ministra da Solidariedade Social. Ou como foi elucidativa a indecisão do Governo na resposta prestada em Vila Real, Vila Nova de Foz Côa e Torre de Moncorvo, que só aconteceu depois de muita insistência, muitos alertas e o medo instalado na população de possível descontrolo da situação.

Para combater a pandemia é essencial que seja garantida coordenação de meios e maximização dos recursos, simplificação de processos e confiança entre as instituições. É essencial também que sintamos, da parte do Governo, que sempre que um concelho pedir testes para um lar de idosos vai recebê-los; e que caso se verifique uma situação anómala numa comunidade, saibamos com quem podemos contar e quando.

Os autarcas dispensam, e o país também, o sucedido no final da semana, quando se colocou em causa a legitimidade dos autarcas de informarem as suas populações e o Ministério da Saúde proibiu os seus técnicos de saúde de manterem contacto com os presidentes de câmara.

Isto sim é desnecessário e não contribui para a forma empenhada e coordenada como devemos gerir esta situação. Aliás, vem na sequência do que se verifica na área geográfica da CIM Douro onde, à exceção do ACES Douro Sul, a informação é sonegada às autarquias, aos presidentes da Proteção Civil dos respetivos concelhos. A descoordenação tem sido total e a desconsideração pelos municípios é a face mais visível da atuação do Governo.

A CIM-Douro tomou a decisão de cancelar todos os eventos até ao final de junho, foi uma decisão unânime e fácil de tomar?

Foi uma decisão difícil, unânime e subscrita por todos os presidentes dos municípios.

Um dos setores mais afetados por esta pandemia é o turismo que, simultaneamente, é um dos mais importantes na região. A CIMDouro está a ponderar algum tipo de apoio para este setor?

A CIM Douro não tem mecanismos financeiros que lhe permitam proporcionar ajuda direta que vise atenuar os prejuízos, e são muitos, do setor turístico na região. A CIM Douro, como aliás tem vindo a fazer em várias áreas estratégicas para a região, pode, em colaboração com os municípios, numa perspetiva supramunicipal, ser promotora de candidaturas comunitárias a ações que visem, de forma direta, realizar atividades no território com o propósito de as promover, de atrair público, e, como isso, acelerar a retoma económica e garantir retorno económico a todos os envolvidos na atividade turística da região. O Marketing e a promoção territorial são fundamentais para relançar a economia nesta região e a CIM Douro está já a trabalhar nisso. Obviamente, e numa lógica mais local, os Municípios estão a preparar medidas que possam, em alguns sectores, minimizar o impacto negativo que está pandemia veio trazer.

Num momento em que ainda está longe o final desta pandemia, que mensagem gostaria de deixar aos durienses?

A mensagem que quero transmitir a todos os durienses é, em primeiro lugar, um apelo, para que acatem todas as indicações que são dadas, pois têm como propósito proteger as populações, as famílias e as comunidades. Em segundo lugar, quero deixar uma mensagem de esperança.

Esperança que conseguiremos retomar a normalidade dentro de algum tempo, que as nossas terras voltarão a fervilhar de alegria e de cultura e que o Douro voltará a ser o epicentro turístico do nosso País. Para já, é fundamental que estejamos conscientes do nosso papel, da nossa responsabilidade e de que a retoma depende da forma como cumprirmos as nossas obrigações.

Um comentário em “Carlos Silva: “A região mostrou união, capacidade de unir esforços e de coordenar meios”
  1. Sr presidente sempre na linha da frente sabemos que podemos contar sempre com o seu apoio vai correr tudo bem

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