Simulacro de queda de ponte envolve 226 operacionais de norte a sul do país

Simulacro - Moimenta da Beira 2015

Simulacro mobilizou mais de 200 operacionais de várias entidades / Foto: Salomé Ferreira

Os Bombeiros Voluntários de Viseu promoveram, no sábado, dia 2 de maio, perto da aldeia do Vilar, em Moimenta da Beira, um simulacro da queda de uma ponte no rio Távora que envolveu mais de 200 operacionais de várias entidades. O exercício Livex, incluído no programa das 6.ªs Jornadas de Mergulho, mobilizou unidades de mergulho de todos os distritos do território nacional.

A praia fluvial da albufeira do Vilar, no concelho de Moimenta da Beira, foi o cenário escolhido para a realização do simulacro da queda fictícia da ponte. Os meios envolvidos atuaram numa encenação que originou 70 vítimas (50 mortos e 20 feridos) e o afundamento de 14 automóveis e dois autocarros.

Era ainda de madrugada quando foi dado o alerta para a queda da ponte. Depois de terem soado os alarmes “foram acionados os meios locais, neste caso os Bombeiros de Moimenta da Beira”, explica Rui Nogueira, 2.º comandante operacional distrital de Viseu.

De acordo com o comandante, na altura em que o corpo de Bombeiros chegou ao sítio das operações apercebeu-se “do cenário complexo e tecnicamente exigente”, tendo acionado de forma imediata a equipa de mergulho do distrito de Viseu. “A esta equipa coube a função de entrar na água e fazer o reconhecimento subaquático dos veículos e das vítimas. Como se tratava de uma situação de exceção, com várias vítimas, localizam carros e vitimas, solicitam mais meios”, conta.

Para Rui Nogueira um simulacro desta dimensão tem como principais objetivos, “aferir procedimentos, identificar aspetos a melhorar em futuras intervenções em salvamento aquático”, bem como “fundamentar o princípio de aprendizagem”, explica o comandante.

José Luís, 2.º comandante dos Bombeiros Voluntários de Viseu, considera que “um acidente desta natureza e com esta dimensão seria complicado”, acrescentando ainda que os meios envolvidos se encontram “essencialmente a testar não a capacidade de cada um em encontrar um cadáver ou reflutuar uma viatura, mas mais do que isso conseguirmos fazer uma gestão pessoal e de meios nos vários pontos do sinistro”.

O comandante dos Bombeiros Voluntários de Viseu lembra ainda o facto de Lisboa ser uma zona sísmica de risco elevado, “temos a Ponte 25 de Abril, com três quilómetros e seguramente que se acontecesse algo assim em hora de ponta, daria com certeza que fazer a todos nós, aos espanhóis, aos franceses e a todos os que nos quisessem vir ajudar”, alerta.

No entanto, José Luís considera que as forças envolvidas “estão cada vez mais preparadas”, para uma situação destas em contexto real. Rui Nogueira partilha da mesma opinião, acrescentando que “todas as entidades envolvidas têm demonstrado que estão altamente capacitadas para intervir em cenários desta natureza e este é um passo importante para atingirmos o aumento da qualidade” afirma o 2.º comandante operacional distrital de Viseu.

Quatorze anos depois de ter acontecido o acidente de Entre-os Rios que provocou a morte de 59 pessoas, foi abordado em regime de seminário no âmbito das 6.ªs Jornadas de Mergulho, “foram partilhadas experiências de operacionais que estiveram lá envolvidos e obviamente que podemos fazer uma analogia”, afirma Rui Nogueira, acrescentando que se pode dizer que “houve uma evolução positiva de todas as forças, todos os operacionais estão neste momento cada vez melhor preparados para enfrentar incidentes desta natureza”, explica.

 No que diz respeito às dificuldades sentidas no decorrer do simulacro, Rui Nogueira aponta o facto de terem tido uma restrição a nível aquático, visto que “a associação pró-ambiente só permite ter uma embarcação em trabalho de cada vez, isso, de certa forma, dificulta-nos um pouco a vida em termos de apoios operacionais”, concluiu o comandante.

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