Socalcos do Douro inspiram coleção de joias

Cidália Correia, a criadora

Cidália Correia, a criadora

Pintora, escritora e designer de joias, Cidália Correia considera-se uma “mulher da arte”. Em conversa com o VivaDouro, a torreense, apresentou o seu último projeto, uma coleção de joias inspirada no Douro.

Cidália Correia teve o seu primeiro contacto com joias há 18 anos, quando uma amiga de infância que trabalhava numa joalharia, sugeriu que começasse a vender algumas peças, “comecei como uma brincadeira e não por querer, trabalhava na venda de ouro e, entretanto, comecei a desenhar algumas peças, que passei a vender a alguns clientes”, afirmou a criadora.

 “Sempre fui uma mulher da arte, dedico-me à pintura e à escrita, aliás, em 2006 lancei o meu primeiro livro e até 2009 já tinha onze livros publicados”, conta Cidália Correia. A autora confessou ao VivaDouro que a conjugação das três vertentes, designer, escritora e pintora, é muito fácil, “os tons que eu uso nas joias têm a ver com a minha paleta de cores, as linhas com que desenho são o contorno que dou às minhas joias, como se estas saíssem de um quadro, o lápis com que escrevo é o mesmo que uso no contorno da prata”, afirmou, acrescentando que “a joalharia não é um material nobre que tenho que trabalhar para ser vendido, mas sim uma obra de arte que se move”.

Há cinco anos, a designer lançou a marca “CC” e tem atualmente, uma oficina em Braga, com alguns colaboradores que trabalham apenas para a marca, maioritariamente desenvolvem peças em prata e algumas em ouro. “A marca de joias CC está associada às letras iniciais do meu nome”, revelou Cidália Correia. Todas as peças da marca são feitas manualmente, “quando fazemos peças manuais, demoramos o dobro do tempo mas estamos a pôr a paixão acima de tudo”, confessou. No futuro, a marca passará a criar apenas peças únicas porque, segundo Cidália Correia, o conceito é “criar uma joia única para uma pessoa única”.

Peças da coleção do Douro

Peças da coleção do Douro

A torreense iniciou as coleções de joias há cerca de dois anos, todas elas com temas diferentes. A coleção do Douro surgiu através de um convite da ourivesaria Rio de Prata a Cidália Correia. Com cerca de trinta peças, a artista confessa que realizou a coleção em quinze dias, “já me estava a preparar para fazer uma coleção do Douro, por isso, foi só pegar na ideia e apresentá-la”, revelando que “é muito fácil criar sobre o Douro, os traços são muito fortes, as pedras são duras, tive que ir buscar a dureza da pedra, aquele rabiscar torto, as videiras, o rio em movimento, os movimentos dos socalcos e tentar que o Douro se entranhasse nessa pedra, fazendo lembrar quem ele é”.

Cidália Correia revelou que a peça que mais gostou de criar foi a gargantilha inspirada no Douro, “tem tudo a ver com a junção de um rio, o movimento das águas, os socalcos das vinhas, as parras, os tons das estações do ano, foi a peça mais simples, peguei no lápis e desenhei-a como se estivesse a fazer o complemento entre toda a coleção que fiz”, disse. “Quem olha para as minhas peças percebe que há ali a magia do Douro”, afirmou a artista.

“A minha ideia é que as minhas peças, os meus poemas, os meus quadros não precisem de mim, tenham vida própria”, afirmou a criadora, e, fazendo um balanço positivo de todo o seu trabalho, acrescentou “esta coleção não é minha, é de quem ficar com ela, é de quem a usar, de quem se sentir bem, para mim é uma coleção de coração”, concluiu Cidália Correia.