Associações perspetivam quebra de atividade e participantes

A Associação Vale d’Ouro (ASCVD) lançou, durante o mês de maio, um inquérito junto do movimento associativo da região. Esta iniciativa pretendeu obter um retrato estatístico de como o movimento associativo atravessou o período de pandemia, compreender os desafios do futuro e avaliar o impacto financeiro.

Ao inquérito, composto por 27 questões, responderam 80 instituições. As questões estavam agrupadas em três temas: a caracterização dos inquiridos, o impacto da pandemia e o período pós-pandemia.

Caracterização global das instituições

Das instituições que responderam ao inquérito, a grande maioria tem como principal área de atuação a cultura, seguindo-se ação social e o desporto. Resultou ainda, dos dados recolhidos, que 24% das associações atuam em mais do que uma área. Os concelhos de Alijó, Peso da Régua e Vila Real foram os que mais respostas registaram. Das entidades participantes, mais de 52% não tem colaboradores com contrato de trabalho e 54% têm até 20 voluntários.

Efeitos da pandemia na atividade da instituição

No que se refere ao efeito da pandemia na atividade das associações, 81,3% reportaram uma paragem absoluta ou uma afetação significativa da atividade que se refletiu também no funcionamento administrativo. Em 68% das instituições, as atividades previstas já não se realizarão este ano sendo a declaração do Estado de Emergência ou a impossibilidade de adaptação a meios digitais as principais causas.

A previsão de receitas e despesas entre março e maio foi, em 85% das instituições, muito afetada ou mesmo sem qualquer movimento. Por outro lado, a quantificação do impacto da pandemia segue uma distribuição relativamente equivalente: se 14% das associações dizem ser negligenciável, mais de 21% aponta para perdas superiores a €2500. Ainda que 34,5% das associações não tenha recorrido às medidas de apoio do Governo, por outro lado, o apoio excecional à família, o layoff simplificado e a submissão de candidaturas para resposta à pandemia foram mecanismos utilizados em 54,6% dos casos. Quando questionadas sobre se o apoio do Governo ou da autarquia foi suficiente, 67,7% das instituições respondeu negativamente. A generalidade das instituições manteve o número de voluntários (69,7%) e o número de colaboradores remunerados (79,4%).

No apoio ao esforço público de resposta á pandemia apenas 38% das instituições desenvolveram atividades específicas mas a esmagadora maioria (84,8%) respondeu não lhe ter sido solicitada colaboração no esforço de mitigação da pandemia.

A retoma

A resposta ao momento em que a instituição prevê retomar a atividade foi também distribuída de forma equivalente por várias opções. Se 30,2% indicou não ser possível prever o reinício de atividade, apenas 7% apontaram maio. Em 12,6% dos casos, a retoma de atividade apenas acontecerá em 2021. Já as medidas de proteção necessárias à retoma de atividade causam dúvidas a 53,8% das instituições que fazem depender o regresso à natureza das disposições que venham a ser impostas.

Olhando para a sustentabilidade da instituição, 49% das associações que responderam ao inquérito, consideram que esteja muito ou bastante comprometida considerando que compete às autarquias locais (28%) o apoio necessário. O reforço de programas de apoio e do Governo central reúne, respetivamente, a opção de 16% e 13% das associações. Ainda assim, 79,7% das associações refere que o planeamento e orçamento de 2021 será alterado em função da situação de pandemia.

Quanto questionadas sobre o ano de 2021, 60,6% das associações refere que a pandemia afetará muito ou bastante o planeamento e o orçamento e 88,3% afirma que o número de atividades e participantes será mais reduzido. Também ao nível dos recursos humanos, 81,2% das instituições refere que o número de colaboradores remunerados será reduzido.

A última questão prende-se com uma perspetiva a mais longo prazo sendo que 36% das associações responderam que pretendem manter a sua atividade sem alteração, mas adaptando-se às novas realidades e disposições que venham a ser impostas. Em 26% das instituições a missão e os objetivos poderão ser revistos e em 13% dos casos será realizada uma reorganização interna. Apenas 5% das associações referem não prever alterações significativas.

De acordo com Luís Almeida, presidente da ASCVD os resultados obtidos fazem “um retrato bastante interessante do movimento associativo e da sua reação à pandemia. Tivemos 80 respostas de 13 concelhos diferentes, o que me parece ser bastante abrangente”.

Quanto aos dados recolhidos há resultados que não surpreendem Luís Almeida: “era expectável que a generalidade das associações retomasse a atividade com cautelas ou não retomasse, de todo, isso demonstra responsabilidade e cautela por parte dos nossos dirigentes associativos”. Ainda assim há situações que preocupam: “há um número muito baixo de associações que teve acesso aos apoios e eu não tenho a certeza que não tivesse sido porque não precisassem, é certo que eles não estavam especificamente desenhados para o movimento associativo, mas era possível usufruir de algumas medidas”.

Sobre as questões relativas ao futuro, o presidente da associação mostra-se preocupado, mas esperançoso: “óbvio que ouvirmos uma associação dizer que vai reduzir atividade, colaboradores ou que espera ter menos participantes é sempre mau. As associações são uma pedra basilar da nossa democracia, da nossa cultura e da nossa identidade e numa altura que alguns destes pilares parece que estão a ser questionadas, é muito importante que as associações se mantenham fortes e determinadas. Somos entidades resilientes e é precisamente essa leitura que faço quando vejo tantas a dizer que vão continuar, adaptando-se às novas realidades”.

Os resultados completos deste inquérito serão publicados na página da associação (www.associacaovaledouro.pt) e nas redes sociais.