Chuva traz novas preocupações às zonas atingidas pelos fogos

Depois de um verão com centenas de incêndios e milhares de hectares reduzidos a cinzas, os especialistas antecipam já um inverno com muitos problemas marcado por enxurradas, cheias e deslizamentos de terras.

Vários especialistas têm alertado para os perigos que os terrenos ardidos representam durante o inverno, não só pelos deslizes de terra mas na própria vida da floresta.

É sabido que as cinzas provenientes de um incêndio contêm uma grande quantidade de nutrientes que é importante para a renovação da floresta, alimentando os novos rebentos. No entanto, as chuvas provocam dois efeitos que reduzem drasticamente a quantidade desses nutrientes: arrastamento superficial que ocorre pela falta de vegetação que segure as águas, em especial quando chove em grandes quantidades, e o arrastamento em profundidade, ou seja, a contínua queda de chuva faz com que os nutrientes se aprofundem no terreno ficando fora do alcance dos novos rebentos.

A falta de vegetação, em especial rasteira, provocada por um incêndio deixa a descoberto o solo e os inertes que, na falta dela são arrastados provocando enxurradas e deslizamentos de terras, o declive dos solos, como acontece na região do Douro aumenta ainda mais as hipóteses de fenómenos destes.

Quando a dimensão dos incêndios é a que vimos este ano em zonas como Sabrosa ou Alijó, por exemplo, estes perigos aumentas exponencialmente devido a uma camada que é formada e que tem propriedades hidrófobas.

Outro problema que surge depois do fogo passar é a capacidade do solo em se manter húmido, por duas razões: em primeiro o fator já anteriormente apontado de escoamento das águas por falta de vegetação que atrase esse processo, em segundo o facto de o solo, ao estar a descoberto estar menos protegido da luz solar e do vento o que leva à evaporação da água.

Esta incapacidade do solo em manter humidade é sentida também nos lençóis freáticos onde a água provenientes das chuvas não chega.

Não menos perigoso é o risco de cheia, que também aumenta significativamente nestas zonas. As águas são arrastadas em maiores quantidades para os rios e estradas, carregadas de detritos acabando por entupir esgotos e linhas de escoamento provocando cheias com danos consideráveis.