Luís Pedro Martins: “Esta solução dá ao setor um sinal claro de união e congregação de esforços na valorização e promoção turística da Região”.

Luís Pedro Martins, é candidato único à presidencia da Turismo do Porto e Norte de Portugal. O ex-diretor executivo da Torre dos Clérigos, no Porto, falou em exclusivo ao VivaDouro numa entrevista onde revela a sua visão do setor e as linhas orientadoras do seu projeto.

O que o levou a apresentar esta candidatura ao TPN?

Esta candidatura surgiu de uma congregação de vontades, de um desafio que me foi lançado por um conjunto de entidades, públicas e privadas, que seguem com particular atenção o desempenho da Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP), entidades que vivem o dia a dia desta região, que lutam diariamente por um futuro melhor para todos os que aqui vivem e trabalham. Após a necessária reflexão, cheguei à conclusão de que posso dar o meu contributo, assim como toda a equipa que me acompanha, para potenciar a promoção turística e empreender a credibilização da entidade.

Quais os principais objetivos que esta candidatura apresenta?

As linhas-mestras que orientam esta candidatura são modernidade, arrojo, sensibilidade, boa gestão e transparência. Queremos aplicar uma governança e gestão assentes na credibilização da TPNP e na implementação de uma política e estratégia de desenvolvimento turístico desta região, sendo que serão as pessoas – os residentes, os turistas e os profissionais de turismo – a estar no centro de toda a estratégia desta candidatura. Trabalharemos para as pessoas e pelas pessoas.

Os acontecimentos mais recentes (a detenção do anterior presidente), que envolvem o organismo, tiveram algum peso na sua decisão?

Nenhum. A minha motivação tem origem na convicção de que há muito a fazer pelo turismo na Região. Os acontecimentos de que fala são do foro judicial e aí devem ser tratados por quem de direito. Como é óbvio prestarei toda a colaboração com a investigação em curso, mas a minha preocupação é o futuro da TPNP e não o passado.

E a credibilidade do organismo, ficou ferida?

Naturalmente não é positivo ver o nome de uma instituição ser arrastado para um processo judicial com as características deste. Portanto, é um facto que a credibilidade da TPNP acaba por ser afetada. Restaurar plenamente essa credibilidade é um dos nossos grandes desafios, e estou certo que conseguiremos.

Sabendo que inicialmente existiam duas candidaturas, como chegamos a esta solução que agora apresenta a votos?

Fomos interpelados no sentido de nos sentarmos à mesa com a outra candidatura, numa tentativa de entendimento entre as duas listas.  Sempre disse, e reitero, que considero que atos eleitorais bem disputados, com projetos distintos a submeterem-se a sufrágio, dignificam e consolidam a democracia. Por outro lado, acredito na força do diálogo e não sou de voltar as costas a nenhum tipo de conversa que contribua para a congregação de forças. Foi assim, norteado por estes dois princípios, e intransigentes relativamente ao que consideramos essencial, que participei ativamente nas conversas tidas com a outra lista candidata, das quais saiu a decisão de que a nossa seria a única lista a ir a votos. Como resultado do processo negocial, integramos na nossa lista a AHRESP uma associação de âmbito nacional que constava inicialmente na outra lista.

De que forma pode o TPNP beneficiar com esta solução encontrada pelos dois candidatos?

Esta solução dá ao setor do turismo um sinal claro de união e congregação de esforços entre as partes interessadas na valorização e promoção turística da Região. Sinal que podemos todos trabalhar num mesmo sentido e com uma mesma visão: o sucesso da TPNP e, portanto, o sucesso da Região. A união faz a força, é um slogan antigo, que pretendemos seja na TPNP uma realidade e uma inspiração.

O TPNP terá uma verba de 2 milhões de euros para promoção externa da região. Quais os principais mercados onde essa promoção poderá ser feita?

A promoção externa do Porto e Norte de Portugal é contratualizada pelo Turismo de Portugal com a Associação de Turismo do Porto, a agência regional de promoção turística (ARPT) e obedece a uma estratégia delineada no Plano Regional e no Plano Nacional de Promoção Turística.

Foram divulgados recentemente os resultados do setor em 2018. O turismo no Norte cresceu mesmo na época baixa, contudo os maiores beneficiários parecem ser o Porto e a sua área Metropolitana com o interior a passar ao lado desta dinâmica, o que pensa fazer para alterar esta situação integrando o turismo de base termal do Alto Tâmega, a região do Minho e o Nordeste Transmontano?

A TPNP tem responsabilidades não só ao nível do marketing, mas também ao nível da gestão do destino Porto e Norte de Portugal. A ausência de programas neste sentido sempre foi notória, sendo que estão ainda por resolver questões essenciais para o desenvolvimento turístico da Região. Estou a falar de questões como o necessário alinhamento estratégico com o Porto, enquanto principal recetor dos fluxos internacionais, ou o alinhamento estratégico entre a promoção nacional, de responsabilidade desta entidade, e a promoção internacional que se encontra na esfera de atuação da Associação de Turismo do Porto (ATP). Não podemos esquecer que o aeroporto está no Porto, que a influência do Porto é determinante enquanto força motriz para o desenvolvimento da Região. Tem é que existir uma estratégia integrada para envolver toda a região de influência do TPNP.

Ouvimos recorrentemente os territórios do interior queixarem-se da falta de vias de comunicação e de investimento. O que é que a TPN pode fazer para ajudar estes municípios a terem um maior desenvolvimento turístico?

À luz da atual organização regional de turismo, às entidades regionais de turismo, como é o caso da TPNP, está destinada a missão de valorizar e desenvolver as potencialidades turísticas do destino Porto e Norte de Portugal, bem como gerir de forma integrada os sub-destinos Porto, Douro, Minho e Trás-os-Montes, num mesmo quadro do desenvolvimento turístico regional. Para isso a TPNP tem ao seu dispôr as orientações emanadas pela Estratégia Nacional de Turismo (ET2027), e os planos estratégicos intermunicipais que apontam objetivos de desenvolvimento dos territórios, muitos deles já incluindo o turismo como um dos principais vetores de investimento. É desenvolvendo projetos próprios e apoiando iniciativas públicas e privadas, que se comprometem com este alinhamento estratégico nacional-regional-local, que pretendemos ajudar os municípios a atingirem maiores quotas de mercado, ou a encontraram os seus segmentos alvo, ou ainda a explorarem nichos rentáveis de mercado. Podem contar connosco para unir esforços e ganhar escala para competir. Não contem connosco para dispersar investimento e apoiar ações desgarradas que não ambicionem a coesão territorial, a satisfação dos nossos clientes – os visitantes e turistas, e o bem-estar da comunidade.

O Douro e os seus empresários queixam-se de um menor investimento na sua promoção desde que perdeu autonomia e passou a integrar a Entidade Regional de Turismo do Porto e Norte de Portugal. Quais as suas ideias e propostas neste domínio?

O Douro é a espinha dorsal de toda esta região, desde que entra em Portugal até desaguar no Atlântico. O desenvolvimento turístico que é possível explorar a partir do Rio Douro é uma realidade indesmentível. O facto de estarmos perante um território que é, em parte, Património da Humanidade, obriga-nos a olhar para o Douro como absolutamente estratégico para a promoção turística. Há, portanto, muito ainda a fazer pelo Turismo no Douro. Para já estamos empenhados em ouvir as partes interessadas e desenhar projetos e iniciativas que vão de encontro às suas necessidades e que casem com as expectativas da procura turística. Queremos envolver de forma mais ativa os Municípios, porque são estes que detêm as competências de gestão do território. Queremos chamar as associações empresariais no sentido de estimular a dinâmica empresarial e a orientação ao mercado. Queremos colaborar com a Academia que gera o conhecimento e a inovação essenciais à estratégia. Fundamental também é o envolvimento da comunidade local e a relevância sociocultural, conferida pelo compromisso para com o bem-estar da comunidade. Há um longo trabalho pela frente, mas não falta vontade para o empreender.

Ainda no Douro. Quando falamos nesta região pensamos logo no turismo ligado ao vinho e às vinhas mas a região é rica a nível gastronómico, cultural, religioso, etc. Esta diversidade será uma aposta do TPN?

O Douro é de uma riqueza tal, nos mais diversos domínios, que continua muito por explorar em termos turísticos. O Vinho do Porto é sem dúvida um dos ex-libris e é indesmentível que o facto de o Douro ser a primeira região demarcada do mundo tem um peso enorme na notoriedade e na associação imediata que se faz ao vinho sempre que falamos do Douro. Há, no entanto, muito por onde podemos crescer. Há quintas históricas maravilhosas, percursos selvagens, património cultural, histórico e religioso, uma gastronomia de exceção e, claro está, as gentes do Douro, um povo único, de uma hospitalidade única. É nesta diversidade, e nesta riqueza, que devemos apostar.

Se lhe pedisse duas ou três medidas fulcrais para ajudar o turismo no Douro, o que me diria?

Como é óbvio, não é a altura para enunciar medidas concretas a aplicar aqui ou ali. Temos que olhar para a região em que atuamos como um todo interdependente. Só trabalhando em rede conseguimos potenciar aquilo que temos de bom. É preciso olhar para o turismo no Porto e no Norte como um todo, numa estratégia integrada. Se optarmos por uma política paroquial, não me parece que cheguemos a bom porto. Importa refletir sobre o que todos nós, municípios, privados, academia, comunidade… podemos fazer pelo Douro.

Para finalizarmos a questão do Douro, que mensagem quer deixar aos durienses, o que poderá Luís Pedro Martins trazer à região?

O meu desejo é que no final do nosso mandado, daqui a 5 anos, seja claro para os durienses aquilo que esta candidatura fez pela região e acredito sinceramente que o balanço será positivo. Sempre enfrentei os meus desafios profissionais com enorme entrega, paixão e orientação para resultados. Sei que, com o empenho de todos os colaboradores da TPNP e a confiança e determinação dos municípios e dos empresários do Douro, seremos capazes de dar aos durienses o que eles merecem: uma paisagem cuidada e orgulhosamente preparada para receber bem quem nos quer vir conhecer. Receber como só as gentes do Norte são capazes de fazer.

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