PNRVT forma Guias de Observação de Aves

Vinte agentes no território recebem “Formação de Guias de Observação de Aves no Vale do Tua”. Objetivo da ação é “usar” as aves como produto turístico.

Enquanto decorrem os trabalhos de colocação de sinalética e implementação de observatórios, ao longo de três de percursos, com cerca de 90 Km cada, que percorrem os cinco concelhos que integram o Vale do Tua (Alijó, Carrazeda de Ansiães, Mirandela, Murça e Vila Flor), o Parque Natural Regional do Vale do Tua (PNRVT) já prepara vinte agentes no território para os capacitar como guias de observação de aves.

O Birdwatching é o novo “produto turístico” em que o PNRVT quer apostar, que vem complementar a oferta já existente na área do Turismo de Natureza.

“Consideramos que não basta criar as infraestruturas, certificar a oferta, criar novos produtos que possam aumentar a competitividade do território, temos de preparar os agentes locais para que, efetivamente, saibam trabalhar e potencializar esses recursos”, explica o diretor do PNRVT, Artur Cascarejo.

E é com esse intuito que o PNRVT proporciona formação a agentes locais, destacando-se a participação nesta iniciativa de empresas de animação turística, proprietários de alojamento local, técnicos de turismo dos municípios, entre outros.

A formação, que começou em setembro, decorre até junho de 2022, com uma forte componente teórica, que pretende dar aos formandos o conhecimento base, mas também uma importante componente prática, com saídas de campo e Workshops que os capacita para trabalharem este recurso com os visitantes.

“Não estamos a preparar biólogos estamos a preparar agentes turísticos e dar-lhes ferramentas e competências para que possam usar a observação de aves como produto, atrativo, que traga visitantes e, consequentemente, retorno financeiro”, alega Luís Ribeiro, da associação Palombar, que está a coordenar esta formação.

Na ótica do formador o “chasco-preto” é a grande estrela do Vale do Tua. “É uma espécie muito rara no contexto europeu e o Vale do Tua é o melhor local de observação em Portugal, tem a maior concentração de população desta espécie”, refere.

Conhecendo as particularidades destas aves, os locais mais adequados para as observar, as estações do ano, etc., os operadores turísticos ficam mais capacitados para proporcionarem uma experiência mais completa ao turista.

Técnicas e mecanismos para facilitar a observação

No último Workshop desenvolvido no âmbito da formação, os operadores turísticos aprenderam técnicas de anilhagem e também a construir bebedouros e comedouros e até caixas-ninho que, por exemplo, instalados em unidades de alojamento podem criar um ambiente propício para observação de aves sem esforço.

Obviamente que as técnicas que Luís Ribeiro ensina tem sempre presente a necessidade de preservação e de respeito pelo meio ambiente.

A formação ainda está numa fase inicial, nos próximos dias 25 e 26 de outubro os formandos vão fazer visitas de campo e pôr em prática alguns dos conhecimentos já adquiridos, mas ainda têm muito caminho para fazer. “Vamos fazer este tipo de visitas até junho, atravessando diferentes estações do ano, o que nos permite perceber que num mesmo local a observação de espécies pode variar consoante a estação”, explica.

Aliás, as aves podem ser usadas para lutar contra a sazonalidade turística, criando programas de inverno, época baixa no sector do turismo, que possam ser um complemento de atratividade importante ou até a razão principal para uma visita ao território.