ProDouro debateu mão-de-obra em Sabrosa

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ProDouro debateu mão-de-obra em Sabrosa

A Associação dos Viticultores Profissionais do Douro, ProDouro, debateu as problemáticas da falta de mão-de-obra no Douro, num colóquio que decorreu no Auditório Municipal de Sabrosa.

Entre as soluções debatidas e apresentadas pela associação está a atração de trabalhadores emigrantes, que, segundo Rui Soares, presidente da ProDouro, podem ainda ajudar a povoar um território cada vez mais abandonado.

“A contratação de emigrantes é uma das soluções. Temos um problema grande na região de falta de gente, que saiu daqui e que, boa parte, já não regressa, temos que ter consciência disso. A solução é trazer pessoas de fora da região, mas cativando-os a vir e repovoarem o Douro.

É preciso criar condições dignas para que as pessoas venham, se fixem, e tenham trabalho o ano inteiro. Não podemos olhar para estes trabalhadores como uma solução apenas para o tempo da vindima, isso não resolve o nosso problema de fundo.

As pessoas que vêm têm que se estabelecer e constituir família na nossa região, para isso temos que lhes dar todas as condições, inclusivamente a nível profissional, tem que ser uma solução integrada”.

O responsável sublinha a importância das condições que importa dar a estes trabalhadores para que não se repitam no Douro situações como as que são do conhecimento público, em Odemira e em Lisboa com os emigrantes timorenses.

Entre outras propostas apresentadas no colóquio e já lançadas pela ProDouro para discussão pública, Rui Soares destaca o contrato de vindima que, inclusivamente foi já apresentado ao Governo.

“Já apresentamos diversas propostas ao Governo no sentido de encontrar soluções para este problema, desde logo o contrato de vindima, que até ao momento ainda não foi aceite.

A proposta tem sofrido de algum preconceito, as pessoas não entendem como é que alguém que receba um apoio social possa ainda receber mais algum pelo trabalho que desenvolve. A proposta é olhada como imoral ou injusta, mas mais imoral é ter essas pessoas que têm os apoios a trabalhar de forma clandestina na região, é o que acontece, e todos o sabem. Não podemos aceitar isso”.

Outra solução apresentada e que irá ser proposta ao Governo é a criação de uma lei que impeça a compra de uvas por um preço inferior ao da sua produção, uma problema que não se coloca nas uvas destinadas a Vinho do Porto mas naquelas que irão para os vinhos DOC Douro.

“Estamos a trabalhar para definir um intervalo de indicadores que nos permita estabelecer o verdadeiro custo de produção de uva na região”, explicou Rui Soares.

António Magalhães, um dos oradores presentes no colóquio, salientou que o objetivo do colóquio “não é apresentar uma solução para o problema” mas sim, “iniciar a discussão do tema”.

“Não vamos resolver o problema, vamos fazer um diagnóstico da região através do nosso exemplo que é um entre muitos, até porque na realidade apenas temos menos de 1% da área da região”.

Para o orador, uma das causas deste problema é o desaparecimento dos pequenos viticultores, que granjeavam a sua pequena produção mas que eram também a grande força motriz das grandes quintas.

“Aquilo que nos preocupa mais é que em três décadas mudamos os modelos de granjeio das quintas no Douro. Neste momento temos um problema grave que é a perda de pequenos viticultores, que resolvem o granjeio das suas vinhas e trabalham também para as grandes empresas. Este tipo de mão-de-obra não tem continuidade, os filhos não seguem esta vida e eles acabam por vender as vinhas, normalmente aos grandes grupos”.

Criada em 2015, a ProDouro conta com 96 associados, entre viticultores independentes, produtores-engarrafadores e adegas cooperativas, abrangendo 5.075 hectares de vinha.

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